Economista Dirlene Silva, 'filha de lixeira', conta sua história em livro
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São Paulo - A economista Dirlene Silva, titular da coluna 'Dinheiro com Propósito' do VIVA, lançou nesta quinta-feira (13), na capital paulista, o livro autobiográfico "Do lixo a Paris - Minha jornada de filha da lixeira a referência em Educação Financeira", pela Editora Leader.
Nascida e criada em Canoas, região metropolitana de Porto Alegre (RS), a escritora que hoje frequenta ambientes universitários e corporativos de renome bem como faz parte do Conselhão, órgão de assessoramento direto ao Presidente da República, recorda da sua infância com gratidão.
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Ao lado das duas irmãs, Márcia e Marta, Dirlene soube desde muito menina, aos sete anos, que o mundo do trabalho começa mais cedo para os mais vulneráveis economicamente. Suas irmãs começaram a trabalhar como domésticas aos 13 anos (profissão também exercida pela mãe na época) e ela quase enveredou pelo mesmo caminho.
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"Certa vez, estava no trabalho da mãe e fomos ao trabalho da Marcia a fim de irmos juntas para a casa. Eu era uma criança tímida, introvertida, mas a patroa começou a interagir comigo. No meio da conversa ela olhou para minha mãe e disse: Deixe esta menina aqui comigo. Vou criá-la como se fosse minha filha. Ela terá uma vida confortável e frequentará uma boa escola. Tu podes vê-la quando quiser. Minha mãe rejeitou a proposta no mesmo instante", conta ela em seu livro.
Em 1983, a mãe foi demitida da casa de família de onde trazia o sustento para a casa e encontrou a salvação ao saber por uma vizinha que trabalhava como gari que a prefeitura estava contratando. "E foi assim que minha mãe começou a trabalhar como gari e eu me tornei a 'filha da lixeira', revela a autora.
Com o primeiro salário, a mãe comprou presentes para as três filhas e uma bicicleta para ir trabalhar e economizar o dinheiro da condução.
Racismo estrutural
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Em sua trajetória do primeiro grau até a graduação em Economia, Dirlene também sentiu na pele a força do racismo estrutural que permeia a nossa sociedade.
Em seu relato, porém, ela faz questão de frisar que esses acontecimentos se desenrolaram em uma época muito diferente de agora, visto que racismo passou a ser considerado crime em 1989, e injúria racial passou a ser considerada crime de racismo a pouquíssimo tempo, em 2023.
"Na escola, eu era alvo de preconceito racial e social que classifico como nível hard. Praticamente todos os dias, para chegar a sala de aula, enfrentava um grupinho de meninos reproduzindo sons de macaco, enquanto eu passava. Na sala de aula, por vezes, uma ou outra colega me olhava e dizia: eu te vi na rua conversando com uma mulher lixeira".
Consultora, colunista e mentora
Referência em educação financeira no Brasil, a economista e escritora hoje além de administrar a consultoria DS Estratégias & Inteligência Financeira, atua como mentora, palestrante, colunista, embaixadora, conselheira, professora e curadora. A caminhada até a conclusão do mestrado em Gestão e Negócios pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em 2013, rendeu muitas experiências e a certeza de que 'valeu insistir, persistir e nunca desistir'. Esse titulação, inclusive, lhe rendeu uma temporada de estudos na Université de Poitiers, na França.
Com o propósito de apresentar a economia de forma mais simples, humana e acessível para seus alunos, Dirlene trabalha em seus cursos e mentorias com a estratégia que ela costuma chamar de Desmistificar (D.E.S.), que envolve três estágios: Domínio, Equilíbrio e Segurança. "Uma síntese do que aprendi vivendo, estudando, errando e recomençando, explica ela.
Educadora fervorosa, a economista acredita que a mudança de mentalidade pode alterar completamente a forma como você lida com o dinheiro e com a própria vida.
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