Pesquisa aponta que brasileiro declara renda maior ao pedir crédito
Envato
26/01/2026 | 16h08
São Paulo, 26/01/2026 – Mais da metade dos brasileiros (59%) declara um valor bastante superior a sua renda real ao solicitar crédito, de acordo com levantamento da klavi, plataforma especializada em agregação e inteligência de dados financeiros via Open Finance.
O estudo, que considerou mais de 2 mil solicitações de crédito veicular feitas entre dezembro de 2023 e abril de 2025, revela que entre os que ganham até dois salários mínimos, 84% inflacionam seus rendimentos em até 100%. Na média geral, a diferença entre a renda declarada e a renda real observada via Open Finance é de 24%.
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Sem considerar a média por faixa de renda, 32% declaram ganhar o dobro do que realmente ganham, 15% afirmam receber três vezes mais e 8% chegam a declarar quatro vezes sua renda real.
No recorte por faixa etária, somente 22% dos jovens de 18 a 30 anos distorcem a renda, o menor índice entre os grupos analisados. Entretanto, quando exageram, sobem em média 90% o salário informado. Entre as solicitações de brasileiros de 31 e 45 anos, 72% afirmaram receber salários acima do valor real, elevando a soma média em 69%.
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Já entre o público de 46 e 60 anos, 73% inflacionam a renda, exagerando seus rendimentos em 93%. Entre os solicitantes acima de 61 anos, 58% distorcem os valores, indicando um valor médio 78% superior ao de sua renda real.
Medo e insegurança
Entre quem ganha até dois salários reais, 30% afirmam de fato pertencer a essa faixa. Entretanto, segundo o levantamento 65% realmente a compõem.
No grupo que recebe de dois e quatro salários, 48% se declaram nessa faixa, porém apenas 28% de fato estão nela. Na faixa de quatro e seis salários, 11% se dizem enquadrar nela, mas somente 4% estão falando a verdade. Acima de seis salários, 9% afirmam receber esse valor, enquanto apenas 3% de fato se enquadram nessa faixa de renda.
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Ao apontar a discrepância da autodeclaração, Bruno Chan, CEO da klavi, destaca que, quando o mercado passa a trabalhar com dados reais de renda, as consequências são queda na inadimplência, melhora da precificação e produtos financeiros muito mais justos. "Os dados mostram que a autodeclaração ainda é muito distante da realidade e, ao mesmo tempo, reforçam o potencial do Open Finance em trazer previsibilidade e confiança para o sistema”, diz Chan.
A distorção na autodeclaração, na visão de Chan, revela uma combinação de insegurança, informalidade e pressão social. "No entanto, ao declarar a renda real, o consumidor aumenta suas chances de receber propostas adequadas ao seu perfil e evita comprometer sua saúde financeira", afirma.
O levantamento foi realizado em três etapas. A primeira é feita quando o consumidor solicita crédito a um cliente da klavi. Nesse momento ele autoriza o compartilhamento dos dados financeiros por meio do Open Finance e, então, a empresa processa essas informações para construir modelos de renda, risco e comportamento.
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