Banco Master: entenda a fraude que levou à prisão de Daniel Vorcaro
Divulgação/Arquivo/INSS | Divulgação/Banco Master
São Paulo, 04/03/2026 ‒ A terceira etapa da Operação Compliance Zero levou à prisão, novamente, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, nesta quarta-feira. Desta vez, a Polícia Federal (PF) apura os crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais.
A instituição é investigada por uma grande fraude financeira que resultou no desvio de mais de R$ 50 bilhões e levou à sua liquidação extrajudicial pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025, assim como dos braços Will Bank, em janeiro, e Banco Pleno, em fevereiro de 2026.
Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o caso Master já desponta como “a maior fraude bancária da história do Brasil”.
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A crise se estendeu rapidamente para o cenário político e judiciário, resultando na pressão por oitivas do empresário Daniel Vorcaro, mudança de alvo da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ‒ que deixa um pouco de lado os descontos associativos não autorizados para focar em operações irregulares de empréstimo consignado ‒, envolvimento com estatais, como o Banco de Brasília (BRB), e a troca do ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), pelo ministro André Mendonça. Entenda agora as principais ramificações dessa crise.
Qual a fraude que envolve o Master?
A linha inicial das investigações aponta que o Master vendia títulos e, após fiscalização do BC, substituía-os por outros ativos sem avaliação técnica adequada. De acordo com a PF e o BC, o banco operava sob risco elevado de insolvência, quando as dívidas se igualam ou superam o patrimônio da empresa, além de conceder linhas de crédito arriscadas, com juros elevados.
Essas irregularidades foram expostas em novembro, quando foi deflagrada a primeira etapa da Operação. Na ocasião, a PF prendeu o dono do Master, Daniel Vorcaro, no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), enquanto ele tentava deixar o País ‒ solto pouco tempo depois. As investigações começaram após um pedido encaminhado pelo Ministério Público Federal.
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Na época, o empresário estava à frente das negociações de venda do Master à Fictor Holding Financeira, que demonstrou interesse na compra no dia anterior à operação. Antes, em setembro, outra tratativa de venda foi realizada, dessa vez com o BRB, que iria adquirir parte expressiva da instituição financeira, mas teve a transação impedida pelo BC.
A segunda etapa da Operação Compliance Zero voltou a mirar o empresário em janeiro deste ano, alvo de um mandado de busca e apreensão. O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, foi preso temporariamente na ocasião, quando tentava embarcar em um jatinho para os Emirados Árabes Unidos. Hoje, Zettel recebeu outro mandado de prisão e se entregou à PF.
Outros desdobramentos
Em fevereiro, o ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do caso de liquidação do Master no Supremo e, em seu lugar, foi indicado o ministro André Mendonça. Antes de deixar o posto, a PF pediu a suspeição de Toffoli, após encontrar menções ao magistrado em um celular de Vorcaro.
Também há indícios de relação de parentes do ministro com empresas que mantêm fundos ligados ao empresário. O gabinete de Toffoli divulgou nota negando ter recebido qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel e acrescentou que a lei não proíbe magistrados de serem sócios nem de receberem dividendos de pessoas físicas.
INSS
O presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, afirmou, em entrevista à Folha de S.Paulo, que o cartão de benefício consignado operado pelo Banco Master, o Credcesta, é irregular e que os contratos serão cancelados.
Desde setembro, a autarquia reteve todos os valores que seriam repassados ao Master referentes a 254 mil contratos de crédito consignado — cerca de R$ 2 bilhões.
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Em outra frente, o ministro André Mendonça autorizou que dados do banqueiro Daniel Vorcaro obtidos por meio de quebras de sigilo sejam devolvidos à CPMI do INSS e compartilhados com a PF. Além disso, tornou facultativa a presença do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro; o depoimento estava marcado para 23 de fevereiro.
O presidente da CPMI, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que recorrerá da decisão. A CPMI investiga fraudes no INSS. Neste ano, os parlamentares devem se concentrar em operações irregulares de empréstimo consignado que, segundo o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), podem ter causado um rombo superior a R$ 7 bilhões.
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