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Efeito Copa no bolso: planejamento pode evitar gastos extras desnecessários

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Planejamento financeiro também vale para acompanhar os jogos - Envato
Planejamento financeiro também vale para acompanhar os jogos
Por Fabiana Holtz

06/06/2026 | 08h37

São Paulo - A chegada da Copa do Mundo de 2026 encontrou o brasileiro mais endividado, porém disposto a investir na torcida pela seleção no evento que começa no próximo dia 11 de junho e será mais longo. Entretanto, estudos comprovam que quanto maior a carga emocional, menor a racionalidade na decisão de compra.

O chamado 'efeito Copa' acaba se sobrepondo aos temores sobre endividamento, e aí é que mora o perigo, alertam os economistas e educadores financeiros. O torneio que movimenta a economia a cada quatro anos tem atraído os olhos dos torcedores, mas dá sinais de que será mais fraco que os anteriores, exatamente por causa do alto nível de endividamento. 

Segundo Adriana Ricci, educadora financeira, a sensação é que as pessoas estão esperando um pouco mais para se preparar, em razão das preocupações com as contas fixas da casa.

As pessoas estão mais preocupadas com o boleto que está vencendo e renegociar dívidas".

Por ser um torneio mais longo, com número recorde de seleções participando, todo o cuidado com os gastos extras são necessários. Isso porque, afirma o economista Ahmed El Khatib, professor e coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), o consumo costuma acelerar em três momentos ligados à Copa. Na estreia, porque é o primeiro jogo, e há aquela expectativa de ver o time entrar em campo, de saber como é que a seleção vai se comportar. "Esse costuma ser um bom termômetro para o comércio", nota o professor.

O segudo momento é quando entra na fase eliminatória, em razão de uma questão de emoção, de medo de eliminação. E claro, na final, quando o consumo vira praticamente um ritual coletivo, observa Khatib.

Adriana Ricci, mulher, branca de cabelos escuros e longos
Adriana Ricci defende o planejamento como método para se precaver do endividamento nessa Copa - Divulgação

Ricci concorda e pondera que, por seu viés emocional, a tendência é as pessoas aproveitarem o momento para dar uma extravasada e fazer algo diferente. "Nessa hora sempre surgem as desculpas. Aquele famoso: depois a gente vê como é que faz".

Segundo ela, a pessoa não sente que está consumindo sozinha, mas sim participando de um momento coletivo. Esse é o grande perigo.

Produtos oficiais e a camisa da Seleção

Camisas, bandeiras e acessórios ligados ao mundial mexem com identidade e pertencimento. Todo mundo quer estar no clima. Só que muitos desses itens têm baixa durabilidade emocional. "Depois da Copa, perdem valor de uso e ficam como lembrança cara, então a dica é simples: compre pouca coisa, não se empolgue muito", aconselha a educadora.

O consumo de produtos oficiais durante a Copa, acrescenta Khatib, está muito ligado a participação emocional e o reconhecimento dentro do grupo. "Na prática, o produto oficial funciona como um sinal social", afirma.

A camisa da seleção, em especial, é um item que vai um pouco além do futebol. Miguel Huertas, coordenador dos cursos de economia da Universidade São Judas, ressalta que ela é um item inclusive colecionável. "Muita gente guarda as camisas das Copas, usa nos dias de jogos, na rua".

Em resumo, quando alguém usa a camisa da seleção, publica uma foto num bar temático, compra itens licenciados, existe uma sensação psicológica de inclusão coletiva. Isso reduz temporariamente a percepção de custo - ou seja, o gasto deixa de ser individual e passa a ser socialmente validado pelas pessoas. 

Entra em jogo aqui um fenômeno que os psicólogos definem como FOMO (fear of missing out), ou medo de ficar de fora. "A pessoa sente que todo mundo está vivendo a Copa. E eu não posso ser excluído simbolicamente desse evento", explica.

Miguel Huertas, homem, branco de óculos, cabelos curtos e escuros
Miguel Huertas lembra que resultados do Comércio estão ligados também ao desempenho da Seleção - Divulgação

O maior ou menor consumo de produtos ligados ao evento, de fato, estará atrelado principalmente ao desempenho da seleção. Tudo vai depender do quanto o Brasil conseguir avançar dentro do campeonato, afirma Huertas.

Diante de tantos gatilhos de consumo, a dica básica para torcer nesta Copa é separar celebração de descontrole financeiro. 

Planejamento para economizar na Copa

1. Curta os jogos em casa

Em seu lar ou combinando com vizinhos e amigos o gasto é mais controlável. "Dividir mercado e bebidas entre amigos, sem dúvidas sai mais em conta", ressalta a educadora financeira Adriana Ricci. Fora de casa o custo sobe porque entram couvert, deslocamento, bebidas mais caras, taxa de serviço, além do excesso, apenas porque a “mesa” está consumindo.  

2. Cuidado com as promoções

Promoções em geral funcionam como gatilho para mais consumo. A promoção só é economia quando você já ia comprar aquilo por necessidade e acabou pagando mais barato.

3. De olho no parcelamento

Se for parcelar, tenha o cuidado de fazer as contas para saber se a parcela cabe no orçamento, sem depender de renda extra, limite do cartão ou cheque especial. A regra prática para esse tipo de consumo é parcelar só se isso não comprometer as despesas essenciais. 

4. Limite de gastos

O ideal é definir um teto por jogo. Antes do evento, antes de arrumar a casa, chamar os amigos, estabeleça limite de gasto e não volte atrás. "O problema não é comemorar, é comemorar sem limite e se deixar levar pelas emoções do momento", ensina Ricci. 

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