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Sobre a coluna

De “filha da Lixeira” a referência em educação financeira. É economista, LinkedIn Top Voice e palestrante. Ajuda pessoas a reescreverem sua história com o dinheiro.


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Como usar a inteligência artificial a favor da sua vida financeira

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IA pode ajudar no planejamento financeiro, saiba como - Envato
IA pode ajudar no planejamento financeiro, saiba como

São Paulo - A Inteligência Artificial deixou de ser um assunto distante, restrito a filmes, empresas de tecnologia ou laboratórios de inovação. Ela já está presente na forma como consumimos, trabalhamos, investimos, organizamos nosso dinheiro e tomamos decisões financeiras. Mesmo as pessoas que afirmam não a utilizar, são impactados mesmo que ainda não percebam.

Os algoritmos analisam nosso comportamento, sugerem compras, definem anúncios, influenciam escolhas e até determinam quais conteúdos aparecem em nossas telas.

A grande questão que trago, é no sentido de tomar consciência do quanto a inteligência artificial afeta nossa vida financeira.

O futuro não será definido apenas por quem tem acesso à inteligência artificial, mas principalmente por quem souber utilizá-la com consciência, estratégia e responsabilidade financeira.

A inteligência artificial já influencia sua vida financeira

Ratifico que mesmo quem diga que não utiliza IA, já sofre os impactos dela diariamente.

A inteligência artificial está presente nos aplicativos bancários, nas análises de crédito, nas recomendações de consumo, nos investimentos automatizados, nos marketplaces, nas redes sociais, nas plataformas de streaming, nos anúncios personalizados e no seu celular. Ou seja, já faz parte do dia a dia.

O fato é que a inteligência artificial aprende padrões de comportamento. E, assim atende e aprende sobre você.

Logo, você pode afirmar não a usar, mas ela pode estar usando você!

Ela sabe seus gostos, o que prende a sua atenção e o que desperta seu desejo, e tudo isso influencia diretamente a sua relação com o dinheiro e consumo. Não é à toa que nos últimos anos, o endividamento das famílias atinge recordes sucessivos. Nunca foi tão fácil consumir.

A importância de desenvolver consciência financeira


Estamos na era em que aplicativos organizam gastos, plataformas sugerem investimentos e influenciadores prometem enriquecimento rápido em poucos segundos de vídeo. E, assim muitas pessoas confundem acesso à tecnologia com educação financeira. 

Assim como o dinheiro, tecnologia é meio e não fim. E, assim como economia não é apenas gráficos, dinheiro não é apenas números. 

Dinheiro envolve emoções, comportamento, ansiedade, impulsividade, autoestima, comparação social e sensação de pertencimento.

Usar aplicativos não significa compreender o dinheiro. Não entender a diferença entre uma coisa e outra é um grande risco, pois nenhuma tecnologia substitui a consciência. Aliás, eu acredito que na era da inteligência artificial, ser humano é o grande diferencial. 

A mesma tecnologia que inclui, também explora vulnerabilidades

Neste último mês tenho sido bastante demandada para falar sobre endividamento e incluo em minhas falas a inteligência artificial, pois é um fator que ainda é pouquíssimo discutido nesta esfera. 

Se os algoritmos são projetados para maximizar atenção, engajamento e permanência nas plataformas, existe um impacto invisível da inteligência artificial sobre comportamentos compulsivos de consumo e no consequente endividamento crescente dos brasileiros. 

Um dos exemplos mais evidentes é o crescimento exponencial das apostas online, as “Bets”. Essas plataformas utilizam sistemas sofisticados potencializado por dados, inteligência artificial e estímulos comportamentais como recompensas imediatas, notificações constantes, sensação de urgência, estímulos visuais, reforço emocional e personalização de experiência.

Este é apenas um exemplo.

Contudo, acredito que o grande problema é a falta de percepção por parte das pessoas de que elas estão sendo influenciadas por mecanismos criados justamente para estimular repetição de comportamento e permanência."

O resultado aparece no aumento do endividamento, da ansiedade financeira, do consumo impulsivo, na busca por dinheiro rápido e na ilusão de ganho fácil. 

Por isso, enfatizo: educação financeira na era da inteligência artificial significa, sobretudo, desenvolver consciência emocional e digital.

Toda grande transformação tecnológica muda a economia. Foi assim com a Revolução Industrial, com a internet e agora com a inteligência artificial. O risco talvez não seja a tecnologia em si, mas com certeza, a falta de preparo humano para lidar com ela.

Dicas práticas de controle financeiro na era digital 

A tecnologia não precisa ser inimiga. Ela pode ser aliada, se usada com
Consciência. Pessoas conscientes usam tecnologia como ferramenta. Já as pessoas
desatentas acabam sendo usadas pelos algoritmos. 


1. Não terceirize suas decisões financeiras

Use ferramentas para organizar gastos, acompanhar orçamento, criar metas financeiras, aprender sobre investimentos, aumentar produtividade profissional, gerar novas fontes de renda, otimizar tempo, melhorar planejamento financeiro etc. Mas, contudo, se aproprie da compreensão dos conceitos e entenda que a decisão, assim como as consequências são suas.

2. Questione promessas fáceis

Ganhos rápidos e dinheiro fácil continuam sendo armadilhas, mesmo quando embalados por tecnologia. 

3. Controle o consumo impulsivo

Nem todo desejo precisa virar compra, assim como nem toda oportunidade precisa ser aproveitada imediatamente.

4. Desenvolva consciência digital

Melhor do que ter todas as respostas é saber fazer as melhores perguntas. Então, pergunte-se:

  • Por que esse conteúdo apareceu para mim?
  • O que essa plataforma quer que eu faça isso?
  • Estou decidindo conscientemente ou reagindo emocionalmente?

5. Invista em soft skills

A tecnologia muda rápido, mas pensamento crítico, criatividade, inteligência emocional e consciência, as chamadas soft skills, continuam sendo ativos duradouros.

O futuro será tecnológico, mas também profundamente humano 


Existe uma ilusão perigosa de que a inteligência artificial substituirá completamente as pessoas. No entanto, eu acredito que as habilidades mais valiosas do futuro tendem a ser justamente as mais humanas. O certo é que a tecnologia continuará evoluindo e nós precisamos evoluir também. Conhecimento é uma fonte inesgotável!

É importante refletir que a inteligência artificial pode acelerar processos, mas ela pode não substituir a consciência. Ela pode organizar números, mas não substitui maturidade financeira. Ela facilita escolhas, mas não substitui a responsabilidade.

Usar ou não inteligência artificial não é uma escolha, pois mesmo sem perceber ela está inserida em nosso dia a dia. Logo, o diferencial do futuro está em algo que nenhuma máquina pode fazer por nós: a capacidade humana de decidir com consciência."

Até a próxima coluna!

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