População acima de 80 anos cresce mais que a de 60+ na América Latina
Fabiana Holtz/Viva
São Paulo – O aumento da expectativa de vida da população tem levantado um alerta não apenas no Brasil, mas em todo o mundo, sobre os desafios que esse cenário representa para a sustentabilidade da Previdência Social. Nesse contexto a cidade de São Paulo sediou nesta semana o Fórum Regional da Seguridade Social para as Américas 2026.
No painel “Envelhecimento da população e emprego: desafios e oportunidades”, o diretor do Centro Latino Americano de Demografia (Celade), divisão de População da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), Simone Cecchini, chamou a atenção para a necessidade de se pensar em políticas públicas voltadas para esse grupo. De acordo com dados apresentados por ele, até 2050 a população acima de 65 anos na América Latina vai praticamente duplicar, passando de 68 milhões para 138 milhões.
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Em termos porcentuais, a participação desse grupo na sociedade vai saltar de 10,2% para 18,9%. “A economia prateada é uma realidade que não pode ser ignorada. É preciso investir nela e vejo que temos cada vez mais empresas interessadas nesse segmento, principalmente nos setores farmacêutico e de turismo”, afirmou o especialista.
Grupo 80+ em franca expansão
Foto: Fabiana Holtz/Viva
Outro dado relevante nesse debate é que o grupo acima de 80 anos tem crescido bem acima da média da população acima de 60 anos. Diante dessa realidade, as projeções apontam para desafios econômicos importantes, observa Cecchini. Em particular no Brasil, dados do Censo do IBGE revelam que entre 2000 e 2022 a população 80+ (os super-idosos) saltou de 1,8 milhão para 4,6 milhões. E não há sinais de desaceleração nesse ritmo.
Além de encarar a realidade do fim do bônus demográfico, afirma, é preciso considerar também os impactos na economia relacionados a queda e envelhecimento da força de trabalho, menor produtividade e consequente reflexo na sustentabilidade financeira dos sistemas de pensão (aposentadoria) e saúde, aliada a maior demanda por cuidados de saúde de longo prazo.
Tudo isso torna fomentar o crescimento econômico da região muito mais desafiador", conclui.
A população em idade para trabalhar, entre 15 e 64 anos, vai continuar crescendo até 2042, estima a Celade, principalmente nas áreas urbanas. Como estratégia econômica para o futuro, Cecchini defende que novos investimentos na prevenção na área de Saúde e no fomento do envelhecimento saudável são extremamente necessários.
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Ações relevantes
Entre as políticas públicas para promover a inclusão de idosos no mercado de trabalho que o especialista considera importantes foram destacadas as reformas legislativas para garantir acesso ao trabalho descente e combate ao etarismo promovidas pelo Brasil, Chile e Colômbia e a remoção do limite de idade para acesso a programas de trainee adotada no Chile.
Promovido pelo Ministério da Previdência Social e pela Associação Internacional de Seguridade Social, o evento reuniu especialistas de toda a América Latina em painéis sobre inovação, sustentabilidade e a expansão da cobertura previdenciária diante dos desafios demográficos.
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