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Quer renegociar uma dívida e ficar com o troco? Entenda como funciona

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Pesquisar bastante e ter um objetivo claro são pontos fundamentais para uma boa renegociação, caso contrário, pessoa pode acabar inadimplente - Envato
Pesquisar bastante e ter um objetivo claro são pontos fundamentais para uma boa renegociação, caso contrário, pessoa pode acabar inadimplente
Por Fabiana Holtz

22/02/2026 | 14h00

São Paulo, 22/02/2026 - Renegociar um empréstimo e ainda receber um troco é possível, entretanto, atente para as condições do contrato para não acabar engrossando a imensa fila de brasileiros endividados e inadimplentes.

Em janeiro, a proporção de famílias brasileiras com dívidas atingiu 79,5%, retornando assim ao pico histórico alcançado em outubro de 2025. O dado é da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Essa renegociação com troco vale para empréstimos já existentes de médio e longo prazos (como o financiamento de um imóvel ou veículo) e envolve a busca de melhores condições de crédito, com juros menores, explica Marcello Cacavallo, coordenador e professor dos cursos de Ciências Contábeis e Gestão Financeira da Universidade São Judas.

A renegociação com troco só é realmente vantajosa quando o objetivo é reduzir o valor da sua dívida atual ou resolver uma emergência sem recorrer a juros mais altos, como o do cartão de crédito ou cheque especial."

moedas e notas de real e uma calculadora

Leia também: Endividamento dos brasileiros cresce, mas inadimplência recua, diz CNC

Faz sentido renegociar a dívida?

Por sua dinâmica, essa modalidade de crédito não é uma opção viável para dívidas de cartão de crédito (rotativo) ou cheque especial, dívidas ativas de tributos como IPTU e IPVA, ou renegociações no programa Desenrola Brasil, cujo foco é a quitação da dívida. Também não é recomendada para dívidas que estão próximas do fim nem para cobrir gastos como viagens, roupas e festas. 

"A pessoa transforma um prazer momentâneo em uma dívida de longo prazo. Ou seja, compromete renda futura e isso traz instabilidade financeira", pondera Cacavallo.

A primeira recomendação para avaliar as vantagens de uma operação como essa é pesquisar bastante. Faça simulações com diversas instituições financeiras antes de fechar negócio, aconselham os especialistas em finanças pessoais. Isso porque a renegociação em geral resulta em um aumento do prazo total de endividamento.

Esse alongamento significa na prática que você continuará com a dívida pelo dobro do tempo, em média. "É uma opção de fôlego financeiro, mas será que vale a pena?", questiona o professor.

Atenção máxima para as condições. Embora renegociar possa representar a regularização da sua situação financeira, se mal analisada a situação pode acabar virando um problema sério no longo prazo.

Leia também: O que é margem consignável do INSS e como funciona?

O que deve pesar na renegociação?

Se o plano é usar o troco para quitar dívidas com juros mais altos, a operação pode fazer sentido. Agora se a intenção é financiar consumo ou gastos não essenciais, como viagens e festas, é possível que a melhor decisão seja continuar com o contrato atual e aguardar sua quitação no prazo previsto.

Para o professor da São Judas, para ser vantajoso, o custo efetivo da operação (que considera juros, seguro e outras tarifas e tributos) não pode ser maior que anterior. "Não poderá ter uma taxa de juros maior que a operação anterior".

Três pontos importantes

Embora o refinanciamento com troco proporcione de fato um alívio imediato pelo prazo maior para quitar a dívida, considere que essa é uma situação que pode ser temporária.

Ao reduzir o juro que incide sobre o débito, as parcelas ficam de fato menores, mas vão consumir o orçamento futuro pelo dobro do tempo. Em geral o prazo oferecido nas renegociações costuma duplicar o número de parcelas da dívida anterior.

Outro ponto importante são as exigências do novo contrato, que podem ser mais rigorosas e difíceis de cumprir.

Terceiro fator a ser considerado é que seu perfil precisa passar por uma análise de crédito antes da aprovação do refinanciamento. Além de tornar o processo um pouco mais complexo e demorado que o normal, a situação representa ainda mais estresse.

Como funciona a renegociação com troco?

Ao renegociar um empréstimo e escolher a opção com troco você entra em uma nova dívida com o mesmo valor. Com isso, o devedor é reembolsado das parcelas que já estavam pagas.

Para que haja troco no refinanciamento, primeiro deve existir um empréstimo em andamento, pontua o Serasa Experian. Essa é a condição necessária para o banco liberar ao devedor o mesmo valor em crédito que havia sido entregue anteriormente. Como o valor é o mesmo, é como se o empréstimo recomeçasse do zero.

Porém, o banco precisa considerar que, na quantia anterior, o devedor já havia pago parte das parcelas e, portanto, precisa ser reembolsado desse custo. Esse montante, então, é devolvido diretamente na conta do devedor. É isso que seria o troco.

Suponhamos que o tomador já pagou 24 parcelas em uma dívida original de R$ 10 mil contratada em 48 parcelas de R$ 400,00, explica o professor Cacavallo. O saldo devedor atual do empréstimo é de R$ 6 mil.

Na renegociação o banco propõe "voltar" o contrato para 48 meses com a mesma parcela de R$ 400,00. Na prática o banco vai quitar os R$ 6 mil de saldo devedor e irá entregar uma diferença em mãos do tomador (o novo valor liberado menos a dívida antiga).

Se o novo contrato for de R$ 10 mil, você recebe R$ 4 mil de troco, contudo a dívida voltará ao início."

Passo a passo

Se você decidiu que essa é a melhor opção para o momento, o primeiro passo é verificar quais bancos e instituições financeiras têm essa modalidade disponível. 

  • Faça simulações e compare taxas de juros, prazos e condições gerais. É possível considerar até a portabilidade com troco do empréstimo para um banco com taxas mais atrativas.
  • Escolhido o banco, envie a solicitação e aguarde pela análise de crédito do seu perfil. 

A partir desse ponto são definidas as novas condições do empréstimo, como prazo, valor das parcelas e taxa de juros. O banco, então, quita o contrato original e gera um novo empréstimo com as alterações negociadas. 

O troco é pago após a finalização do processo, quando o valor é liberado ao solicitante.

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