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Ancelotti evita 'terra arrasada' e explica Bruno no pênalti: Brasil deixa a Copa com novo fracasso

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Jogadores do Brasil formam uma roda antes da partida contra a Noruega - CBF
Jogadores do Brasil formam uma roda antes da partida contra a Noruega
Por Robson Morelli

06/07/2026 | 00h22

New Jersey — Carlo Ancelotti saiu da Copa com a mesma serenidade com que entrou nela. Não aumentou o tom de voz, não procurou culpados e não tratou a eliminação para a Noruega como o fim do mundo. Foi mais italiano do que brasileiro. Disse que o Brasil precisa manejar a tristeza, olhar para frente e pensar no futuro. Mas para o torcedor, esse futuro é incerto, a não ser pela sua renovação de contrato. O problema é que o torcedor não viu futuro no MetLife Stadium. Viu fracasso. Mais um diante dos europeus.

A seleção perdeu por 2 a 1 para a Noruega, levou dois gols de Haaland, caiu nas oitavas de final e encerrou mais um ciclo sem levantar a taça. É a eliminação mais precoce do Brasil em Copas desde 1990, quando o time de Sebastião Lazaroni parou na Argentina de Maradona. De lá para cá, houve quedas duras, traumáticas e doloridas. Mas tão cedo.

Ancelotti tentou dar outro peso ao resultado, mas na contramão do sentimento do torcedor brasileiro. É o sexto fracasso do time em Copas seguidas, de 2006 até 2026, e sempre para rivais da Europa.

Temos de manejar a tristeza e amanhã vamos pensar no futuro dessa equipe, que já tem um grupo de jovens e muitos veteranos que poderão ser utilizados ainda.”

A frase tem cara de recomeço, mas totalmente fora de contexto após uma eliminação precoce. Mas a queda tem outra cara: a de fim de linha para muitos atletas.

O treinador italiano disse que o Brasil controlou boa parte da partida. Mas não foi nada disso. A Noruega teve 66% de posse de bola e trocou o dobro de passes do Brasil. Pode até ser verdade em alguns poucos números do jogo e em alguns momentos da disputa. Mas a Copa do Mundo não é vencida por controle aparente. É vencida por decisão, frieza, área, goleiro, estrela e força nos detalhes.

Haaland fez os dois gols na Noruega

A Noruega teve Haaland e o Brasil não teve ninguém. O Brasil teve a bola do jogo, teve Neymar cobrando pênalti no fim, teve Vini Jr. apagado no lance decisivo e teve Bruno Guimarães desperdiçando uma cobrança quando o jogo ainda estava 0 a 0. Esse pênalti vai ficar na história, como tantos outros perdidos.

Vini Jr. estava com a bola nas mãos, mas entregou ao camisa 8 por determinação de Ancelotti. O treinador explicou que a escolha de Bruno Guimarães foi técnica, dos treinos nos Estados Unidos. A primeira opção nunca foi Vini. A comissão entendeu que Bruno era o nome mais preparado na hora. Não era.

Escolhemos o Bruno porque entendemos que era a melhor opção do Brasil. Porque fizemos uma estatística de um ano de jogadores rivais e dos nossos. O melhor a bater pênalti é Neymar, depois o Igor Thiago, depois o Raphinha, depois o Bruno Guimarães e depois o Martinelli.”

Vini deveria ter cobrado. Os craques dos times são sempre os batedores, como Harry Kane e Mbappé.

Vini aceitou não cobrar. Bruno perdeu. Haaland não perdoou. Neymar ainda marcou o dele em sua despedida, também de pênalti, mas apenas quando o jogo já caminhava para o fim e a Noruega vencia por 2 a 0. Foi o último gol de Neymar pelo Brasil em Copas. Talvez o último pela seleção. O camisa 10 deixa o Mundial como símbolo de uma era que já tinha acabado antes mesmo de começar de novo. Ele disputou quatro Copas e fracassou nas quatro.

Fim de linha para alguns atletas, como Neymar

Ancelotti estava profundamente chateado, mas não abatido a ponto de rasgar o projeto. Disse que continuará trabalhando, que buscará novas ideias e novos caminhos, além de novos jogadores. Pouco antes da Copa, renovou com a CBF até 2030 por R$ 5 milhões. Em tese, será o treinador do Brasil no ciclo que levará ao Mundial de Portugal, Espanha e Marrocos. Na prática, começará quase do zero.

O Brasil que saiu da Copa contra a Noruega não será o Brasil do próximo Mundial. Danilo, Casemiro e Neymar não estarão no próximo ciclo. São nomes pesados, de história e liderança, mas também símbolos de uma geração que não conseguiu devolver a seleção ao topo. O que mais dói no torcedor é perder para uma Noruega sem tradição e precocemente. A Copa perde sem o Brasil. Mas o Brasil perde muito mais sem a Copa. Já são 24 anos desde o último título, em 2002.

A primeira experiência de Ancelotti como técnico de uma seleção terminou cedo demais. Aos 67 anos, pentacampeão da Champions League, multicampeão por Milan e Real Madrid, Ancelotti descobriu que Copa do Mundo não dá tempo para ajuste fino eterno nem para falta de coragem. Ele teve boas ideias, mexeu no time, encontrou soluções, mas caiu antes de o Brasil virar uma equipe confiável de verdade. Ele é o maior responsável pelo fracasso.

O discurso do treinador será repetido nos próximos dias. Falará em aprendizado, continuidade, tristeza e futuro. Tudo isso faz parte. Mas a verdade é mais simples e mais dura: o Brasil fracassou. Não caiu para uma seleção qualquer, porque a Noruega tem Haaland e um time competitivo que soube jogar, ficou com a bola e não se intimidou. O Brasil caiu cedo e sem convencer o seu torcedor de que estava perto de voltar a ser campeão do mundo.

Avião do Brasil deixa os EUA na terça-feira

O novo ciclo já começa em setembro, quando a seleção fará dois amistosos contra a Austrália, em Townsville e Brisbane. Serão os primeiros passos para 2030 e já pensando na Copa América de 2028. A CBF deixa os Estados Unidos em voo fretado para o Rio de Janeiro na terça-feira. Mas os jogadores já estão liberados. A Copa acabou para o Brasil. O discurso de futuro já começou. Mas o presente, mais uma vez, termina em frustração individual e coletiva.

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