Vai ter novo tarifaço dos EUA sobre o Brasil? Veja o que está em jogo
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São Paulo - O Brasil tem até 15 de julho para se defender da imposição de um novo tarifaço dos Estados Unidos contra uma série de produtos produzidos por nós e importados pelos norte-americanos. Nesta segunda-feira, o assunto que tem mobilizado em especial os setores do agronegócio e da indústria de alimentos será tema de audiência pública em Washington.
Os representantes brasileiros devem se defender das acusações dos EUA de práticas comerciais desleais que tem como punição a imposição de uma sobretaxa de 25%.
Em outra audiência, essa marcada para terça-feira, 7, a defesa rebaterá argumentos do processo que incluiu o Brasil na lista de 60 países acusados de importar mercadorias produzidas com trabalho análogo à escravidão ou forçado. Nesse caso, os norte-americanos acusam o Brasil de falhas no combate ao trabalho escravo para impor uma sobretaxa de 12,5%.
Qual o motivo para o novo tarifaço?
A sobretaxação é baseada em um relatório de 98 páginas do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) que sugere a sobretaxação de 60 economias. No documento, o órgão informa ter consultado diretamente os governos de 46 países, incluindo o Brasil, sobre as políticas e as ações em relação ao trabalho forçado.
Iniciada no dia 12 de março, a investigação teve audiências públicas no fim de abril e recebeu 455 contribuições de interessados no assunto, de acordo com o relatório.
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Como o Brasil vai se defender?
A alegação de representantes do Brasil é que o tarifaço, caso entre em vigor, prejudicará produtores dos EUA que dependem de insumos brasileiros. O argumento central da defesa é de que a sobretaxa não se sustenta do ponto de vista jurídico, econômico e estratégico.
Os representantes do Brasil esperam sentir ao longo das audiências a real disposição dos Estados Unidos em endurecer ou não a relação comercial com o Brasil. O assunto que tem tomados as manchetes dos cadernos de economia nos últimos dias uniu empresas, entidades de classe e autoridades brasileiras na tentativa de reduzir os impactos econômicos da medida.
Entre as entidades confirmadas para participar da audiência estão a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que devem ter seus argumentos apresentados pelo embaixador Roberto Azevêdo. Também pediram participação associações das indústrias de calçados (Abicalçados), máquinas (Abimaq) e ferro-gusa (Sindifer), que vão solicitar a exclusão de seus produtos do tarifaço.
Associações e empresas tanto do varejo quanto da indústria dos EUA, incluindo vestuário, calçados e aço, também se inscreveram para participar da audiência de hoje.
As manifestações já foram encaminhadas ao gabinete do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), responsável por conduzir o processo, no âmbito da Seção 301, sobre políticas e práticas que supostamente prejudicam empresas americanas no Brasil.
O alerta é que as sanções tarifárias propostas pelos norte-americanos são nocivas e terão efeito bumerangue: tendem a prejudicar mais a própria economia americana do que “disciplinar”, como quer Trump, o mercado brasileiro.
Diante de novas barreiras comerciais dos EUA, uma possível reação do Brasil, apontam professores da FIA Business School, deve ser acelerar a busca por novos acordos comerciais como parceiros na Ásia, Oriente Médio e América Latina.
Outra lição tirada desse embate comercial é como a questão, que envolve basicamente decisões políticas, pode ter impacto direto na economia doméstica, com reflexos em investimentos, geração de empregos, preços e competitividade das empresas brasileiras.
(Por Eduardo Laguna)
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