CONFIRA

De galinhas coloridas a gatos felpudos: aposentadas empreendem e geram renda

Mulheres 60+ vendem artesanato e outros produtos no Fórum Longevidade, inspirando quem busca dinheiro extra e vida ativa após a aposentadoria

Alexandre Barreto

Por Alexandre Barreto

25/09/2026 | 12h57 ● Atualizado | 12h58

Alexandre Barreto/VIVA

Ana Maria Isabela, Neide Inês, Marly Boghossian, Teresa Cristina dos Santos e Elisabeth Abrão exibem artesanato no Fórum Longevidade - Alexandre Barreto/VIVA
Ana Maria Isabela, Neide Inês, Marly Boghossian, Teresa Cristina dos Santos e Elisabeth Abrão exibem artesanato no Fórum Longevidade
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No 8º Fórum & Festival Longevidade em São Paulo, chama a atenção a atuação de empreendedores com mais de 60 anos, que utilizam o artesanato como forma de complementar a renda e manter a socialização após a aposentadoria.

Iniciativas como Mãos e Mentes Paulistanas apoiam artesãs, que produzem uma variedade de itens, desde bijuterias até cosméticos, e encontram no trabalho uma maneira de evitar o isolamento social.

As expositoras/vendedoras relatam que a continuidade no trabalho não só proporciona uma fonte de renda, mas também uma rotina ativa e oportunidades de interação, com feiras e eventos facilitando o contato com consumidores e outros empreendedores.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Quem chega ao 8º Fórum & Festival Longevidade, em São Paulo, pode se surpreender com a presença de empreendedores 60+ em plena atividade. Nos estandes, há de tudo: galinhas coloridas, gatinhos felpudos, joias, cosméticos e outras criações feitas à mão.

As artesãs fazem parte do Mãos e Mentes Paulistanas, iniciativa gratuita do poder público voltada ao desenvolvimento e à valorização do artesanato e de trabalhos feitos à mão na cidade.

Em sua maioria aposentadas, elas encontraram nesse trabalho uma maneira de continuar produzindo, complementar a renda e manter o contato com outras pessoas.

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Confira, a seguir, algumas histórias de empreendedoras e artesãs:

Cabaças viraram galinhas coloridas

Aos 73 anos, a artista aposentada Marly Boghossian, do Galinheiro Arte, trabalha há 16 anos com peças feitas a partir de cabaças. Ela conta ao VIVA que a relação com o artesanato começou antes do empreendimento.

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Marly Boghossian, do Galinheiro Arte, transforma cabaças em artesanato
Marly Boghossian, do Galinheiro Arte, transforma cabaças em artesanato - Alexandre Barreto/VIVA

Formada em desenho e artes plásticas, Marly já trabalhava com decoração infantil quando conheceu a cabaça, matéria-prima que passou a utilizar em suas criações.

No início, ela produzia diferentes animais. Com o tempo, percebeu que as galinhas faziam mais sucesso entre os clientes e decidiu concentrar o trabalho nelas.

Para Marly, continuar produzindo depois da aposentadoria faz parte da própria rotina. “Eu não me vejo parada. Eu tenho 73 anos. Até eu não poder mais, porque eu não deixo de entrar no meu ateliê, não deixo de produzir, participar de eventos. Faz parte, é vida.”

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Além da venda, as feiras proporcionam contato direto com consumidores e outros artesãos. A artista relata que o Mãos e Mentes Paulistanas também oferece suporte para a participação nos eventos.

Talento manual vem da juventudade

Também com 73 anos, Ana Maria Isabela começou a produzir gatos de tecido depois de se aposentar, há cerca de dez anos. Porém, o interesse pelas manualidades vem da juventude.

Ana Maria Isabela empreende com gatos de tecido há cerca de dez anos
Ana Maria Isabela empreende com gatos de tecido há cerca de dez anos - Alexandre Barreto/VIVA

Ela conta que estudou em uma escola de período integral onde tinha contato com atividades manuais durante a tarde. Como passou grande parte da vida trabalhando, só encontrou tempo para retomar esse interesse depois da aposentadoria. Foi quando decidiu transformar o hobby em atividade profissional.

