Repasses de consignado ao Master foram bloqueados, diz presidente do INSS
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16/01/2026 | 09h33
São Paulo, 16/01/2026 - O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) reteve, desde setembro, todos os valores que seriam repassados ao Banco Master referentes a 254 mil contratos de crédito consignado - aproximadamente R$ 2 bilhões.
O presidente do órgão, Gilberto Waller, explicou, em entrevista à GloboNews, que a medida foi tomada após a constatação de várias irregularidades.
"Solicitamos a cópia dos contratos desses aposentados e pensionistas e, quando a gente recebe, recebe com surpresa. Contrato não é claro, não está de acordo com a instrução normativa do INSS, não tem taxa de juros, custo efetivo. O contrato aquém do necessário.
A assinatura do segurado vinha como se fosse assinatura eletrônica, mas sem o QR Code para confirmar", relatou.
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Segundo Waller, "não liberamos mais o recurso para o Banco Master ou para o liquidante ou para quem ele cedeu o crédito até a comprovação de que essa assinatura é do nosso aposentado e pensionista".
Uma reunião com o liquidante está marcada para a próxima semana; o banco terá prazo para regularizar a documentação. "Não comprovando que a assinatura seja idônea, a gente cancela e devolve para aposentado e pensionista", avisou.
Repasses ao INSS
Os bancos pagarão ao INSS R$ 148 milhões como ressarcimento pelos custos incorridos pelo órgão para a operacionalização de empréstimos consignados a segurados e pensionistas, segundo Gilberto Waller.
"Tem servidores, sistema, ouvidoria. Até 2022 esse custo única e exclusivamente do Tesouro. Não é justo, porque o INSS não ganha com consignado", afirmou Waller.
Desde maio do ano passado vinha sendo negociado com Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Associação Brasileira de Bancos (ABBC) para que o INSS fosse ressarcido, e os bancos estão começando a pagar, dissse o presidente.
O valor que cada banco deverá desembolsar será calculado anualmente. "Verifica-se quanto foi o custo operacional daquele ano, e divide-se pelas instituições financeiras de acordo com a quantidade de empréstimos consignados que eles fazem", detalhou.
Em dezembro, havia 65 milhões de contratos ativos, que somavam R$ 9,27 bilhões por mês em descontos nos benefícios.
Waller destacou ainda que, com o veto presidencial ao projeto que tirava do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) a competência para definir o teto de juros, seguem valendo os limites de 1,80% ao mês para empréstimo pessoal e 2,40% para cartão consignado.
(Por Gustavo Niocoletta)
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