Mostra chega ao fim com debate sobre protagonismo de atores 60+ no cinema
Divulgação/Mostra da Diversidade 60+
São Paulo - Muito antes de a sociedade lançar um olhar mais atencioso para as pessoas mais velhas – e isso refletir em uma maior representatividade, por exemplo, nas artes –, a diretora Tata Amaral já tinha essa preocupação em retratar mulheres em diferentes idades, inclusive na velhice, em sua trilogia cinematográfica formada por “Um Céu de Estrelas” (1996), “Através da Janela” (2000) e “Antônia” (2006).
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Esse protagonismo de personagens maduros no cinema nacional norteou o debate realizado no último domingo, 26, na Mostra da Diversidade 60+, no Cine Satyros Bijou, em São Paulo, com participação de Tata Amaral, Adriana Del Ré, repórter do portal VIVA (que é parceiro de mídia do evento), e do curador da mostra, Amilton Pinheiro.
O bate-papo aconteceu depois da exibição de “Através da Janela”, em cópia restaurada, que tem como personagem central Selma, vivida por Laura Cardoso, com 70 anos na época das filmagens.
Selma é uma enfermeira aposentada, 60+, que mantém vivos seus desejos, mesmo que sufocados, e uma relação sensual com o próprio corpo. Ela mora em um bairro de classe média de São Paulo, com o filho, um rapaz desempregado com quem tem uma relação que beira à tragédia grega.
Hoje, essa é uma discussão que se coloca, porque a população do mundo está envelhecendo, e a gente não morreu. Portanto, temos história para contar”, diz Tata, de 65 anos, ao VIVA.
A diretora observa que, até pouco tempo, nossa sociedade inviabilizava a velhice. "Ela, de alguma forma, condena as pessoas mais velhas a serem avós ou avôs, como se não tivessem um projeto de vida, como se tivessem que desistir de seus sonhos."
Repercussão internacional
Essa discussão no último dia da mostra – que também homenageou Lima Duarte, protagonista de “Depois Daquele Baile” – veio ao encontro de um artigo do Le Monde, publicado em abril deste ano, sob o título de “O cinema brasileiro celebra personagens com 75 anos ou mais, bem diferentes dos clichês de Hollywood”.
O texto descreve Tânia Maria, de 79 anos, que despontou após participar do premiado “O Agente Secreto”, como a nova estrela do Brasil. Além disso, o artigo cita a importância de outras produções nacionais recentes nesse cenário, como "Velhos Bandidos", de Cláudio Torres, com Fernanda Montenegro, e "O Último Azul", de Gabriel Mascaro, com Denise Weinberg.
Tata Amaral planeja relançar “Através da Janela” em 2027.
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