Como funciona o crédito consignado para CLT? Por que é mais barato?
Adobe Stock
08/02/2026 | 11h19
São Paulo, 08/02/2026 - Também conhecido como empréstimo com desconto em folha, o empréstimo consignado para CLTs é uma modalidade de crédito com taxas de juros reduzidas, onde as parcelas são descontadas automaticamente todo mês diretamente do salário do trabalhador com carteira assinada, seja ele empregado do setor privado ou do setor público. As parcelas são debitadas antes que o valor líquido seja depositado na conta, reduzindo o risco de inadimplência.
No caso dos trabalhadores CLT, o desconto das parcelas do consignado é feito na data combinada na hora da contratação do empréstimo, que deve ser feita junto a um banco ou financeira.
Leia também: Quando será possível fazer a portabilidade do consignado pelo Open Finance
Como o valor da prestação é abatido mensalmente do salário bruto, antes que o trabalhador receba o pagamento, a empresa empregadora precisa manter convênio com a instituição financeira, o que garante a transferência correta dos valores.
"A ausência de grandes burocracias, com facilidade de aprovação, mesmo para quem possui score médio e a previsibilidade das parcelas são algumas das principais vantagens", afirma Raquel Ramos Palazon, coordenadora da área de consultivo estratégico trabalhista do escritório Peluso, Guaritá, Borges e Rezende (PGBR) Advogados
Além disso, a transparência do sistema permite que o trabalhador acompanhe, mês a mês, as parcelas descontadas por meio da Carteira de Trabalho Digital, o que reforça a segurança e o controle financeiro", acrescenta.
Leia também: Bancos adotam regras para coibir práticas abusivas na oferta do consignado
Crédito mais barato
Como as parcelas são descontadas diretamente na folha de pagamento, o banco tem maior garantia de que o valor será pago, o que reduz a necessidade de embutir juros elevados para compensar possíveis atrasos ou calotes.
As regras foram estabelecidas para que o crédito consignado para trabalhadores CLT ofereça menor risco de inadimplência para as instituições financeiras. Consequentemente, as taxas de juros dessa modalidade são reduzidas em comparação com outras de crédito, como o empréstimo pessoal ou o cheque especial.
A contratação desse tipo de crédito está condicionada à chamada margem consignável, que limita o percentual do salário que pode ser comprometido com o pagamento das parcelas. Em geral, esse limite é de até 35% da remuneração bruta, percentual que pode incluir, além do empréstimo tradicional, o uso de cartão de crédito consignado. A regra busca evitar o endividamento excessivo do trabalhador.
Leia também: 60% dos brasileiros têm planos de tomar crédito neste início de 2026
Outro fator que contribui para o custo menor é a previsibilidade do fluxo de pagamento. Com datas e valores fixos, vinculados ao salário do trabalhador, as instituições conseguem planejar melhor suas operações e reduzir custos administrativos.
Além disso, o crédito consignado para CLT costuma estar associado a convênios entre empresas e instituições financeiras, o que amplia a base de clientes com renda comprovada e vínculo empregatício formal.
Como fica em caso de demissão?
Embora tenha taxas melhores que as dos empréstimos pessoais, os juros do consignado para CLT normalmente são mais elevados do que aqueles praticados na mesma modalidade para aposentados e pensionistas do INSS.
Os prazos de pagamento também são menores e variam, em média, entre 12 e 48 meses, conforme a política da instituição financeira e o acordo firmado com a empresa.
Leia também: MTE notifica empresas e empregadores domésticos por falhas no consignado
Um dos principais pontos de atenção desse modelo aparece em situações de demissão do trabalhador. "A legislação não permite que a instituição financeira desconte toda a dívida das verbas rescisórias — somente a parcela do mês do desligamento, dentro do limite legal de consignação. O restante é cobrado por outros meios, como boleto", explica o advogado Marcel Cordeiro, sócio das áreas Trabalhista e Previdenciária do escritório Miguel Neto Advogados.
Segundo Cordeiro, em caso de desligamento do empregado, o desconto em folha é interrompido e o trabalhador passa a ser responsável pelo pagamento das parcelas diretamente ao banco. Nessa situação, o trabalhador tem mais uma dívida para pagar enquanto não encontra um novo emprego.
Outra preocupação é que, se usado sem planejamento, o consignado pode levar ao superendividamento. "O consignado pode se tornar uma armadilha quando compromete parcela excessiva do orçamento", alerta Cordeiro.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.
