Sabedoria que Cura: Mulheres Apurinã lançam cartilha de medicina ancestral
Divulgação/Foto: Daniel Lima \ Cimi Regional Norte 1 – Equipe Lábrea
São Paulo - Na cultura indigena a casca de cajuí (fruta pequena de coloração avermelhada, semelhante ao cajú) é utilizada para estancar sangramentos e tratar de inflamações. Já o mel de abelha combinado com banha de cobra e cascas das árvores de copaíba e jatobá é uma tradição no combate a febres e tosses severas.
Estes e outros segredos dos povos originários constam na "Cartilha Sytuwakuru: Mulheres que Curam". O trabalho é uma iniciativa das mulheres indígenas Apurinã do polo-base Tumiã, em Lábrea, no Amazonas e conta com a participação de anciãs e jovens de diversas Terras Indígenas, como Acimã e Tumiã.
O nome do coletivo, que em língua indígena significa "mulheres fortes", reflete uma trajetória iniciada em 2016, quando mais de 100 lideranças femininas decidiram se organizar para proteger seus saberes e fortalecer sua autonomia.
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Na ocasião do lançamento, ocorrido em março, na aldeia Morada Nova, localizada na Terra Indígena Acimã (AM), Dauzira Cabral Apurinã, da aldeia Patoá (Apukathy) que é uma das idealizadoras do projeto, destacou a importância da obra como instrumento de continuidade dos saberes:
Estou muito feliz com essa cartilha de remédios tradicionais. Minha mãe, dona Alaíde Apurinã, me passou esse conhecimento e o trabalho de preparar as medicinas do mato. Agora, com esse livro, nós, mulheres mais velhas, podemos repassar todo esse saber às mais jovens e também às futuras gerações”.
Desafios da elaboração do guia
A trajetória da cartilha foi marcada por desafios, tais como as distâncias entre as aldeias, dificuldades logísticas e o tempo necessário para reunir, sistematizar e registrar os conhecimentos.
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Foram as próprias mulheres que em seus encontros decidiram dar forma a esse trabalho e solicitaram apoio do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) Regional Norte 1, que contribuiu na organização do material.
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A consulta à cartilha "Sytuwakuru: Mulheres que Curam" possui algumas particularidades importantes devido à natureza do projeto. Diferente de livros publicados por grandes editoras, não tem caráter comercial.
A obra foi produzida para ser utilizada prioritariamente pelas comunidades do polo-base Tumiã, em Lábrea (AM), servindo como material didático para as novas gerações e como registro de proteção intelectual dos saberes das mulheres Sytuwakuru.
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