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Já pensou no almoço de Páscoa? Se prepare, o preço do bacalhau está salgado

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Bacalhau teve alta de 13,3% no preço no acumulado dos últimos doze meses - Envato
Bacalhau teve alta de 13,3% no preço no acumulado dos últimos doze meses
Por Alessandra Taraborelli e Fabiana Holtz

28/03/2026 | 08h00 ● Atualizado | 08h01

São Paulo - A uma semana da Páscoa, as pessoas já começaram a pensar o que irão fazer para o almoço da família. O tradicional bacalhau deve ser um dos itens mais procurados para o período.

Segundo estimativas da administração do Mercado Municipal de São Paulo, referência gastronômica e um dos pontos turísticos mais tradicionais da capital paulista, nas semanas que antecedem a Páscoa, deve haver crescimento de 10% a 15% nas vendas de bacalhau e peixes frescos.

Mesmo com alta de 13,3% no preço no acumulado dos últimos doze meses, o bacalhau segue ocupando um espaço tradicional na mesa do brasileiro durante a Páscoa.

Apesar da alta superior à inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que no acumulado em 12 meses até fevereiro foi de 3,81%, outros ingredientes para o almoço de Páscoa registraram queda expressiva no mesmo período. São eles o azeite (-22%), a batata (-13%), o tomate (-17%) e os ovos (-12%).

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Pesquisa in loco

Mas, se você ainda não comprou o seu bacalhau, prepare o bolso, porque assim como o bacalhau o preço também está salgado.

A reportagem do VIVA esteve no Mercadão de São Paulo e no Mercado Kinjo Yamato, que fica em frente, fazendo uma sondagem de preços para a tradicional receita de Bacalhoada. Veja a receita aqui no Viva.

É possível encontrá-lo em posta, desfiado, mais fino, mais grosso, enfim, opções não faltam e os preços variam de dois a três digitos.

Leia também: Bacalhoada: confira duas versões da indispensável receita de Páscoa

Impactos do cenário externo

De acordo com o economista Ahmed El Khatib, professor e coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), de fato os preços estão bem elevados em relação ao ano anterior.

"Isso basicamente se explica por um conjunto de fatores mais estruturais e conjunturais que normalmente se intensificam de tempos em tempos. Em especial no recente contexto brasileiro", pondera.

professor Ahmed
Ahmed El Khatib: fatores estruturais e conjunurais afetam o preço do bacalhau, que é importado. Foto: Arquivo pessoal

Importante lembrar que o bacalhau não é produzido no Brasil. Como é um produto majoritariamente importado de países do Atlântico Norte (como Noruega, Islândia), e de Portugal, que atua como um re-exportador, isso torna seu preço mais sensível à taxa de câmbio

"Em 2025 e início de 2026, o real apresentou momentos de desvalorização frente ao dólar e ao euro, elevando o custo de importação. Uma variação cambial, por exemplo, de 5% a 10%, já se torna suficiente para impactar o preço final do nosso bacalhau, especialmente na Páscoa", explica.

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Fatores de oferta global, como a pesca do chamado bacalhau verdadeiro, que é altamente regulada por cotas internacionais para evitar a sobrepesca, também explicam parte dessa alta.

Nos últimos anos, se observou uma redução e ou até mesmo uma manutenção restritiva dessas cotas, especialmente no Mar do Norte e no Atlântico Nordeste, o que veio a limitar a oferta global, comenta Ahmed.

De acordo com o economista, ao mesmo tempo,os custos operacionais aumentaram. Conflitos no Oriente Médio levaram a uma alta no custo do combustível marítimo.

Além disso, o cenário internacional mais tenso também se reflete no custo do transporte refrigerado e da mão de obra. "Isso afetou toda a cadeia logística", afirma.

Demanda sazonal

O aumento da demanda sazonal no Brasil é outro ponto fundamental para entender a alta. Segundo comerciantes do Mercado Municipal, nesta época do ano a procura por bacalhau chega a crescer em torno de 80%. Em termo de vendas, segundo os comerciantes, o período rivaliza apenas com as festas de final de ano e dia das mães. 

Principalmente agora na Semana Santa o consumo de bacalhau cresce de 30% a 40% e isso gera uma pressão adicional sobre o preço. Como se trata de um produto com cadeia longa, ou seja, demora para chegar aqui, é importado, a gente não tem muita flexibilidade imediata na oferta, então isso amplifica os reajustes", destaca o economista.

Do ponto de vista inflacionário, o bacalhau também acompanha o comportamento do grupo que é conhecido dentro do IPCA como 'Alimentação no domicílio'.

Em momentos de inflação mais persistente no segmento de alimentos, as proteínas, especialmente, passam por um processo de substituição do consumo entre carnes, o que termina por elevar ainda mais a demanda por determinados produtos, inclusive o bacalhau em datas específicas.

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