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Consumidor consciente sabe como driblar as compras por impulso; entenda

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Ter claro a sua margem disponível para consumo é fundamental para não cair no endividamento desnecessário - Envato
Ter claro a sua margem disponível para consumo é fundamental para não cair no endividamento desnecessário
Por Fabiana Holtz

15/03/2026 | 17h00 ● Atualizado | 17h01

São Paulo - Em um mês marcado por ações promocionais do varejo pelo Dia do Consumidor, que acontece neste domingo, a data dá sinais de que está começando a se consolidar no País.

Com a intenção de se estabelecer como a 'Black Friday" do primeiro semestre para o comércio brasileiro, a temporada de grandes descontos, cupons especiais e condições exclusivas se espalha por todo o mês de março. Tal estratégia, de fato, resultou em uma queda de faturamento no Dia do Consumidor em 2025, segundo dados do mercado. A resposta, entretanto, pode estar na postura do consumidor, que tem se revelado mais cauteloso.

Patrícia Andrade mulher, branca de cabelos longos e escuros
Consumidor está mais cauteloso, mas ainda falta acesso a educação financeira, diz  Patrícia Andrade - Divulgação

Vamos aos fatos. De acordo com Patrícia Andrade, professora de Economia da ESPM, estudos recentes indicam que 70% do público dá uma espiada nas avaliações de outros consumidores sobre o produto antes de fechar a compra e 65% buscam informações claras sobre descontos. "Isso mostra um consumidor menos impulsivo e mais estratégico”, acrescenta.

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Essa data simbólica relacionada ao consumo remonta de 1983, quando foi instituída pela Consumers International para estimular a conscientização da população sobre os direitos do consumidor, a origem dessa celebração vem de um discurso do então presidente norte-americano, John Kennedy sobre a importância do tema, realizado em 15 de março de 1962 no Congresso.

O evento ganhou ainda mais relevância em 1985, com a aprovação das diretrizes para a proteção do consumidor na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Planejamento e paciência

A primeira recomendação para atravessar esse mês de março com as finanças no azul, segundo a economista Patrícia Andrade, é organização. "Tenha uma planilha de gastos atualizada, pode ser via aplicativo ou naquele famoso caderninho mesmo. Hoje temos muitas facilidades tecnológicas que ajudam muito nessa parte, porém nem todo mundo tem acesso a elas", pondera. Com esse mapa financeiro em mãos fica muito mais fácil estabelecer um teto de gastos para aproveitar as promoções.

Segundo passo, ao escolher um produto dê prioridade aos de melhor qualidade e durabilidade. A escolha se mostra responsável, inclusive, em termos de sustentabilidade, ressaltam os especialistas em finanças pessoais. Essa decisão pode implicar em uma economia futura, ao evitar que você precise substituir o produto diversas vezes ao longo do tempo. "Mesmo com preço maior, a durabilidade dele vai compensar, acredite", ensina Andrade.

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Segurar aquela busca pelo prazer imediato é o verdadeiro pulo do gato e pode representar uma economia relevante, principalmente quando não estamos tratando de itens essenciais, como o aluguel ou uma conta de energia.

Com planejamento e paciência é possível esperar pelo momento certo para aquisição daquele produto tão desejado, sem se endividar. Para completar o básico aqui inclua nessa fórmula o hábito de pesquisar preços, conclui a professora.

Outra recomendação preciosa é ficar atenta aos juros, principalmente se você tem o hábito de parcelar suas compras no cartão de crédito como se não houvesse amanhã. Em um País em que os juros cobrados no cartão de crédito superam os 400% ao ano, entender a dimensão dessa conta e como isso impacta a sua dívida é muito importante. "Essa antecipação de crédito é bastante perigosa, porque seu acesso é fácil e não exige nenhum conhecimento de educação financeira. Pode se tornar uma armadilha", alerta a educadora financeira.

"Grande parte da população não consegue entender que aquele limite no cartão não é um dinheiro 'dado', mas sim emprestado, e envolve a cobrança de juros muito altos".

Consumo inteligente

Temos definidas aqui as regras básicas para um consumo inteligente. Saber utilizar as ferramentas que estão disponíveis a nosso favor para fazer muita pesquisa de mercado, evitar dívidas parceladas que não cabem no bolso e aguardar pelo momento certo é a principal arma do consumidor contra o superendividamento. Isso demanda tempo, mas o resultado desse comportamento mais paciente pode te surpreender. 

Andrade reconhece que no Brasil vivemos um problema crônico de ausência de educação financeira. "Temos de partir do pressuposto que a verdadeira educação financeira não é o simples acesso a informação. Ela está diretamente relacionada ao nível de renda da população. O salário médio para uma vida minimamente digna deveria ser R$ 4,5 mil", afirma.

montagem mostra carrinho de compra, tablet e uma miniatura de homem

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Um otimista cauteloso

De acordo com o relatório E-commerce Trends 2026, produzido no final do ano passado pela Octadesk em parceria com a Opinion Box, mais da metade do consumidores online (59%) afirmam ter planos de realizar ainda mais compras ao longo de 2026. Outro ponto interessante do estudo revela que embora o preço siga como ponto central na decisão do consumidor, a jornada de compra ganhou novas prioridades. Ao traçar um perfil do consumidor, o levantamento aponta para uma maior maturidade digital.

Ao mesmo tempo, os brasileiros enfrentam uma cruel realidade: o envididamento. Em 2025, o comprometimento médio da renda do brasileiro atingiu 83,7%, no que se trata dos valores destinados a pagamento de dívidas (como faturas de cartão de crédito, crédito pessoal e financiamentos) em relação à renda mensal familiar. Os dados são da Equifax BoaVista, empresa global de dados, análises e tecnologia.

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Entre os principais pontos detectados pela pesquisa, o perfil indica que os consumidores desejam personalização sem invasão; querem agilidade, mas não abrem mão da confiança. O consumidor de hoje também exige liberdade, mas valoriza a segurança.

Porém, mesmo diante do alto índice de inadimplência, a data deve movimentar até R$ 8,6 bilhões em todo o Brasil, de acordo com estimativas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). No ano passado, o e-commerce faturou R$ 8,3 bilhões na Semana do Consumidor, de acordo com dados da Neotrust.

homem segura celular com imagem de uma loja virtual no centro da tela

Aldo Nuñez Macri, presidente do Sindilojas-SP, considera que o cenário está semelhante ao ano passado e também vê um perfil de consumidor mais cauteloso, exigente e consciente. "Creio que isso se explica até por conta das despesas típicas de início de ano (IPTU, IPVA, material escolar), as famílias estão mais endividadas, pesquisam mais", afirma.

Segundo ele, essa é uma dinâmica que vem se consolidando principalmente depois da pandemia, com a evolução do e-commerce.

As compras online estimularam o consumidor a fazer mais pesquisa de preços. Hoje eles refletem muito mais antes de uma compra. 
Para o mês de março, o Sindilojas-SP prevê crescimento de 1,8% nas vendas do comércio paulista em relação a fevereiro, considerando ajuste sazonal. O resultado é semelhante ao reportado no ano passado.

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