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CPMI do INSS vai recorrer de decisão que liberou Vorcaro de depoimento

Carlos Moura/Agência Senado

Depoimento de Daniel Vorcaro estava marcado para segunda-feira, 23, às 16h - Carlos Moura/Agência Senado
Depoimento de Daniel Vorcaro estava marcado para segunda-feira, 23, às 16h
Por Paula Bulka Durães

24/02/2026 | 11h38

São Paulo, 24/02/2026 – O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que recorrerá da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que tornou facultativa a presença do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, no Congresso Nacional.

O depoimento do empresário estava marcado para segunda-feira, 23, às 16h. Contudo, devido à dispensa de comparecimento determinada pelo ministro do STF André Mendonça, o depoente informou que não compareceria à sessão.

Viana afirmou que pode exigir a presença do banqueiro. "A decisão do STF interfere, prejudica e atrasa as nossas investigações. Se conseguirmos reverter a decisão do STF, ele será obrigado a comparecer e, se não o fizer, eu determinarei a condução coercitiva", afirmou.

Como alternativa, a defesa do empresário sugeriu uma reunião reservada em São Paulo com alguns parlamentares da comissão. Viana afirmou não considerar a proposta.

Aqui na comissão, ele não terá nenhum privilégio. Eu vou lutar para que ele venha presencialmente e dê as respostas que o Brasil precisa.”

Na sexta-feira, 20, o ministro André Mendonça ordenou a devolução à Polícia Federal (PF) – e, posteriormente, à CPMI – das informações obtidas nas quebras de sigilos bancário, fiscal e telefônico de Daniel Vorcaro. Os documentos estavam sob posse da Presidência do Congresso Nacional.

Leia também: STF manda Alcolumbre entregar dados de Vorcaro à CPMI do INSS

Medidas cautelares

Vorcaro foi preso preventivamente no início das operações da PF, em 17 de novembro de 2025, e hoje cumpre medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.

A CPMI investiga fraudes no INSS. Neste ano, os parlamentares devem se concentrar em operações irregulares de empréstimo consignado que, segundo o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), podem ter causado um rombo superior a R$ 7 bilhões.

Desde setembro, o INSS reteve todos os valores que seriam repassados ao Banco Master referentes a 254 mil contratos de crédito consignado — cerca de R$ 2 bilhões.

Empresária ligada à Conafer é alvo da CPMI

A empresária Ingrid Pikinskeni Morais Santos foi convocada a prestar depoimento no lugar de Vorcaro. Na oitiva, Santos foi apontada por Alfredo Gaspar como destinatária de mais de R$ 156 milhões desviados de aposentados e pensionistas pela Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (Conafer).

Segundo o relator, empresas de Santos receberam o montante milionário. A empresária é esposa e sócia de Cícero Marcelino de Souza Santos, preso e apontado como “braço financeiro” do presidente da entidade, Carlos Roberto Ferreira Lopes, que está foragido.

Leia também: Fraude no INSS vai completar 9 meses; veja o que se sabe até agora

A empresária manteve-se em silêncio durante quase todo o depoimento, beneficiada por um habeas corpus concedido pelo ministro do STF Cristiano Zanin. No entanto, admitiu a direção das empresas, embora alegue não ter conhecimento das fraudes e dos desvios.

Em relação às empresas e transferências, eu não vou conseguir responder nada a vocês porque quem geria tudo isso era o meu esposo, que inclusive traiu a minha confiança.”

Próximos passos

A próxima reunião da CPMI, agendada para sexta-feira, 26, destina-se à votação de quebras de sigilo e convocações, confirmou Viana. Ele voltou a defender a prorrogação dos trabalhos da comissão por mais 60 dias. A princípio, o prazo encerra-se em 28 de março, em pouco mais de um mês.

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