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ONU: América Latina reduz fome, mas tem a dieta saudável mais cara do mundo

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Custo de seguir uma dieta saudável na América Latina é de US$ 4,91 por dia - Envato
Custo de seguir uma dieta saudável na América Latina é de US$ 4,91 por dia
Por Paula Bulka Durães

22/07/2026 | 12h07

São Paulo - A América Latina e o Caribe registraram avanços consistentes na redução da fome, mas seguem com obstáculos econômicos para colocar comida de qualidade no prato.

É o que apontam os dados de 2026 do relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) The State of Food Security and Nutrition in the World (Sofi) – em português, "O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo".

O documento foi elaborado em conjunto pela FAO, pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

De acordo com o texto, apesar de a região ter demonstrado uma recuperação constante ao longo de anos, com a prevalência de subalimentação caindo para 4,8% da população em 2025, a América Latina e o Caribe apresentam a dieta saudável mais cara do planeta.

Em 2025, o custo médio diário para se alimentar com qualidade atingiu US$ 4,91 por pessoa. Como consequência, estima-se que 25,7% da população local ainda não consiga pagar por refeições nutritivas – o acesso a alimentos saudáveis, no entanto, vem aumentando desde 2021.

O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mostrou uma redução gradual nos preços dos ultraprocessados no Brasil desde a pandemia de Covid-19, enquanto os itens saudáveis estão cada vez mais caros.

O relatório da ONU aponta uma diferença regional marcante. Enquanto na África os gêneros de origem animal, como a carne, são os que mais encarecem a dieta, na América Latina o grupo alimentar de maior impacto financeiro são os vegetais.

Como reverter esse cenário?

Os especialistas indicam que as políticas públicas precisam atacar as deficiências de infraestrutura. Os principais gargalos que encarecem esses alimentos  perecíveis envolvem a logística doméstica e os altos custos de transporte.

Simulações econômicas do relatório mostram que a simples aplicação de um subsídio de 10% na produção, aliada a melhorias na distribuição, poderia baratear o custo de uma dieta saudável em 8,06% para as famílias da região.

Avanços na redução da fome

Apesar do peso no bolso, a queda contínua na subalimentação latino-americana tem ajudado a sustentar a lenta redução global da insegurança alimentar.

No campo da saúde e nutrição, o documento destaca vitórias importantes para os países latino-americanos e caribenhos. A região está no caminho certo para atingir a meta global de diminuição da perda severa de peso infantil até 2030:

  • Foram registrados progressos significativos em relação à amamentação exclusiva;
  • A diversidade alimentar mínima foi alcançada por 77,5% das mulheres de 15 a 49 anos, o que configura uma das taxas mais altas do mundo.

Fome atinge 645 milhões de pessoas no mundo

Se a América Latina apresenta melhoras porcentuais, o cenário global ainda gera alertas. A fome atingiu 7,8% da população mundial em 2025, afetando cerca de 645 milhões de pessoas.

Os dados globais revelam um progresso lento e ainda distante do ideal: há quase 14 milhões de indivíduos a menos passando fome hoje em comparação com 2024.

Contudo, o planeta ainda contabiliza cerca de 50 milhões de pessoas a mais na linha da miséria do que tinha em 2015, não conseguindo retornar aos níveis anteriores à pandemia de Covid-19.

Estima-se que, até 2030, entre 510 e 520 milhões de pessoas continuarão enfrentando a probreza extrema.

A insegurança alimentar, que inclui as formas moderada e grave, atinge 25,8% da população, somando 2,1 bilhões de indivíduos. No cenário internacional, a inflação generalizada empurrou o custo médio de uma dieta saudável para US$ 4,28, o que tornou a alimentação de qualidade inacessível para 2,69 bilhões de pessoas.

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