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Smartwatch: como usar os dados de saúde sem aumentar a ansiedade

Especialista explica por que números de relógios inteligentes devem servir como acompanhamento e alerta, e não como diagnóstico

Felipe Cavalheiro

Por Felipe Cavalheiro

22/09/2026 | 11h59

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Principal benefício dos smartwatches é o fluxo constante de informações sobre o corpo - Adobe Stock
Principal benefício dos smartwatches é o fluxo constante de informações sobre o corpo
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O professor Bráulio Almeida Júnior utiliza um smartwatch para monitorar sua saúde, especialmente após um infarto, permitindo um acompanhamento constante de sua pressão arterial e frequência cardíaca.

Os smartwatches, como o Apple Watch Series 12, são dispositivos 'wearables' que coletam dados de saúde, oferecendo informações em tempo real sobre diversos parâmetros vitais, como oxigenação do sangue e qualidade do sono.

Embora os wearables sejam úteis para monitoramento, especialistas alertam sobre o risco de superestimar os dados, enfatizando a importância de discutir os resultados com profissionais de saúde para evitar ansiedade e interpretações errôneas.

São Paulo - Dois toques no relógio, alguns segundos com o braço parado e o novo relógio do professor universitário de 63 anos Bráulio Almeida Júnior já foi capaz de medir sua pressão. Desde que ganhou um Samsung Galaxy Watch7 de presente no Dia dos Pais de 2025, Bráulio aproveita o monitoramento constante dos sinais vitais para acompanhar o desempenho dos treinos da acadêmia, a qualidade do sono e, especialmente, o coração. 

Depois que passou por um infarto, o professor toma especial cuidado com a frequência cardíaca e, antes mesmo de ter o relógio, já contava com outros aparelhos para monitorar a pressão. 

Foto em zoom do braço de um homem, com o relógio inteligente no pulso
Relógio inteligente do Bráulio Almeida, mostrando bons resultados após um treino na academia - Arquivo Pessoal

Como funcionam os smartwatches? 

Os relógios inteligentes, como o recém lançado Apple Watch Series 12, fazem parte de um conjunto de aparelhos tecnológicos chamados de wearables – dispositivos como anéis e pulseiras que podem ser vestidos e conseguem captar informações de saúde, como:

  • Frequência cardíaca;
  • Oxigenação do sangue;
  • Contador de passos;
  • Fases do sono.

Cada função possui seus sensores próprios. Para saber a pressão, por exemplo, o relógio emite uma luz verde que alcança os vasos sanguíneos e mede o volume do sangue neles.

Alguns aparelhos mais avançados possuem até mesmo sensores de atividade eletrodérmica, que conseguem detectar pequenas variações na temperatura e umidade da pele para identificar picos de estresse.

A professora de biomedicina do Centro Universitário Leonardo da Vinci (Uniasselvi) Michele Cristina Michels comenta que o principal benefício dos wearables é o fluxo constante de informações recebidas. 

"Em vez de termos aquela medida pontual no consultório, a gente pode acompanhar essa tendência ao longo de meses, de semanas, até de anos", explica.

Benefício pode virar ansiedade

Bráulio Almeida conta que o relógio trouxe novos hábitos, e, também, ansiedade. Uma refeição mais gordurosa ou uma discussão acalorada já justificam uma "checagem" na pressão. Um resultado irregular pode ser acompanhado por um remédio. 

Por isso, Michels alerta para os perigos de superestimar os indicadores, que não concluem nada por si, e devem sempre ser conversados com um profissional da saúde

"Os wearables  funcionam como uma ferramenta de acompanhamento e de alerta, mas não como um diagnóstico. O que o relógio dá precisa ser interpretado junto com uma avaliação clínica daquela pessoa."
Michele Cristina Michels

A especialista explica que os próprios dados de saúde podem gerar  uma ansiedade, modificando os resultados do relógio e criando um ciclo vicioso. 

Michels ressalta que o organismo não funciona com números fixos. "Frequência cardíaca, sono e outros parâmetros variam naturalmente ao longo do dia", afirma. 

Recentemente, Bráulio buscou novas formas de lidar com a ansiedade e começou a fazer terapia. Ele conta que, agora, a primeira resposta não é o ansiolítico; mas uma pequena pausa na rotina para se acalmar. 

"Eu parei de apenas medir a pressão e comecei a questionar o porquê de estar com pressão alta.”
Bráulio Almeida Jr

Estagiário sob supervisão de Pedro Marques

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