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Golpe do reembolso do INSS usa app falso para roubar dados

Análise da Kaspersky aponta que o golpe começa com o envio de links falsos que levam a páginas que imitam a loja de apps do Google

Alexandre Barreto

Por Alexandre Barreto

10/03/2026 | 16h43 ● Atualizado em 12/03/2026 | 14h41

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Criminosos virtuais estão aplicando golpes que prometem falso reembolso do INSS para infectar celulares - Adobe Stock
Criminosos virtuais estão aplicando golpes que prometem falso reembolso do INSS para infectar celulares
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São Paulo - Criminosos virtuais estão aplicando golpes que prometem falso reembolso do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para infectar celulares Android e roubar dados bancários e dinheiro das vítimas. O alerta foi feito pela empresa de cibersegurança Kaspersky, que identificou um trojan chamado BeatBanker usado em campanhas direcionadas principalmente a cidadãos brasileiros.

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Mais conhecido como Cavalo de Troia, o trojan é um tipo de software malicioso que se disfarça de programa legítimo ou inofensivo para enganar o usuário e ser instalado.

O BeatBanker opera uma campanha multifacetada, capaz de minerar criptomoedas secretamente, roubar credenciais bancárias e, em suas versões mais recentes, evoluiu para um trojan de acesso remoto (RAT), que permite controlar o dispositivo e realizar fraude popularmente chamadas de Golpe da Mão Fantasma”, informou a empresa.

Segundo a análise da empresa de privacidade digital, o golpe começa com o envio de links falsos que levam a páginas que imitam a loja de aplicativos do Google.

Nessas páginas, a vítima é induzida a baixar aplicativos maliciosos disfarçados de serviços populares, como um suposto aplicativo de reembolso do INSS.

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Entenda o BeatBanker

Após a instalação do usuário, o trojan passa a controlar o dispositivo da vítima. O programa pode registrar teclas digitadas, capturar dados bancários, acessar câmeras e microfone, monitorar localização e até instalar outros aplicativos sem autorização. O objetivo é coletar informações financeiras e permitir fraudes diretamente no celular.

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A Kaspersky também identificou que o malware pode atuar como minerador de criptomoedas. Nesse caso, o aparelho infectado passa a utilizar seus próprios recursos para minerar a moeda digital Monero (XMR) para os criminosos.

Isso resulta em superaquecimento, consumo excessivo de bateria e degradação do desempenho do aparelho", ressalta a empresa.

Outro recurso usado no golpe é a substituição de telas de confirmação de aplicativos financeiros por páginas falsas. Quando a vítima tenta realizar uma transferência, o trojan altera secretamente o destinatário da transação e redireciona o dinheiro para contas controladas pelos criminosos.

Para permanecer ativo por mais tempo, o BeatBanker utiliza técnicas que dificultam sua detecção. Entre elas está a reprodução contínua de um áudio. "É um arquivo de áudio quase inaudível, simulando o uso ativo do dispositivo e impedindo que o sistema operacional o encerre ou o coloque em estado de suspensão por inatividade, garantindo que o trojan permaneça ativo por longos períodos", explica a Kaspersky.

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Malware controla uso do celular e nível de bateria

De acordo com a Kaspersky, o malware também monitora o uso do celular, o nível de bateria e a temperatura do aparelho para ajustar seu funcionamento e evitar sinais que possam alertar o usuário.

Segundo Fabio Assolini, diretor da Equipe Global de Pesquisa e Análise da companhia para a América Latina e Europa, o BeatBanker mostra como o cibercrime mobile está adotando uma abordagem cada vez mais profissional e modular.

Em vez de um único objetivo, o malware combina diferentes formas de monetização no mesmo dispositivo comprometido, desde mineração de criptomoedas até fraude bancária e espionagem digital, permitindo que os criminosos escolham a estratégia mais lucrativa em cada vítima." 

Esse modelo híbrido, complementa o especialista, aumenta significativamente o impacto das campanhas e reforça a necessidade de que usuários tratem seus smartphones com o mesmo nível de atenção à segurança que já dedicam aos computadores.

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Como se proteger do BeatBanker

A empresa afirma que a estratégia dos criminosos explora a confiança do público em serviços governamentais e marcas populares.

Por isso, recomendam evitar baixar aplicativos fora das lojas oficiais e desconfiar de links que prometem benefícios financeiros, como reembolsos do INSS. Veja todas as recomendações na íntegra:

  • Atenção aos links e mensagens: o link para estes sites que imitam o layout de lojas de aplicativo são a porta de entrada para o BeatBanker;
  • Verifique nos canais oficiais: antes de clicar em qualquer link, verifique se está no site ou aplicativo oficial da empresa;
  • Baixe aplicativos apenas em lojas oficiais: Apple App Store e Google Play, mas lembre-se de que nem mesmo baixar aplicativos em lojas oficiais é isenta de riscos;
  • Nunca baixe aplicativos de fontes desconhecidas: para usuários de Android, é crucial desativar a função "instalar de fontes desconhecidas" nas configurações do seu aparelho;
  • Tenha uma proteção no celular para evitar instalar app falsos: ele é capaz de detectar e bloquear links maliciosos e a instalação de arquivos perigosos, como o Kaspersky Premium; 
  • Verifique as permissões dos aplicativos: pense cuidadosamente antes de permitir um aplicativo, especialmente quando se trata de permissões de alto risco, como Serviços de Acessibilidade;
  • Atualize seu sistema operacional e os aplicativos importantes: muitos problemas de segurança podem ser resolvidos instalando versões atualizadas do software.

"A Kaspersky continua monitorando o BeatBanker e suas variantes, fornecendo informações para proteger os usuários contra esta ameaça em evolução. Para mais informações técnicas sobre o trojan bancário, visite o blog da Kaspersky no Securelist", informou a empresa.

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Outras recomendações do governo orientam o segurado a desconfiar de qualquer ligação, mensagem ou e-mail que peça confirmação de dados ou ameace bloquear seu benefício. Caso receba uma ligação suspeita, não forneça informações e encerre a chamada imediatamente. Em caso de dúvida, ligue para a Central 135, acesse o site da ouvidoria ou aplicativo Meu INSS.

O que diz o INSS

O INSS informou que não solicita a confirmação de dados pessoais ou bancários por meio de links ou aplicativos enviados a segurados. Segundo o órgão, toda a comunicação e a prestação de serviços digitais são realizadas exclusivamente pelos canais oficiais, como o aplicativo Meu INSS, o site e a Central de Atendimento 135.

"É importante ressaltar que o Instituto não utiliza intermediários para a concessão de benefícios e jamais cobra taxas para a realização de serviços ou perícias médicas", disse em nota.

A orientação do INSS é não clicar em links de procedência desconhecida e a baixarem o aplicativo Meu INSS apenas nas lojas oficiais, como Google Play e App Store, verificando sempre se o desenvolvedor indicado é o Governo do Brasil.

"Caso o segurado identifique qualquer tentativa de golpe ou uso indevido da marca INSS, deve registrar a ocorrência imediatamente na Ouvidoria do INSS ou por meio da plataforma Fala.BR", afirma o Instituto.

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