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Microempreendedores já são 27% da força de trabalho; 50+ lideram movimento

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A faixa de microempreendedores com mais de 60 anos saltou de 12,1% para 14,7% do total nacional - Adobe Stock
A faixa de microempreendedores com mais de 60 anos saltou de 12,1% para 14,7% do total nacional
Por Alessandra Taraborelli

02/07/2026 | 18h35

São Paulo - O mercado de trabalho tradicional pode até impor barreiras e tentar ditar regras para quem passou dos 50 ou 60 anos, mas a realidade prática dos brasileiros mostra uma história de virada, autonomia e protagonismo. De acordo com o estudo "Todos Podem Empreender", o microempreendedorismo no País deixou de ser uma alternativa residual ou um bico temporário para se consolidar, definitivamente, como o segundo maior bloco de ocupação de toda a economia nacional.

Ao final de 2025, esse contingente alcançou a marca histórica de 27,9 milhões de pessoas, o que representa mais de 27% de toda a força de trabalho ocupada no Brasil. E quem está liderando grande parte desse movimento? A geração que esbanja bagagem, resiliência e experiência de vida.

Boom da maturidade no empreendedorismo

De acordo com o estudo, conduzido pela Aliança Empreendedora com análise econômica do economista Daniel Duque, o perfil de quem toca o próprio negócio no País passou por transformações qualitativas na última década. Entre os dados, destaca-se o amadurecimento real do grupo: a faixa de microempreendedores com mais de 60 anos saltou de 12,1% para 14,7% do total nacional.

A pesquisa anlisa o cenário do microempreendedorismo no Brasil cobrindo o período de 2016 a 2025 , utilizando como base os dados mais recentes disponíveis até o quarto trimestre de 2025.

Esse indicador revela que o negócio próprio tornou-se a principal estratégia de permanência ativa, produtiva e digna no mercado para os trabalhadores de cabelos brancos. Longe de ser um movimento por mera conveniência, a maturidade encontrou no empreendedorismo o caminho ideal para assegurar uma renda maior para a família e canalizar uma potência concreta dentro de seus territórios.

Migração para serviços

Se alguém ainda pensa que o empreendedor maduro parou no tempo, os dados derrubam esse preconceito. O estudo aponta um salto no capital humano dos microempreendedores brasileiros. A proporção de trabalhadores por conta própria com ensino superior completo disparou de 12% para mais de 20%, enquanto a fatia daqueles que não haviam concluído o ensino fundamental recuou drasticamente (de 35% para menos de 25%).

Essa evolução reflete uma população mais qualificada buscando o empreendedorismo, seja por vocação ou pelo fenômeno da pejotização de profissionais experientes, pelo qual profissionais são contratados como pessoa jurídica. 

Aliado a isso, o mercado mudou de rota. A dinâmica setorial mostra que o comércio tradicional e a agropecuária perderam espaço para uma base fortemente orientada a serviços e consumo cotidiano. O destaque ficou com o setor de serviços pessoais, que expandiu sua participação de 7% para 8,6% do mercado. É a inteligência, o atendimento consultivo e a sabedoria prática da experiência sendo monetizados.

Renda com a formalização

No entanto, o relatório traz um alerta sobre o chamado "hiato da informalidade". Atualmente, cerca de dois terços dos pequenos negócios no País (19,5 milhões) ainda operam na invisibilidade administrativa, ou seja, sem registro no CNPJ.

A pesquisa demonstra de forma contundente que a formalização (como o MEI ou microempresa) não é uma mera burocracia ou cobrança de imposto — ela é o verdadeiro divisor de águas para o bolso do empreendedor:

  • Empreendedores fnformais - sem CNPJ: Enfrentam uma barreira invisível de crescimento. A renda real desse grupo permaneceu praticamente estagnada em torno de R$ 2.000 por mês ao longo de toda a última década.
  • Empreendedores formalizados - com CNPJ: Apresentam maior resiliência a crises e rendimentos significativamente superiores, alcançando uma média de R$ 6.500 por mês.

Por que essa diferença?

No pós-pandemia, a economia se digitalizou. O empreendedor formalizado consegue emitir notas fiscais, fechar contratos com grandes empresas, acessar maquininhas com taxas melhores e construir um histórico financeiro para obter crédito bancário mais barato. Estatisticamente, a transição para a formalidade gera um ganho médio de 9,5% na renda do trabalhador,  corrigindo gargalos que antes o mantinham estagnado. 

Infraestrutura e conectividade digital

Para os empreendedores 50+, o estudo traz um dado que serve de incentivo: o acesso à tecnologia acelera a formalização e o faturamento. De acordo com os modelos econômicos aplicados, a presença de internet de qualidade no domicílio aumenta em 2,8 pontos percentuais a probabilidade de o empreendedor regularizar e expandir seu negócio no ano seguinte.

O contexto digital potencializa o efeito da formalização, gerando muito mais valor para quem aprende a utilizar as ferramentas virtuais para vender e se conectar com novos clientes.

Empreender sem desproteger

Uma das reflexões trazidas pelo estudo diz respeito à relação entre a inclusão produtiva e a proteção social. Para muitos que começam a empreender na maturidade, existe o medo legítimo de perder o apoio de redes de proteção governamentais ou benefícios em momentos de irregularidade no faturamento.

O relatório defende que o fortalecimento dos negócios e a segurança social devem caminhar de mãos dadas. Mecanismos como a assistência técnica, o crédito produtivo orientado e as regras de transição — que mantêm amparado o trabalhador que está começando a faturar — são fundamentais para que as oscilações naturais de mercado não signifiquem um retorno à vulnerabilidade econômica. Proteção e autonomia podem e devem dialogar.

Impacto de R$ 181 bilhões no PIB

A potência de quem empreende na maturidade não transforma apenas a realidade do próprio lar, ela move o Brasil inteiro. Quando um microempreendedor estabiliza seu negócio e prospera, ele consome mais no comércio do bairro, contrata ajudantes locais e faz o dinheiro circular de mão em mão.

As simulações projetadas no estudo para o horizonte de 2030 apontam que, se o País adotar políticas eficientes que elevem a taxa nacional de formalização em 10 pontos porcentuais, o acréscimo no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro chegará a R$ 181 bilhões. Isso equivale a injetar, em média, R$ 70 mensais por habitante diretamente na economia nacional.

E você, já passou dos 50 e está pensando em empreender? Compartilhe sua experiência nos comentários abaixo.

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