Com show impecável e muitos hits, Kid Abelha mostra brilho renovado em SP
Divulgação/Danilo Cardoso
São Paulo - Quando se fala em "músicas de conforto", aquelas canções que você já conhece bem e busca como refúgio para sentir alívio e segurança, a obra do Kid Abelha está claramente inserida nessa categoria. E as reações emocionadas da plateia no show da turnê "Eu Tive Um Sonho", que passou pelo Nubank Parque (ex-Allianz), em São Paulo, neste sábado (27), são a prova máxima disso.
A voz doce de Paula Toller, o saxofone carregado de anos 80 de George Israel e os riffs de guitarra marcantes de Bruno Fortunato ativam lembranças felizes de outros tempos, mesmo naqueles que nem sequer eram nascidos quando a banda estava no auge.
Leia também
Juntos novamente no palco depois de 13 anos, o Kid Abelha voltou com tudo a que tem direito: o show da nova turnê é uma superprodução, com cenografia hipnotizante com assinatura de Gringo Cardia, troca de figurinos e banda de apoio com naipe de metais que engrandecem os arranjos ao vivo.
Consciente ou inconscientemente pensado dessa forma, o palco um pouco mais rebaixado do que o normal traz o grupo para mais perto do público. Assim, há poucos obstáculos entre o trio e a experiência da plateia em ouvir suas músicas e admirar os detalhes daquele show cênico.
Não há convidados especiais nem novas canções. O repertório é revisionista e ponto.
Em São Paulo, acompanhada por George e Bruno, Paula fez uma entrada triunfal, usando um figurino com cores vivas e cantando "Lágrimas e Chuva". Aos 63 anos, a cantora e compositora mantém o loiro platinado que marcou sua identidade visual, exibe vigor físico e impressiona pela voz irretocável.
Como líder de banda que sempre foi, desde a década de 1980, ela preencheu o palco e interagiu com o público, enquanto arrancava elogios calorosos de quem estava na plateia.
Coleção de hits
Os mais de 30 anos de carreira — que tiveram um ponto final definitivo em 2016 e foram retomados somente para essa nova turnê — renderam uma coleção de sucessos, sobretudo das décadas de 80 e 90, que podem ocupar horas de show. Depois do hit "Lágrimas e Chuva", Paula emendou "Nada Tanto Assim", "No Meio da Rua" e "Educação Sentimental II".
Em "Na Rua, na Chuva, na Fazenda (Casinha de Sapê)", com uma interpretação calibrada entre a doçura e a melancolia, o público relembrou por que a Paula Toller praticamente se apropriou da canção de Hyldon desde que a gravou no disco "Meu Mundo Gira em Torno de Você", 10º álbum de estúdio da banda, de 1996.
E emendou outros clássicos, muitos deles transitando entre o amor, o desamor doído e as letras existenciais, como "Alice (Não Me Escreva Aquela Carta de Amor)", "Amanhã é 23", "Nada Por Mim", "Deus (Apareça na Televisão)", "Eu Tive Um Sonho", "Garotos", "Seu Espião", "Te Amo Pra Sempre", "Grand'Hotel" e "Fixação".
"Pintura Íntima" encerrou duas horas de apresentação fazendo o público dançar e cantar em coro os versos de um de seus maiores hits.
A turnê "Eu Tive Um Sonho" mexe com a nostalgia dos fãs ao revisitar um repertório que atravessou gerações, mas mostra um Kid Abelha revitalizado, que não caiu na armadilha de ser uma banda cover de si mesma.
E esse brilho renovado, junto com o capricho de produção, é o que dá gosto de ver nessa reunião no palco.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.