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Experiência ajuda a empreender, dizem Chieko Aoki e Paola Carosella

Felipe Cavalheiro/Viva

Chieko Aoki e Paolla Carosella participaram do segundo dia do Maturifest - Felipe Cavalheiro/Viva
Chieko Aoki e Paolla Carosella participaram do segundo dia do Maturifest
Por Claudio Marques

14/08/2026 | 19h19

São Paulo - O que torna um empreendimento de sucesso? E, antes, quando uma pessoa deve começar a empreender? Duas conceituadas empresárias de áreas diferentes compartilharam suas experiências, aprendizados e dificuldades no segundo dia do MaturiFest no painel “Empreender não tem idade certa, tem hora certa”.

E Chieko Aoki, fundadora e presidente da Blue Tree Hotels, e Paola Carosella, cozinheira, empresária, apresentadora de TV e youtuber, concordam:  entusiasmo e a vocação não substituem a gestão administrativa e financeira.

Empreender é o resultado de ter uma vontade muito grande de mostrar o que temos para oferecer, quando acreditamos que temos  alguma capacidade para mostrar para o mundo", diz a argentina Carosella.

Segundo ela, há um pouco de loucura nisso: "Porque, de fato a hora, certa é quando você começa”, diz Carosella. “E eu gosto de grandes desafios, o empreendedor gosta de desafios.”

Carosella começou a cozinhar com 18 anos e colocou seu primeiro empreendimento em pé aos 30 anos, em 2003, no Brasil. Atualmente, comanda empreendimentos como o restaurante Arturito e é consultora da rede de cafés e empanadas La Guapa, que conta com 40 unidades e cerca de 400 funcionários, além de atuar na televisão e em seu canal digital no YouTuube.

Aoki começou a empreender aos 45 anos, após o marido ficar doente. Ela é formada em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e em Hotelaria na Cornell University, nos Estados Unidos. Antes, foi presidente da rede Caesar Park e vice-chairman da Westin, uma das mais tradicionais redes hoteleiras dos Estados Unidos.

Ela conta que a vontade de aprender alimenta sua motivação para continuar à frente de um negócio:

Todo dia no trabalho, eu adoro aprender. Se você não está ativa, você também não aprende, eu acho que é muito importante, seja na escola, seja em qualquer lugar”, destaca.

Outro incentivo, conta, vem das pessoas que trabalham com ela. “A gente é responsável pela empresa e, principalmente, pela equipe”, diz.

Aoki conta que sempre teve foco na excelência – o que também incentiva o aprendizado constante. “Porque excelência de hoje fica ultrapassado daqui a 5 anos. Há coisas novas surgindo. Acho que sempre precisamos inovar uma coisa para manter a empresa viva, o que a empresa vai fazer de novo”, conta.

A busca pela inovação vem de longe. Ela lembra que no início da carreira fez uma palestra para uma plateia só de homens da área de RH sobre a importância de conhecer a alma do cliente, e não foi aplaudida. “Eu sempre tive essa busca de conhecimento”, afirma.

Imprevistos críticos

As duas relembraram episódios em que precisaram gerenciar imprevistos críticos na operação de seus empreendimentos e que foi importante não perder a calma e tomar todas as medidas possíveis para que tudo desse certo. 

Aoki enfrentou uma situação em um réveillon de inauguração de um hotel em Angra dos Reis, quando o local sofreu corte de energia elétrica e alagamento causado por chuvas e pela falta de drenagem no jardim.

Para contornar os transtornos aos hóspedes, a equipe comprou todas as velas disponíveis na cidade e organizou passeios de catamarã para retirar os clientes do hotel durante o dia. "Sorte é que tenho a capacidade de ficar calma. A pior coisa é ficar apavorada", afirmou destacando a compreensão dos clientes diante das providências adotadas.

Carosella, por sua vez, relatou o episódio que ocorreu em restaurante em que trabalhava. Com todas as reservas vendidas antes de um jantar, ela viu todos os móveis do estabelecimento serem confiscados para cobrir dívidas do dono do restaurante. A solução foi a equipe buscar mobília sobressalente em um depósito distante a tempo de atender 80 clientes naquela mesma noite.

Gestão é prioridade

As empreendedoras ressaltaram que o entusiasmo e a vocação não substituem a gestão administrativa e financeira. Perguntada pelo VIVA se existe um modelo de gestão, Chieko Aoki destacou o acompanhamento semanal das metas: “Meta é meta e prazo é prazo. E tudo com excelência.”

Segundo a empresária, as metas de resultado anualizadas devem ser cumpridas sem exceção. Em paralelo há o acompanhamento contínuo de dados operacionais e financeiros via tecnologia e monitoramento de rankings setoriais e avaliações diretas de clientes.

E conta que bons momentos “de verdade” ela tem quando pode compartilhar os resultados da empresa com a equipe e poder elogiá-la. “É o melhor momento.” 

Sobre a atuação profissional após os 50 anos, Carosella apontou que a idade eleva a capacidade de resiliência, inteligência emocional e clareza para impor limites. "Temos mais tempo, sabemos dizer 'não', temos experiência", afirmou.

Ao final, Aoki ressaltou a importância da constituição de redes de apoio e parcerias profissionais. "É importante criar redes de amigos [...] Amigo é uma rede de lhe ajudar", concluiu.

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