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Morre Benedito Ruy Barbosa, o autor que estremeceu a Globo com 'Pantanal'

Estadão Conteúdo/Tiago Queiroz

Benedito Ruy Barbosa, na época do lançamento de "Velho Chico", em 2016, sua última novela na Globo - Estadão Conteúdo/Tiago Queiroz
Benedito Ruy Barbosa, na época do lançamento de "Velho Chico", em 2016, sua última novela na Globo
Por Adriana Del Ré e Estadão Conteúdo

07/07/2026 | 10h14 ● Atualizado | 10h16

São Paulo - Um dos maiores autores da história da TV brasileira, Benedito Ruy Barbosa morreu nesta terça-feira (17), aos 95 anos, no Hospital do Coração, em São Paulo, em decorrência a complicações de insuficiência renal crônica.

Marcos Palmeira está ao lado de Antônio Fagundes
Marcos Palmeira e Antônio Fagundes, em cena de "Renascer" - Reprodução/TV Globo

Responsável por escrever clássicos como "Pantanal", "Renascer", "Rei do Gado" e "Terra Nostra", ele foi diagnosticado com a condição em 2023 e passou por diversas internações.

Ruy Barbosa já estava afastado da TV desde 2016, após o fim da novela "Velho Chico", criada por ele e escrita por sua filha, Edmara Barbosa, e seu neto, Bruno Luperi. A direção era assinada por Luiz Fernando Carvalho, antigo parceiro do autor.

Na ocasião, Ruy Barbosa fez sua despedida com uma novela cheia de lirismo, mas marcada por uma tragédia: a morte por afogamento do ator Domingos Montagner, um dos protagonistas do folhetim das 21h.

Trabalho precoce

Nascido em Gália, no interior de São Paulo, em 1931, Benedito Ruy Barbosa passou a infância na cidade vizinha de Vera Cruz, uma região de cafezais que concentrava muitos imigrantes, especialmente italianos e japoneses.

Mais velho de cinco irmãos, Benedito perdeu o pai, Otávio Barbosa, aos 11 anos, e precisou começar a trabalhar desde cedo para ajudar no sustento da família.

Mudou-se sozinho para São Paulo, onde conciliou trabalho e estudos. Atuou como auxiliar de guarda-livros, feirante, faxineiro, bancário e, mais tarde, em 1954, revisor no jornal O Estado de S. Paulo.

Atuou ainda como repórter na editoria de Esportes do jornal Última Hora, trabalhou na Gazeta Esportiva e como redator publicitário na Radial Propaganda, até receber um convite para ser roteirista na agência J.W. Thompson.

Sua estreia na televisão foi em 1966, na TV Tupi, com a novela "Somos Todos Irmãos". Nos anos seguintes, passou por emissoras como Excelsior, Record e Band. Em 1976, foi contratado pela Globo, onde estreou com "O Feijão e o Sonho". No horário das 18h, seguiu com "À Sombra dos Laranjais" (1977) e "Cabocla" (1979).

Depois de uma breve passagem pela Band, onde escreveu "Os Imigrantes" (1981), voltou à Globo e assinou sucessos como "Paraíso" (1982), "Voltei pra Você" (1983), "Bandeirantes" (1985), "Sinhá Moça" (1986) e "Vida Nova" (1988).

Por que ele foi para a TV Manchete?

Cristiana Oliveira, como a personagem Juma, segura uma espingarda e mira em um alvo
Cristiana Oliveira, como Juma, foi um dos talentos revelados na novela "Pantanal" - Reprodução/TV Manchete

Mas foi na emissora concorrente, a extinta TV Manchete, que Ruy Barbosa fez história. Desde os anos 1980, o autor ofereceu diversas vezes a sinopse de "Pantanal" para a Globo, que se recusava a encampar o projeto por considerá-lo miabolante financeiramente.

Já a Manchete, que entre final dos anos 1980 e 90, investia fortemente na teledramaturgia do canal, embarcou na ideia do autor.

Exibida em 1990, "Pantanal" se tornou um marco da teledramaturgia brasileira por diversas razões. Sob a direção de Jayme Monjardim, a novela revolucionou a linguagem dos folhetins tanto no texto quanto nas imagens, com planos abertos e longas cenas da natureza.

As tomadas panorâmicas eram feitas do alto, a partir de pequenos aviões ou balões. A trilha sonora magistral, incluindo temas instrumentais marcantes, era assinada por Marcus Viana. A novela também revelou talentos em seu elenco, como Cristiana Oliveira e Paulo Gorgulho

Além disso, "Pantanal" deu dor de cabeça à cúpula da Globo, ao superar a audiência da emissora no horário nobre em diversos momentos. Anos depois, a novela seria reprisada pelo SBT e ganharia um remake na Globo, em 2022, de autoria de Bruno Luperi.

A volta triunfal à Globo

Domingos Montagner está ao lado de Camila Pitanga e Marcos Palmeira
Domingos Montagner, com Camila Pitanga e Marcos Palmeira: o ator morreu tragicamente enquanto "Velho Chico" ainda estava no ar - Acervo/TV Globo

O sucesso de "Pantanal" levou Benedito Ruy Barbosa de volta à Globo, onde assinou "Renascer" (1993), na sequência, "O Rei do Gado" (1996) e "Terra Nostra" (1999), outros grandes clássicos de sua carreira.

Nos anos 2000, escreveu a novela "Esperança" (2002), a minissérie "Mad Maria" (2005), sobre a construção da ferrovia Madeira-Mamoré, na região amazônica, e assinou os remakes de "Sinhá Moça" (2006) e "Meu Pedacinho de Chão" (2014). Seu último trabalho inédito foi "Velho Chico" (2016).

Fora dos roteiros, o autor teve uma vida pessoal marcada por discrição. Foi casado por 56 anos com a atriz Marilene Barbosa, que morreu em 2014, vítima de um câncer. Juntos, tiveram quatro filhos: Edmara Barbosa, Edilene Barbosa, Ruy Maurício Tranquilli Barbosa e Marcelo Barbosa.

A família seguiu seus passos na televisão: Edmara, a filha mais velha, também foi para o mundo das telenovelas. Trabalhou nas versões dos anos 2000 de "Cabocla" e "Sinhá Moça" e esteve por trás de "Paraíso", de 2009. Além disso, Edmara é mãe de Bruno Luperi, autor que realizou a segunda parte de "Velho Chico" e os remakes de "Pantanal' e "Renascer", baseados no texto original do avô.

Edilene, a filha mais nova, também colaborou com Bruno Luperi em "Renascer" e "Pantanal". Além disso, ela é responsável, junto do pai, por "Meu Pedacinho de Chão", de 2014, que fez sucesso na faixa das 18h da Rede Globo.

Já Marcelo Barbosa, que é músico e produtor, e o irmão Ruy Maurício, possuem uma vida mais reclusa e não são atores.

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