Quase metade dos devedores abandona negociações antes de chegar ao atendente
Envato
São Paulo - Em um momento que o governo busca alternativas para ajudar os endividados, como o novo Programa Desenrola Brasil, estudar a realidade econômica desses devedores pode ajudar a apontar novos caminhos. De acordo com pesquisa da Monest, fintech especializada em recuperação de crédito, quase metade dos consumidores (48%) abandona negociações antes de qualquer interação real com algum atendente da plataforma em que está buscando quitar o débito.
Isso porque, segundo revela a pesquisa, a proposta não se encaixa no momento financeiro do devedor.
Ao mesmo tempo, 84% dos consumidores inadimplentes demonstram intenção de pagar suas dívidas. O principal entrave, segundo o levantamento, está em fatores como valor da entrada, juros, parcelamento.
Outro sinal do comprometimento do consumidor em acertar as contas é que somente 4% desistem após o acordo definido.
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Em abril, a proporção de famílias com dívidas atingiu novo recorde de 80,9% em abril, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
Mudança é estrutural
Para o estudo foram analisadas milhões de interações entre consumidores e a agente virtual de cobrança da Monest. Na avaliação de Thiago Oliveira, CEO e fundador da fintech, o mercado de cobrança passa por uma mudança estrutural em que o diferencial passou a ser quem entende melhor comportamento, contexto financeiro e intenção de pagamento.
Entre as opções oferecidas para saldar a dívida, 58% dos consumidores optaram pelo parcelamento, enquanto 27% decidiram pagar à vista, aponta o estudo.
No recorte por Estados, São Paulo lidera em volume de interações com a fintech, com 13,5 milhões de disparos realizados pela plataforma. A região Sul, no entanto, registrou as maiores taxas de conversão em acordos, com destaque para Santa Catarina (15,5% de taxa de acordo) e Rio Grande do Sul (14,3%). No Sudeste, São Paulo e Rio de Janeiro registram índices em torno de 10%.
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