Sem patrocínio, o filme 'Véia Nada' quer mostrar que a idade não é um limitador
Divulgação / Pollen Studios
São Paulo, 21/02/2026 - Em vez de reunir familiares e amigos em uma festa de aniversário para comemorar seus 70 anos, a atleta master Fabienne Guttin, decidiu nadar 70 quilômetros em mar aberto, por sete dias, dez quilômetros por dia. O desafio teve como objetivo combater o etarismo, desafiando o tempo, o corpo e os estereótipos ao nadar, para provar que envelhecer não é sinônimo de parar e, sim, de reinvenção. E, com isso, também mostrar como seu corpo reagia a todo processo, que incluiu 14 meses de treinos puxados de musculação e natação.
A atleta máster - desportistas, amadores ou ex-profissionais, que continuam a competir intensamente em suas modalidades após atingirem uma determinada idade -, afirma que a sensação de invisibilidade após os 50 anos, principalmente, para as mulheres, a fez pensar sobre como mudar esse modo de enxergar a vida.
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A ideia atraiu o publicitário e diretor do filme, Lucas Pupo, que conheceu Fabienne durante a gravação de um comercial, onde ela contou sobre seu projeto para comemorar seus 70 anos. A partir daí, nasceu uma parceria para conseguirem realizar a proposta e ainda transformar a história no filme: Véia Nada, que estreia hoje (21/02) na TV Unesp, no Youtube.
Ela ressalta que o tempo futuro para as pessoas mais velhas é diferente do tempo para os mais jovens e que, neste sentido, pessoas e empresas ainda não entenderam esta realidade. Ela cita a sua experiência como exemplo. Ao pleitear patrocínio para o seu projeto, ela conta que ouviu por várias vezes: para este ano não será possível; a proposta será avaliada daqui a seis ou oito meses.
Essa diferença na noção de tempo, segundo a atleta, leva a uma disparidade na comunicação, pois para uma pessoa de 70 anos, uma projeção de seis meses corresponde a uma porcentagem muito maior de seus anos de vida saudável do que projetada para um jovem de 35 ou 40 anos.
Quando uma empresa sugere um prazo de oito meses ou mais, sua ansiedade e angústia aumentam, porque eles não entendem que um ano representa 10% dos 10 anos de vida em boas condições que ela projeta."
Pupo ressalta que eles não conseguiram patrocínio, mas que o filme foi feito com recursos próprio dele e da atleta, e com muita ajuda de amigos e conhecidos.
A equipe enfrentou muitas negativas técnicas e falta de interesse ao tentar obter verbas de patrocínio ou leis de incentivo, tanto esportivas quanto audiovisuais”, diz ele.
Para Pupo, essa dificuldade se dá em razão da falta de uma cultura de valorização de nichos e do interesse imediatista e mercantilista das empresas, que preferem gastar grandes somas em campanhas publicitárias curtas, a financiar um documentário longo sobre assuntos profundos.
A atleta, recordista e defensora da vida ativa, sabe que o desafio vai muito além da resistência física. Foi sobre enfrentar o tempo, o olhar social sobre a velhice e a invisibilização do corpo feminino maduro.
O documentário acompanha não apenas os dias do desafio, mas todo o processo de preparação física, mental e emocional que antecede a travessia. Treinos, avaliações médicas, dores, pausas, incertezas e escolhas conscientes revelam um corpo que não nega seus limites, mas também não se submete a eles.
Entre ciência, esporte, natureza e comunidade, Véia Nada constrói um retrato sensível sobre longevidade, saúde mental, pertencimento e dignidade. Um filme sobre envelhecer em movimento, e sobre recusar o lugar de silêncio reservado aos mais velhos.
Ficha técnica:
Pollen Studios apresenta "Véia Nada", um filme de Rodrigo Rebouças e Lucas Pupo
Roteiro e direção: Rodrigo Rebouças
Mixagem de áudio: Bernardo Goes
Montagem: Sergio Diniz
Produzido por: José Augusto Martins, Rodrigo Rebouças e Lucas Pupo
Direção de fotografia: Lucas Pupo
Produtor executivo: Eduardo Kussuhara e Fabio Delai
Produtora executiva: Juliana Borges
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