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“Chega a hora em que você para de trabalhar e dá um vazio. Então, isso aqui é um perfeito complemento. É maravilhoso", relata.

Para a artesã, o trabalho também trouxe encontros com outros empreendedores e consumidores, ajudando a manter uma rotina de convivência. “É o relacionamento com as pessoas que falta. A hora que você para de trabalhar, você fica em casa sozinha. Isso dá um vazio muito grande", disse.

Empreender com bijuterias depois dos 55

Depois de mais de dez anos trabalhando em uma empresa, Teresa Cristina dos Santos, de 62 anos, deixou o emprego pouco antes da pandemia. Com mais de 55 anos, enfrentou dificuldades para voltar ao mercado de trabalho e decidiu transformar um conhecimento que já tinha em uma nova fonte de renda. 

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Teresa Cristina começou a trabalhar com bijuterias artesanais depois dos 55 anos
Teresa Cristina começou a trabalhar com bijuterias artesanais depois dos 55 anos - Alexandre Barreto/VIVA

Teresa já produzia algumas peças de bijuteria para as filhas. A atividade acabou se tornando um negócio. Ela utiliza massa de porcelana para modelar as peças, que depois passam pelo forno. Atualmente, além das feiras, vende os produtos em lojas colaborativas e mantém pontos de exposição fora de São Paulo.

O trabalho também ampliou os deslocamentos e hoje ela conhece novos lugares. Ela já participa de feiras em diferentes cidades e mantém produtos em lojas de outros Estados.

Para a empreendedora, continuar trabalhando depois da aposentadoria ajuda a evitar o isolamento e manter uma rotina de atividades. "A gente que trabalhou a vida inteira não consegue ficar parada, é bem difícil.”

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Marca de cosméticos aos 75 anos

Neide Inês da Silva, da Afro Raízes, trabalha com empreendedorismo desde 2003.
A experiência no comércio veio antes da própria marca. Neide, que atualmente tem 75 anos, trabalhou durante anos com vendas e chegou a atuar como gerente de loja.

Neide Inês começou uma marca de cosméticos aos 75 anos, com foco na pele negra
Neide Inês começou uma marca de cosméticos aos 75 anos, com foco na pele negra - Alexandre Barreto/VIVA

Depois, decidiu criar uma empresa de cosméticos voltada para diferentes tipos de pele, com uma linha específica para a pele negra. A atividade hoje tem duas funções principais para ela: “É um meio de aumentar renda e também para a gente fazer alguma atividade, socialização.”

Neide diz que o medo faz parte de começar um negócio, mas considera que a persistência é necessária para enfrentar as dificuldades. “Se a gente não insistir, a gente não vai em frente", relata.

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De acordo com o empreendedora, a experiência acumulada no comércio também foi aproveitada. Ter o conhecimento diretamente com vendas passou a fazer parte da rotina da marca.

Artesã trocou a nutrição pelo mosaico

Aos 65 anos, Elisabeth Abrão Fakih encontrou no mosaico uma nova atividade depois de se aposentar. Nutricionista de formação, ela trabalhou durante 35 anos.

Elisabeth Abrão Fakih, de 65 anos, empreende com mosaicos
Elisabeth Abrão Fakih, de 65 anos, empreende com mosaicos - Alexandre Barreto/VIVA

O artesanato já fazia parte de sua vida como hobby e "forma de terapia", mas ganhou espaço profissional em 2016, quando começou a participar de feiras e procurar novos eventos para vender as peças. “Trabalhando, a gente se sente ativo e conhece mil pessoas", disse.

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Diferentemente do emprego formal, no empreendedorismo ela passou a cuidar diretamente da produção, divulgação e venda.

Além da socialização, a renda obtida com o mosaico ajuda a complementar a aposentadoria. “Na parte financeira ajuda bastante. Mas a socialização é o que mais contribui, no meu caso", conclui.

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