Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

Exclusivo: Geração 60+ chefia 21,6 milhões de lares e lidera renda no País

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Com renda média de R$ 3.865, população 60+ lidera orçamento de quase um terço dos domicílios - Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Com renda média de R$ 3.865, população 60+ lidera orçamento de quase um terço dos domicílios
Por Alexandre Barreto

11/09/2026 | 12h13

São Paulo - A população com 60 anos ou mais ocupa um espaço cada vez maior na organização financeira das famílias brasileiras. Em 2025, pessoas dessa faixa etária eram responsáveis pela chefia de 21,6 milhões de domicílios, quase um terço das casas do País. A renda média mensal desse grupo chegou a R$ 3.865, a maior entre as faixas etárias analisadas.

Os dados inéditos fazem parte do levantamento “Geração 60+: Moradia e Arranjos Familiares”, realizado pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar da renda média superior à dos demais grupos, a população 60+ perdeu poder de renda na última década. Entre 2016 e 2025, o rendimento médio dessa parcela da população caiu 4% em termos reais. No mesmo período, a renda média da população geral cresceu 13%.

Participação nas decisões financeiras dos lares

De acordo com a pesquisa, a presença da população mais velha na economia doméstica vai além da liderança formal do domicílio. Em 87% das casas onde vivem pessoas com 60 anos ou mais, elas são responsáveis pela chefia ou participam diretamente da gestão do orçamento familiar.

Para Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, os dados mostram que a contribuição financeira dessa população precisa ser analisada também dentro dos arranjos familiares.

A Geração 60+ contribui diretamente para a manutenção da casa. A dimensão econômica desse grupo dentro dos lares vai além da condição de beneficiário de aposentadorias ou outros rendimentos”, afirma.

A maioria dos chefes de domicílio com 60 anos ou mais também não vive sozinha. Apenas 32% moram por conta própria. Nos outros 68% dos casos, há pelo menos mais uma pessoa no domicílio.

Isso significa que aposentadorias, pensões, rendimentos do trabalho e outras fontes de renda de pessoas mais velhas podem compor o orçamento de famílias com filhos, netos e outros parentes.

Tokarski chama esse fenômeno de “sobrecarga geracional”, quando diferentes gerações compartilham o mesmo domicílio e os rendimentos dos mais velhos ajudam a sustentar outros integrantes da família.

“Filhos, netos e outros parentes dependem diretamente dos rendimentos da população mais velha para subsistir, sejam provenientes de aposentadorias, pensões ou trabalho ativo”, explica.

Número de idosos que moram sozinhos cresce

Ao mesmo tempo em que muitos idosos dividem a casa com outras gerações, cresce o número de pessoas com 60 anos ou mais que vivem sozinhas.

Entre 2015 e 2025, esse contingente aumentou 75%, com a criação de 2,76 milhões de novos domicílios unipessoais. As mulheres são maioria nesse grupo: são cerca de 4 milhões, o equivalente a 62% das pessoas 60+ que moram sozinhas no País.

mulher cozinhando
Cresce o número de pessoas 60+ que vivem sozinhas, entre lares multigeracionais - Divulgação/Governo

Os dados apontam que o Sudeste e Nordeste concentram 72,6% da população 60+ que vive sozinha, ou 4,7 milhões de pessoas. Os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais reúnem, juntos, 45% desse contingente, o equivalente a 2,89 milhões de pessoas.

As mulheres são maioria entre os moradores 60+ que vivem sozinhos em 23 das 27 Unidades da Federação. No Sul, elas representam 67% desse grupo. A exceção é a Região Norte, onde homens e mulheres aparecem em proporção semelhante, com 50% cada.

Pessoas 60+ no mercado de trabalho em 2025

A participação da população mais velha no mercado de trabalho também ajuda a explicar o peso econômico dessa geração nos domicílios.

Edmilson Rocha, do restaurante Sol Gatronomia
Entre os 8,5 milhões de ocupados 60+, 50,6% eram empreendedores - Fernando Frazão/Agência Brasil

Em 2025, 8,5 milhões de pessoas com 60 anos ou mais estavam ocupadas, o equivalente a 24,4% da população nessa faixa etária. Considerando a força de trabalho, eram 8,7 milhões de pessoas, ou 25,1% do total.

No entanto, a maior parte da população 60+ estava fora do mercado de trabalho. Segundo os dados do IBGE utilizados no levantamento, 74,9% não estavam trabalhando nem procurando trabalho.

Entre os 8,5 milhões de ocupados, 50,6% eram empreendedores, o equivalente a 4,3 milhões de pessoas. O grupo reúne trabalhadores por conta própria e empregadores.

Outro ponto destacado na pesquisa é que a formalização ainda é um desafio. Em 2025, 72% dos empreendedores com 60 anos ou mais trabalhavam sem CNPJ. Isso representa aproximadamente 3,1 milhões de pessoas.

Para Tokarski, os dados mostram uma dupla característica da população mais velha: ela ocupa uma posição importante na sustentação financeira das famílias, mas também enfrenta dificuldades relacionadas à permanência e às condições de trabalho.

Embora a Geração 60+ esteja no centro da sustentabilidade econômica de milhões de famílias brasileiras, ainda existem desafios relacionados à formalização do trabalho e à pressão sobre os lares chefiados por pessoas mais velhas”, conclui.

Metodologia utilizada

O levantamento foi estruturado pela Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), produzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A análise considera dados de 2015 a 2025 sobre renda, composição e chefia dos domicílios, arranjos de moradia e participação da população com 60 anos ou mais no mercado de trabalho.

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Últimas Notícias