Por que não há missa na Sexta-feira Santa? Entenda o motivo

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A Sexta-feira Santa é uma das datas mais importantes e solenes do calendário cristão. - Foto: Envato Elements/YuriArcursPeopleimages
A Sexta-feira Santa é uma das datas mais importantes e solenes do calendário cristão.

Por Beatriz Duranzi

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Publicado em 18/04/2025, às 09h40

A Sexta-feira Santa é uma das datas mais importantes e solenes do calendário cristão. É o dia em que os fieis recordam a Paixão e Morte de Jesus Cristo na cruz. Diferente de outras celebrações importantes, porém, a Igreja Católica não celebra a Eucaristia nesta data. Mas por quê?

O centro da fé cristã: a morte de Jesus

A Sexta-feira Santa faz parte do chamado Tríduo Pascal, que começa na Quinta-feira Santa (com a Missa da Ceia do Senhor) e vai até o Domingo de Páscoa (a ressurreição). Esse período é o coração do calendário litúrgico católico, pois celebra o mistério da paixão, morte e ressurreição de Cristo.

Na Sexta-feira Santa, a Igreja entra num profundo estado de luto e contemplação. É o único dia do ano litúrgico em que não se celebra a Santa Missa, justamente porque se vive o luto da morte de Jesus. A Missa é, por essência, o memorial da ressurreição de Cristo —e este é o único dia em que a Igreja se abstém dessa celebração, porque "o Esposo foi tirado" (cf. Mateus 9,15).

Não há missa, mas há celebração

Embora não haja Missa, a Igreja propõe uma Liturgia da Paixão do Senhor, geralmente celebrada por volta das 15h, a hora em que, segundo a tradição, Jesus morreu na cruz. Essa celebração é composta por três momentos:

  • Liturgia da Palavra: com a leitura da Paixão segundo São João.
  • Adoração da Cruz: um rito solene em que os fieis veneram a cruz de Cristo.
  • Rito da Comunhão: distribui-se a Eucaristia consagrada na Quinta-feira Santa, mas não há consagração neste dia.

Ou seja, mesmo sem a celebração eucarística completa, os fieis ainda participam de um momento profundo de oração, meditação e comunhão.

Um silêncio que fala muito

Outro símbolo marcante da Sexta-feira Santa é o silêncio litúrgico: os altares permanecem sem ornamentos, o sacrário está vazio, e as igrejas mantêm uma atmosfera sóbria, sem música nem cantos festivos. É um dia de jejum e abstinência, como sinal de penitência e solidariedade com o sofrimento de Cristo.

Esse silêncio não é vazio. Ele comunica dor, luto e, ao mesmo tempo, esperança. É o silêncio da espera. A Igreja silencia diante do mistério da morte, preparando o coração para a alegria da ressurreição.

Uma pausa para viver o mistério

Portanto, a ausência da Missa na Sexta-feira Santa não é um descuido, mas um gesto carregado de significado. É uma pausa sagrada, uma suspensão da festa para que possamos viver, com todo o peso e profundidade, o mistério da Cruz.

É uma forma da Igreja dizer: “Hoje, Cristo morreu. Silenciemos com Ele.” E é nesse silêncio que a esperança da Páscoa começa a brotar.

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