Ida ao cabeleireiro segue mais cara, apesar de alívio na inflação geral
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São Paulo - O recuo nos preços ao consumidor (IPCA) de 0,58% em maio para 0,16% em junho surpreendeu boa parte dos economistas, porém a recomendação ainda é de cautela. Fato é que na área de serviços a ida ao salão de beleza, por exemplo, continua ficando mais cara.
Parte do componente Despesas Pessoais, o subitem cabeleireiro e barbeiro subiu 0,65% em junho. E esse comportamento pode ser atribuído a queda nos índices de desemprego e consequente alta da massa salarial.
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Com a escassez de mão de obra, o trabalhador pode pedir mais pelo seu tempo e isso acaba se refletindo no maior consumo de serviços, como salão de beleza, por exemplo", diz o economista André Braz, da FGV Ibre.
De fato, sempre que a massa de salários cresce, a cesta de consumo não fica restrita aquilo que é essencial. Na linha do famoso 'efeito cascata', consequentemente você come mais fora de casa, vai mais ao salão de beleza, a shows, espetáculos, teatro, cinema, viaja, aponta o economista. Ele recorda que todo esse conjunto de serviços vem se sustentando com uma alta em torno de 6% há mais de um ano. Isso porque o setor de serviços ocupa um grande espaço no orçamento familiar.
"Na média, 36% do que a família ganha é gasto com serviços livres, que tem preços estabelecidos pelo mercado. Nesse grupo não incluímos energia, água ou plano de saúde, apenas a parte que o consumidor negocia. Comer fora de casa, ir ao médico, condomínio, aluguel, tudo isso é preço livre e tem subido mais que a média", explica o economista.
Alimentos e bebidas
Embora essa retração do índice geral tenha contado com ajuda do item Alimentos e bebidas, que apresentou deflação de 0,24% no comparativo mensal, o histórico desse componente em especial ainda é de alta.
Se recuarmos alguns anos na pesquisa é possível ver que a inflação envolvendo alimentação registra uma alta acumulada próxima do índice geral, explica o economista.
No caso específico dos alimentos, acrescenta ele, seu histórico de alta ainda pesa. Carne, frutas e café moído foram os itens com quedas mais expressivas em junho ante maio, mas isso se explica por fatores sazonais (no caso das frutas e do café) e do ciclo da pecuária (no caso das carnes). "A notícia é boa, mas ainda não chegamos ao ponto de a família falar 'vamos comprar mais café ou mais carne'", diz o economista.
Segundo ele, além do ciclo da pecuária, o embargo que a Europa promoveu contra a carne brasileira acabou aumentando a oferta por aqui e isso explica a queda nos preços. Ou seja, o churrasco pode ter ficado temporariamente mais barato, mas a perspectiva é de instabilidade para o segundo semestre.
Os próximos meses prometem muita incerteza, observa o economista, por conta das previsões de um Super El Niño, que deve ser marcado por eventos climáticos extremos em maior quantidade e de maior intensidade. "Isso pode comprometer a agricultura e a geração de energia. Sem falar no cenário geopolítico, com guerras em andamento", destaca Braz, que espera que o IPCA termine o ano no teto da meta, que é de 4,5%.
Como driblar a inflação?
Na avaliação de Braz, a dona de casa já está craque em fugir dos preços altos. A primeira medida tomada pelos consumidores ao sinal de alta, segundo ele, é substituir a marca, buscando uma mais em conta.
O consumidor testa produtos mais baratos, porém que ainda guardam alguma qualidade. Eles sabem os dias de promoção no supermercado, do hortifruti, além de usar a internet como uma boa aliada para saber onde comprar um produto mais barato."
Outra boa recomendação para os que conseguem comprar em grande quantidade é frequentar os atacarejos. Isso funciona bem quando é possível reunir duas ou três famílias para dividir as compras. Principalmente no caso de itens relacionados a alimentação, pontua o economista, como há pressão acumulada em torno do preço a substituição ajuda a defender um pouco o orçamento.
Luz mais cara
No caso da conta de luz a perspectiva também é de alta. Como a nossa matriz energética ainda é muito pautada nas hidroelétricas, observa Braz, nos meses de pouca chuva, que é normalmente no inverno, as bandeiras (com ajustes nos preços) são acionadas.
"Ela já estava amarela em junho, permanece em julho e a situação ainda pode piorar nos próximos meses. A depender das chuvas, podemos ter uma bandeira mais onerosa ainda, vermelha", alerta o economista.
Cenário para juros
Como o Banco Central (BC) já promoveu três cortes desde o início do ano, após a taxa básica de juros (Selic) atingir o maior patamar em 20 anos, Braz acredita que seria possível até cortar mais, entretanto o momento é de muita incerteza. "Acredito que o juro vai cair mais um pouco, porém não sei exatamente o momento, porque isso depende um pouco de como a inflação vai se manifestar em vários segmentos da economia", afirma.
No âmbito internacional, o economista pondera ainda que tem a questão do conflito dos Estados Unidos com o Irã, diante de um frágil acordo de cessar fogo. "Isso vai mexendo com o preço do petróleo e consequentemente com o preço da economia como um todo. Porque o petróleo é matéria-prima para tudo, para escoar a produção agrícola, para mover as máquinas no campo, para produzir embalagens plásticas".
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