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ONU debate 'era da longevidade' e cobra reformulação de sistemas globais

Em evento na ONU, especialistas e representantes globais abordam a necessidade de adaptar políticas públicas para a realidade do envelhecimento

Bianca Bibiano

Por Bianca Bibiano

08/10/2026 | 18h38 ● Atualizado | 19h34

Reprodução/UN

Emilio Umeoka, da Universidade Stanford e colunista do VIVA, foi um dos palestrantes - Reprodução/UN
Emilio Umeoka, da Universidade Stanford e colunista do VIVA, foi um dos palestrantes
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A sede da ONU em Nova York celebrou o 36º Dia Internacional das Pessoas Idosas, abordando a necessidade de reformular sistemas para atender a uma população que vive mais, destacando a urgência de garantir dignidade e saúde para os idosos.

O colunista do VIVA Emilio Umeoka alertou que a América Latina envelhece rapidamente, com o Brasil se tornando o sexto país mais velho em 30 anos, e enfatizou a importância de adaptar modelos de trabalho e aposentadoria às novas realidades demográficas.

Líderes diplomáticos e especialistas discutiram a transição demográfica como uma oportunidade, propondo a criação de políticas que apoiem as transições de vida e o engajamento dos idosos, em vez de tratá-la como uma crise a ser temida.

Resumo gerado por IA

São Paulo - A sede das Nações Unidas (ONU) em Nova York, nos Estados Unidos, foi palco nesta quinta-feira, 8, de uma celebração para marcar o 36º Dia Internacional das Pessoas Idosas. Sob o tema “A era da longevidade: reformulando sistemas para vidas mais longas”, líderes diplomáticos, especialistas de saúde, executivos e ativistas compartilharam experiências e preocupações sobre como os sistemas públicos, econômicos e de saúde do século XX já não atendem à realidade atual.

A abertura ficou a cargo do William Smith, presidente do Comitê de ONGs sobre Envelhecimento em Nova York, que destacou a urgência de garantir que "os anos adicionados à vida se traduzam em dignidade, saúde e produtividade".

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Em seguida, a presidente do evento e também representante da ONU, Arianita Elezaj, resumiu o tom do encontro questionando sobre o papel da pessoa idosa na sociedade contemporânea:

Imagine uma sociedade onde se pergunta a um idoso de 80 anos: ‘O que você gostaria de fazer?’ em vez de ‘O que você ainda consegue fazer?’ Essa pequena mudança diz muito.
Arianita Elezaj

Novas propostas para pensar a longevidade

No painel sobre a arquitetura da longevidade, Emilio Umeoka, embaixador do Stanford Center on Longevity e colunista do VIVA, apresentou uma análise profunda sobre como a longevidade está redefinindo as dinâmicas sociais e corporativas. Em sua fala, ele destacou que a América Latina é a região do mundo que envelhece mais rápido e fez um alerta sobre o futuro próximo do Brasil:

Emílio Umeoka em conferência na ONU no dia 8 de outubro de 2026 sobre pessoas idosas
Emilio Umeoka, colunista do VIVA, falou sobre novas perspectivas para a longevidade - Reprodução/UN
O Brasil, nos próximos 30 anos, será o sexto país mais velho do mundo. Mas, em vez de um fardo, quais são os benefícios econômicos e sociais gerados por pessoas vivendo, trabalhando e se engajando por mais tempo?
Emilio Umeoka

Baseando-se nos estudos de Stanford, o executivo defendeu que é inviável tentar encaixar vidas centenárias no modelo rígido do século XX, projetado para aposentadorias aos 65 anos. Com a expectativa de carreiras profissionais de até 60 anos, a educação, o trabalho e o descanso precisarão se alternar continuamente. 

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Nesse sentido, observou que "as transições se tornarão uma funcionalidade, e não mais um erro em nossas vidas". "Essas pausas estratégicas ao longo da jornada adulta servirão para requalificação profissional (reskilling), cuidados com familiares e atenção à própria saúde, citando como exemplo de integração a Universidade do Estado do Arizona (ASU), que construiu um residencial em seu campus onde alunos idosos frequentam aulas e vivem ao lado de estudantes jovens", observa.

No campo corporativo, ele diz que observa um contraste crítico do mercado: a população 60+ detém dois terços do poder de compra global, mas recebe apenas 5% dos orçamentos de marketing das empresas. Ele provocou as lideranças a adaptarem suas organizações para gerir equipes multigeracionais, onde até cinco gerações já dividem o mesmo ambiente, adotando jornadas flexíveis e eliminando o preconceito etário nos processos seletivos.

Sobre inovação e medicina, o palestrante abordou tecnologias como dispositivos vestíveis (wearables), óculos de audição direcional, medicamentos GLP-1 e exames de biomarcadores para detecção precoce de câncer. Contudo, enfatizou que o objetivo principal não deve ser o "biohacking" para viver até os 120 anos, mas sim encurtar a lacuna entre a expectativa de vida e a expectativa de vida saudável, que hoje chega a 14 anos nos Estados Unidos. "A menos que mudemos algumas das políticas e nos adaptemos, e leva tempo para adaptá-las, será muito difícil sustentar a segurança financeira [para os aposentados]."

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Como exemplo, Umeoka citou países como Dinamarca e Singapura, que moveram o alinhamento da aposentadoria para a expectativa de vida. Singapura começará em 2030 e a Dinamarca começará em 2040. Mas eles já disseram que 70 anos será o teto mínimo. "À medida que vivemos mais, precisamos criar formas de apoiar as transições. As transições serão superimportantes e muitas transições acontecerão." O especialista questiona, contudo, como tornar isso mais igualitário, porque hoje, basicamente, o lugar em que se nasce, o código postal da pessoa, determina quanto ela vai viver. "E as minorias estão realmente lutando com isso", alerta.

Impacto demográfico do envelhecimento

Representantes diplomáticos de diversas nações enfatizaram que a transição demográfica não deve ser vista como uma crise inevitável, mas como um dividendo a ser explorado. O embaixador da Argentina junto à ONU, Francisco Fabián Tropepe, destacou o protagonismo latino-americano nas discussões sobre um instrumento internacional vinculativo para os direitos das pessoas idosas, questionando: “O que fazemos com as vidas mais longas que a humanidade está ganhando?”

A palestra principal do evento, proferida por Hala Nazari, também desmistificou "o pânico moral em torno do envelhecimento populacional". Segundo ela, a narrativa de uma 'bomba-relógio demográfica' reflete falhas de planejamento institucional:

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Esta não é uma crise demográfica; este é um problema de design. Estamos usando soluções do século XX para uma realidade do século XXI e nos perguntando por que não estão funcionando.
Hala Nazari, Fórum Econômico Mundial

O evento contou com outras partipações, como a representante da Comissão da União Africana Olabusayo Akinola, que levou ao evento uma reflexão sobre a aplicação prática das políticas públicas naquela região, e de Ronald Lee, da Universidade Berkeley e cofundador do projeto National Transfer Accounts, dos EUA, que falou sobre as diferenças econômicas voltadas ao envelhecimento e diferenças entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

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