CONFIRA

Tony Ramos fala sobre os 62 anos de carreira, ditadura e eleições no Roda Viva

O Roda Viva celebra 40 anos de exibição, relembrando a trajetória do ator Tony Ramos

Manoella Mello/Globo

Tony Ramos foi o convidado da edição especial do Roda Viva que celebra os 40 anos do programa - Manoella Mello/Globo
Tony Ramos foi o convidado da edição especial do Roda Viva que celebra os 40 anos do programa
Ouvir texto 2:27 1x

Tony Ramos será o convidado da edição especial do Roda Viva, que comemora 40 anos do programa, com transmissão ao vivo pela TV Cultura e YouTube nesta segunda-feira, 28, às 22h.

Durante a entrevista, o ator relembrará sua trajetória de mais de seis décadas, abordando personagens marcantes e momentos importantes de sua carreira na televisão, teatro e cinema.

A edição contará com a presença do primeiro apresentador do programa, Rodolpho Gamberini, e terá desenhos em tempo real do cartunista Eduardo Baptistão, mantendo a tradição de entrevistas aprofundadas com diversas personalidades.

Resumo gerado por IA

São Paulo - O ator Tony Ramos, de 78 anos, foi o convidado da edição especial do Roda Viva que celebra os 40 anos do programa nesta segunda-feira, 28. Durante a entrevista, ele comentou sobre as mais de seis décadas de carreira no teatro, no cinema e na televisão.

Atualmente no ar como Otoniel, na novela Quem Ama Cuida, da Globo, o ator foi perguntado pelo público sobre qual personagem mais o marcou como pessoa, não somente como profissional. Tony não conseguiu dar uma única resposta e citou três personagens que considerou difíceis:

Publicidade
  • Riobaldo, da aclamada minissérie Grande Sertão: Veredas, exibida pela TV Globo em 1985 e baseada no clássico romance de Guimarães Rosa;
  • Márcio Hayala, da versão original da novela O Astro, exibida em 1977;
  • Nikos Petrakis, um personagem grego da novela Belíssima, exibida em 2005.

Tony destacou que Riobaldo foi uma personagem difícil por conta da responsabilidade com a obra original. Também falou sobre as cenas de nudez em "O Astro", que foram difíceis para ele, além do personagem em "Belíssima", que exigiu dele estudar e falar grego com os atores da Grécia.

Há três meses completei 62 anos de carreira, então eu tenho que é quase difícil demais para mim escolher um que tenha exigido mais ou menos de mim.
Tony Ramos sobre suas personagens

Ator nos tempos da ditadura

Tony Ramos também comentou sobre ter vivido a ditadura militar no Brasil enquanto artista: "[a ditadura] não impregnou no meu trabalho porque nunca permitiria isso comigo mesmo, mas ela influenciou, sim, meu comportamento frente ao trabalho".

Ele relata que durante peças de teatro, por exemplo, fazia as sessões frente a dois censores na plateia, que conferiam se os atores estavam dizendo o texto conforme previsto. "A gente estava ali, sendo julgados por duas pessoas para ver se podia ou não ser montada a peça", relembra.

Publicidade
Você não queira saber as dores internas que isso provocava, os temores, as inseguranças".
Tony Ramos sobre censura dos artistas na ditadura

Voto aos 78 anos

O ator, aos 78 anos, já é isento da obrigação de votar, mas disse que faz questão de ir às urnas. "Meu critério é pela educação, saúde e cultura", disse.

Sobre não declarar publicamente seu voto nas eleições, o ator disse que ser artista é político, mas que defende a democracia ao reservar a cada pessoa o direito de escolher em quem votar, sem sua influência. "Eu nunca concordei em induzir ninguém a voto", disse.

Ressaltou que conhece o que é viver em uma ditadura, portante defende a democracia e a liberdade de pensamento. "O artista paga imposto, eu tenho o direito de falar com quem eu quiser sobre política, eu sou um ser político", declarou

Publicidade
Eu não faço campanha, não declaro voto. Seria hipocrisia negar, mas eu sou uma pessoa, desculpe falar dessa maneira, muito conhecida.
Tony Ramos

Edição especial do Roda Viva

A entrevista foi conduzida pelo jornalista Ernesto Paglia. A bancada teve Adriana Couto, apresentadora do Metrópolis, Flavia Guerra, crítica de cinema e colunista do UOL, Gabriel de Oliveira, publisher do TV Pop, José Armando Vannucci, jornalista, crítico de televisão e colunista do VIVA, e Ubiratan Brasil, jornalista cultural.

A edição também contou com Rodolpho Gamberini, primeiro apresentador do Roda Viva. Ele comandou a estreia do programa, em 29 de setembro de 1986. O programa chega aos 40 anos com mais de 2 mil personalidades entrevistadas, recebendo nomes de diferentes áreas e acompanhando acontecimentos importantes da história do Brasil.

A atração mantém como característica as entrevistas aprofundadas e o debate de ideias com personalidades da política, cultura, economia, ciência, entretenimento e outras áreas.

Publicidade

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.