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Sem copa do mundo nos EUA: boicote cresce por conta de Trump; entenda

Foto: Reprodução The White House

O debate ganhou força nesta semana em meio a tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos - Foto: Reprodução The White House
O debate ganhou força nesta semana em meio a tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos

Por Joyce Canele

redacao@viva.com.br
29/01/2026 | 07h59

São Paulo, 28/01/2026 - A FIFA enfrenta uma crescente pressão internacional para transformar seus compromissos com direitos humanos em medidas concretas na Copa do Mundo 2026.

O debate ganhou força nesta semana em meio a tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos, país que sediará o torneio ao lado de Canadá e México, e reacendeu discussões sobre a segurança, a liberdade civil e até a possibilidade de boicotes por parte de torcedores e lideranças do futebol europeu.

Uma ampla coalizão formada por organizações de direitos humanos, sindicatos, entidades civis e grupos de torcedores divulgou um posicionamento conjunto exigindo que a FIFA vá além do discurso. Entre os signatários estão Amnistia Internacional, Human Rights Watch, ACLU, AFL-CIO, NAACP, Repórteres Sem Fronteiras, Athlete Ally e a Sport & Rights Alliance.

O grupo cobra garantias concretas de proteção a trabalhadores, atletas, jornalistas, comunidades locais e torcedores durante o Mundial, que será realizado nos Estados Unidos, Canadá e México.

Para as organizações, a Copa de 2026 deveria consolidar um novo padrão de governança no futebol, já que foi a primeira edição a incluir critérios de direitos humanos no processo de escolha das sedes.

No entanto, o cenário político e social dos Estados Unidos, segundo os críticos, tem colocado esses compromissos em xeque.

Há preocupações com o aumento de:

  • Ataques a imigrantes;
  • Ameaças à liberdade de imprensa; e
  • Repressão a protestos pacíficos.

Além do recuo da própria Fifa em campanhas antidiscriminatórias recentes. A avaliação é de que o torneio caminha para um ambiente de risco justamente no momento em que deveria projetar valores de inclusão e segurança.

Pressão por boicote 

Ex-dirigentes da FIFA, parlamentares europeus e líderes de federações nacionais passaram a questionar abertamente a realização do torneio nos Estados Unidos.

O ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, elevou o tom das críticas à Copa do Mundo de 2026 ao sugerir que torcedores repensem viagens aos EUA.

A recomendação foi feita na última segunda-feira (26), por meio de uma publicação na rede social X.  A posição de Blatter se apoia nas avaliações do advogado suíço Mark Pieth, referência internacional em investigações de corrupção e ex-consultor da própria Fifa durante o processo de reformas iniciado na década passada.

Em entrevistas recentes à imprensa europeia, Pieth afirmou que o atual ambiente político nos Estados Unidos, marcado por pressões sobre opositores e pela atuação rígida das autoridades migratórias, não oferece garantias suficientes para visitantes estrangeiros.

Para ele, esse cenário coloca em dúvida a capacidade do país de receber um evento global que depende da livre circulação e da segurança de torcedores de diferentes nacionalidades.

Em meio ao endurecimento da política migratória do governo Donald Trump, às restrições de viagem impostas a diversos países e a uma política externa vista como agressiva por aliados históricos.

Para esses críticos, a combinação entre controle rígido de fronteiras, ameaças geopolíticas e a proximidade da FIFA com a Casa Branca cria um ambiente incompatível com o caráter global e inclusivo do Mundial.

Embora ainda não haja decisões oficiais, o simples fato de seleções tradicionais e governos discutirem um eventual boicote já representa um desgaste inédito para a competição.

Pesquisas com torcedores e petições organizadas na Europa indicam que parte do público teme não conseguir viajar, ser barrada na entrada ou transformar a ida aos jogos em um risco político, segundo o portal americano TIME.

Mesmo reconhecendo que boicotes anteriores raramente se concretizaram no futebol, críticos argumentam que o Mundial de 2026 pode se tornar um teste decisivo sobre até que ponto valores democráticos e direitos humanos ainda têm peso real nas grandes competições esportivas globais.

Prêmio da paz sob questionamento

O anúncio do Prêmio da Paz da Fifa também gerou desconforto. Entidades afirmam que não houve transparência sobre critérios, indicados ou jurados.

A Human Rights Watch diz ter solicitado informações formais à entidade máxima do futebol, sem obter resposta. Para os críticos, o simbolismo do prêmio contrasta com denúncias de detenções violentas de imigrantes, presença ampliada de forças de segurança em cidades-sede e o esvaziamento de mensagens antirracistas em competições recentes.

Direitos dos trabalhadores e das comunidades

Sindicatos internacionais destacam que a Copa envolve uma cadeia extensa de trabalhadores, desde obras de infraestrutura até serviços nos dias de jogos.

A cobrança é para que a Fifa assegure condições dignas de trabalho, respeito à organização sindical e benefícios reais às comunidades anfitriãs.

Também há temor de que populações vulneráveis, como pessoas em situação de rua, sejam alvo de políticas de remoção ou criminalização em nome da chamada “revitalização urbana” nas cidades-sede.

Imprensa, imigração e segurança

Outro ponto sensível é a atuação das autoridades migratórias e de segurança pública. Organizações alertam para o risco de policiamento excessivo, aplicação arbitrária de leis de imigração e restrições ao trabalho jornalístico durante o torneio.

A Fifa é pressionada a obter garantias formais dos governos anfitriões de que torcedores, atletas e profissionais da imprensa não serão alvo de detenções arbitrárias, perseguições políticas ou censura.

O recuo da Fifa em mensagens antirracistas e antidiscriminatórias acendeu o alerta entre entidades de direitos civis e grupos LGBTQ+.

Para essas organizações, gestos simbólicos não bastam em um contexto de crescimento de crimes de ódio e ataques a políticas de diversidade.

A exigência é por protocolos claros, aplicáveis e com consequências em casos de discriminação dentro e fora dos estádios.

O que aconteceu?

A pressão sobre a Fifa ocorre em um contexto internacional já tenso. Na Europa, líderes reagiram duramente às recentes declarações de Donald Trump defendendo a anexação da Groenlândia pelos Estados Unidos.

França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Reino Unido apoiaram publicamente a posição da Dinamarca, afirmando que o território pertence ao seu povo.

A controvérsia, que envolve segurança no Ártico e disputas geopolíticas com China e Rússia, alimentou debates nas redes sociais, onde torcedores europeus passaram a defender boicotes e protestos simbólicos relacionados a eventos sediados nos EUA.

Pressão nas redes sociais

Nas redes sociais, especialmente no X, a discussão sobre um possível boicote à Copa do Mundo de 2026 ganhou força nos últimos dias, impulsionada por críticas à política migratória dos Estados Unidos.

Internautas de diferentes países passaram a compartilhar mensagens de apoio à ideia de não viajar para o torneio, usando hashtags que defendem a exclusão do país-sede ou a transferência de jogos para Canadá e México.

O movimento reúne torcedores, ativistas e comentaristas esportivos que afirmam ver o boicote como uma forma de protesto simbólico contra violações de direitos humanos e restrições à circulação de estrangeiros, ampliando a pressão pública em torno da Copa do Mundo 2026.

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