Endividamento das famílias permanece em 49,8% e segue perto do recorde
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Brasília - O endividamento das famílias brasileiras manteve-se em 49,8% da renda em abril, conforme dados divulgados pelo Banco Central. O indicador permaneceu estável pelo terceiro mês consecutivo e continua no segundo maior patamar da série histórica.
Esse percentual representa a relação entre o total das dívidas das famílias junto às instituições financeiras e sua renda acumulada. Quanto maior esse índice, maior é a parcela da renda comprometida com financiamentos e empréstimos.
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Apesar da estabilidade recente, o indicador continua muito próximo do maior nível já registrado pela série histórica. O recorde foi de 49,9%, alcançado em julho de 2022 e novamente observado em janeiro de 2026.
Quando são excluídos os financiamentos imobiliários, o endividamento apresentou leve redução, passando de 31,2% em março — dado revisado pelo Banco Central — para 31,1% em abril.
Comprometimento da renda
Outro indicador acompanhado pelo Banco Central é o comprometimento da renda das famílias com pagamentos ao Sistema Financeiro Nacional. Esse índice ficou em 28,2% entre março e abril, permanecendo no segundo maior nível de toda a série histórica. Apenas janeiro e fevereiro deste ano registraram percentual superior, de 28,3%.
Na prática, o indicador mostra quanto da renda mensal das famílias é direcionado ao pagamento de parcelas de empréstimos e financiamentos. Quanto maior esse percentual, menor tende a ser a capacidade financeira para consumo, investimentos ou formação de reserva financeira.
Ao desconsiderar os empréstimos imobiliários, o comprometimento da renda permaneceu em 25,9% entre março e abril. O dado referente a março foi revisado pelo Banco Central.
Inadimplência cresce nas operações de crédito
Além do elevado nível de endividamento, os dados mais recentes apontam aumento da inadimplência no sistema financeiro.
Nas operações de crédito livre — modalidade em que as instituições financeiras definem livremente as condições de empréstimo — a taxa passou de 6,1% em abril para 6,2% em maio, após revisão do dado do mês anterior.
Entre as pessoas físicas, a inadimplência aumentou de 7,4% para 7,6%, enquanto entre as empresas houve alta de 4,0% para 4,1%. Considerando todas as modalidades de crédito, incluindo operações livres e direcionadas, a taxa total de inadimplência subiu de 4,6% para 4,7% no período.
Juros permanecem elevados
O Banco Central também informou que a taxa média de juros do crédito livre aumentou de 49,4% ao ano em abril para 49,5% em maio. Na comparação com maio de 2025, quando o percentual era de 45,8%, observa-se que o custo médio do crédito continua superior ao registrado um ano antes.
Entre as pessoas físicas, a taxa média apresentou leve redução, passando de 63,0% para 62,8%. Já para as empresas ocorreu movimento oposto, com aumento de 24,9% para 25,2%.
Algumas modalidades específicas apresentaram queda nas taxas:
- cheque especial: de 140,9% para 138,3%;
- crédito pessoal sem consignação: de 125,0% para 120,4%;
- crédito consignado: de 28,2% para 28,0%;
- financiamento de veículos: de 26,6% para 26,3%.
Crédito total
Ao considerar todas as operações de crédito, incluindo crédito livre e direcionado, a taxa média de juros ficou em 33,4% em maio, praticamente estável em relação aos 33,5% registrados em abril.
Na comparação anual, entretanto, houve aumento em relação aos 31,7% observados em maio de 2025. Esse indicador reúne financiamentos contratados por consumidores e empresas em diferentes modalidades e oferece uma visão mais ampla do custo médio do crédito no país.
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