Brasileiro que tocou com Michael Jackson é tema de documentário da Netflix
04/02/2026 | 11h42
São Paulo, 04/02/2026 - "Um filme quase impossível de ser realizado": assim vem sendo definido o documentário The Groove Under The Groove, os sons de Paulinho da Costa, que estreia no primeiro semestre de 2026 na Netflix, com direção de Oscar Rodrigues Alves e produção de Alan Terpins.
Paulinho da Costa, para quem não sabe, é o percussionista brasileiro que, a partir dos anos 1970, fez carreira nos Estados Unidos - e se tornou um dos mais importantes músicos do mundo. Os feitos de Costa podem ser elencados de diferentes maneiras: por artistas, faixas ou discos. Todos memoráveis.
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Quatro exemplos fortes suficientes para justificar a fama dele: ele participou como músico do single Endless Love (1981), de Diana Ross, do poderoso álbum Thriller (1982), de Michael Jackson, sob a batuta do não menos genial Quincy Jones; da faixa We Are The World (1985), na mágica noite que mudou o pop; e de La Isla Bonita (1986), de Madonna - Costa é o primeiro rosto a aparecer no clipe oficial da faixa, tocando bongô.
Só isso bastaria para que o músico de 77 anos quisesse exibir todas essas "medalhas" no peito. "Primeiramente, não foi nada fácil me convencer a fazer o documentário. Como já disse antes, sou discreto", afirma Costa, em entrevista por e-mail ao Estadão.
O Oscar (diretor) insistiu muito para fazermos o documentário. Já haviam aparecido outros interessados em contar minha história, mas só quando senti a firmeza e o conhecimento profundo que ele tinha da minha carreira é que concordei em fazer o documentário", justifica.
O documentário levou 10 anos para ficar pronto. As gravações foram realizadas em Los Angeles, nos Estados Unidos, na Bahia, onde Paulinho nunca havia estado antes, e em sua terra natal, Rio de Janeiro. "Sou fã do Paulinho desde 1978, eu era bem moleque quando fiquei louco pelos sons dele", explica Rodrigues Alves, sobre a persistência.
O diretor tem razão. É fácil se apaixonar pelos álbuns nos quais Costa pôs suas mágicas mãos. Além dos hits incontestáveis, o músico também era chamado para dar "molho" a gravações que remetiam ao Brasil.
Ele está na ficha técnica de Ella Abraça Jobim, álbum que Ella Fitzgerald dedicou inteiramente às canções do compositor brasileiro, em 1981, no qual toca ao lado de grandes nomes da música mundial, como o gaitista belga Toots Thielemans, o guitarrista americano Joe Pass e o violonista brasileiro Oscar Castro Neves.
Em Brazilian Romance, um dos "discos brasileiros" de Sarah Vaughan, de 1987, Costa tem seu nome creditado na capa como convidado ao lado de George Duke, Tom Scott, Hubert Laws e Ernie Watts. Neste álbum há versões em inglês para canções como Nada Será Como Antes e Canção do Sal, com arranjos de Dori Caymmi.
Nascido em Irajá, na zona norte do Rio, Costa atuou no Brasil no início de sua carreira, nos anos 1970, antes de ter sua primeira chance internacional, em 1972, com o também brasileiro Sérgio Mendes. Teve contato com os instrumentos de percussão em escolas de samba de sua cidade.
Trabalhou como músico da boate Number One, em Ipanema, onde tocou, por exemplo, com a cantora Maria Alcina. No palco, eles dividiam uma performance em Me Dá, Me Dá, sucesso de Carmen Miranda.
Alcina também levou Costa para tocar no Festival Internacional da Canção, com a qual venceu a fase nacional com Fio Maravilha. Outra cantora que se apresentava na boate, Alcione, afirmou ao Estadão que cantou com Costa na banda "inúmeras vezes".
The Groove Under The Groove, os sons de Paulinho da Costa vai contar essas e outras histórias do músico, que evita dar spoiler sobre o conteúdo. "Não vou entregar o ouro para o bandido", afirma.
Ele puxa o nomes de pelo menos três parceiros e amigos que estão na produção, apesar de não estarem mais vivos: o produtor Quincy Jones (1933-2024), o maestro Lalo Schifrin (1932-2025) e o cantor e compositor Bill Withers (1938-2020). "Não estão mais entre nós, mas estão no filme comigo", diz.
Apesar da discrição e do tom de mistério que prefere dar a si, Costa se diz um cara "orgulhoso" de tudo que fez até aqui.
Depois de tanto tempo nessa indústria maravilhosa, posso dizer que o maior orgulho da minha carreira é, sem dúvida, ser reconhecido pelo talento e pelo profissionalismo por todos meus colegas músicos e produtores."
Ainda neste ano, ele vai ganhar sua estrela na Calçada da Fama de Hollywood. O músico será a primeira pessoa nascida no Brasil a ter este espaço - Carmen Miranda, portuguesa de nascimento, tem estrela no TLC Chinese Theater Imax (antigo Grauman’s Chinese Theatre) desde 1941. A homenagem a Costa será no dia 13 de maio.
Campanha publicitária
"Qual câmera?", pergunta o músico brasileiro Paulinho da Costa com forte sotaque americano no making of da campanha que a Johnnie Walker coloca no ar nesta quarta-feira, 4. Assim como fez com Alaíde Costa em 2023, quando levou a cantora a se apresentar no Carnegie Hall, em Nova York, a marca de uísque agora vai homenagear o percussionista.
Além da campanha de TV, a Johnnie Walker é a patrocinadora do documentário The Groove Under The Groove, os sons de Paulinho da Costa que será disponibilizado pela Netflix. Para o Diretor de Marketing da Diageo Brasil, que produz a bebida, Guilherme Martins, promover iniciativas com nomes da música é algo relacionamento ao posicionamento mais "emocional" que a marca busca dentro do segmento de bebida.
Nos aproximamos do território da música para estar onde a nova geração de consumidores está. A forma de o consumidor se divertir e se socializar tem mudado muito no Brasil. Uma proporção grande desse universo está nos grandes festivais, nas turnês. Os artistas estão no centro desse movimento", diz o executivo.
A marca também investe em nomes da nova geração, sobretudo a Z. No ano passado, anunciou a cantora americana Sabrina Carpenter como sua embaixadora global. A artista, vencedora do Grammy de Melhor Álbum Pop com Short n’ Sweet, de 2024, será uma das principais atrações do Lollapalooza, que ocorre em março em São Paulo.
(Por Danilo Casaletti e Igor Ribeiro)
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