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O que considerar antes de contratar o crédito consignado CLT?

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Trabalhador deve observar limites e comparar custo efetivo do Consigado CLT - Marcelo Camargo/Agência Brasil
Trabalhador deve observar limites e comparar custo efetivo do Consigado CLT
Por Pedro Marques

20/03/2026 | 08h00

São Paulo - O crédito consignado CLT traz algumas vantagens para os trabalhadores com carteira assinada, especialmente em relação às taxas de juros, que costumam ser menores que aquelas cobradas pelos bancos no cheque especial, no cartão de crédito e nos empréstimos diretos às pessoas físicas.

Essa modalidade, no entanto, tem algumas restrições. A mais importante é a margem consignável, que é o valor máximo que pode ser descontado do salário para pagamento de prestação do empréstimo consignado.

Leia também: Como funciona o crédito consignado para CLT? Por que é mais barato?

Ricardo Hiraki, fundador da Plano Educação Financeira
Ricardo Hiraki, fundador da Plano Educação Financeira, aconselha avaliar quanto é possível comprometer do salário com o crédito consignado (Foto: Divulgação)

"A primeira coisa é olhar para todo o seu orçamento e saber o quanto você vai poder comprometer do seu salário com as parcelas do crédito consignado", aconselha o fundador da Plano Educação Financeira, Ricardo Hiraki.

As pessoas deveriam evitar ao máximo comprometer o orçamento delas com mais de 30% das receitas com dívidas."

No caso do consignado, Hiraki explica que pode ser um risco contratar empréstimos com prazos muito longos. "Os consignados, de modo geral, permitem fazer empréstimos de 60 parcelas ou até mais", diz. "Então é importante as pessoas não olharem só para o valor da parcela, para não ficarem pagando uma dívida por sete, oito anos."

Além da margem de consignação, vale prestar atenção em outros pontos antes de contratar o crédito consignado CLT e comparar as taxas de juros e o Custo Efetivo Total (CET) entre bancos. 

O que considerar no consignado CLT?

Margem consignável: O limite para trabalhadores CLT é de 35% da renda líquida, incluindo o desconto na folha de pagamento.

Taxas de juros: Mesmo sendo mais baixa que outros empréstimos, a comparação entre os valores oferecidos pelos bancos é essencial. Um diferença de 0,5% ou 1% ao mês pode mudar muito o valor total pago.

Leia também: O que é o leilão do crédito consignado do INSS e quando será lançado?

Custo Efetivo Total: Analise não apenas a taxa de juros mensal e anual, mas o Custo Efetivo Total (CET) do empréstimo, que inclui tarifas bancárias e impostos. Um banco pode oferecer juros nominais menores que outro, mas o valor total do empréstimo pode ficar acima do esperado ao considerar o custo total.

Renda comprometida: Fazer um empréstimo usando toda a margem consignável pode apertar muito seu orçamento. Avalie se o valor da parcela é compatível com seus gasto, sem comprometer despesas essenciais a longo prazo.

Prazos longos: segundo o Banco Central, não há normas limitando o prazo máximo do crédito consignado. Em geral, os empréstimos para CLT têm duração de até 48 meses. E se por um lado o valor da parcela é menor quanto mais longo for o prazo, no final você pagará mais juros para o banco e o custo total do empréstimo será maior.

Leia também: Como o trabalhador CLT faz para pedir crédito consignado? Veja passo a passo

Demissão: O consignado CLT pode utilizar o saldo e a multa do FGTS como garantia. Em caso de demissão, 10% do saldo e 100% da multa de 40% podem ser retidos para quitar o débito.

Seguro embutido: Alguns contratos incluem seguro prestamista, que cobre a dívida em casos como morte ou invalidez, porém aumenta o custo total. Veja se é obrigatório ou opcional.

Fraudes: Não aceite propostas por telefone. Contrate apenas pelos canais oficiais dos bancos ou pelo app Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital).

Quando vale a pena?

Levando em conta essas questões, o consignado CLT tende a valer a pena quando o trabalhador precisa reorganizar suas finanças, principalmente para quitar dívidas com juros muito mais altos, como cartão de crédito ou cheque especial. 

Quando a pessoa consegue enxergar o todo do orçamento, ela consegue ver oportunidades para trocar uma dívida cara por uma mais barata, que seria esse crédito consignado", diz Hiraki.

Nessas situações, trocar uma dívida por outra com juros menores pode ajudar a reduzir o valor pago ao longo do tempo e facilitar o controle do orçamento. Também pode fazer sentido em casos de emergência financeira, quando não há reserva de emergência disponível e o crédito é realmente necessário.

Leia também: Portabilidade pode reduzir valor de parcelas do crédito consignado; entenda

Por outro lado, é fundamental que a parcela caiba com folga no orçamento, evitando comprometer toda a margem consignável permitida. O ideal é escolher prazos que não sejam excessivamente longos e entender o custo total do empréstimo, não apenas o valor da parcela mensal. 

Além disso, é importante considerar a estabilidade no emprego, já que, em caso de demissão, a forma de pagamento da dívida pode mudar e gerar dificuldades.

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