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Brasil x Japão: retrospecto anima, mas derrota recente alerta Ancelotti

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Japão empata com a Suécia e vai enfrentar o Brasil no primeiro mata-mata da Copa - Instagram / Fifa
Japão empata com a Suécia e vai enfrentar o Brasil no primeiro mata-mata da Copa
Por Robson Morelli

25/06/2026 | 23h15

Nova York — A história manda o Brasil se empolgar contra o Japão no primeiro mata-mata da Copa. O retrospecto é amplamente favorável, quase esmagador: em 14 jogos, foram 11 vitórias brasileiras, dois empates e apenas uma derrota. O aproveitamento é de 83%. Mas o último encontro entre as duas seleções impede qualquer clima de passeio no confronto do chaveamento dos 16 avos do Mundial.

A derrota por 3 a 2, em outubro de 2025, ainda serve de alerta para o time de Carlo Ancelotti. Foi um amistoso. Em Nova York, bares ficaram lotados de torcedores do Japão à espera da classificação. Depois do empate, houve uma mistura de festa e de apreensão. Ainda assim, o Japão mostrou que já não pode ser tratado como rival exótico ou apenas disciplinado. É uma seleção madura, competitiva e capaz de castigar erros.

Não era o melhor rival, mas está definido. O Brasil vai enfrentar o Japão na segunda fase em Houston. A seleção asiática empatou com a Suécia por 1 a 1 nesta quinta-feira, garantiu a vaga no mata-mata como vice-líder do Grupo F e cruzará o caminho brasileiro na próxima segunda-feira, às 14h, no NRG Stadium.

Um jogo apenas em Copas

Em Copas do Mundo, Brasil e Japão se enfrentaram apenas uma vez. Foi em 2006, na Alemanha. A seleção brasileira, então comandada por Carlos Alberto Parreira, já estava classificada e goleou por 4 a 1 na última rodada da fase de grupos. O Japão, treinado por Zico, precisava vencer para tentar avançar. Até saiu na frente com Tamada, mas levou a virada com dois gols de Ronaldo, um de Gilberto e outro de Juninho Pernambucano, todos eles ex-jogadores. Era outro Brasil, de outros personagens e outra relação de força com o Japão. O futebol japonês, porém, cresceu desde então.

Zico foi um dos responsáveis por abrir caminhos e modernizar a modalidade no país. Hoje, a seleção asiática chega à Copa com disciplina tática, jogadores espalhados por ligas fortes e capacidade real de competir. O Brasil terá mais dificuldades para bater o Japão do que teve nos três primeiros jogos da fase inicial.

O duelo quase aconteceu em outras duas Copas. Em 2018, o Brasil venceu o México nas oitavas e esperou o vencedor de Bélgica x Japão. Os japoneses chegaram a abrir 2 a 0 no segundo tempo, mas sofreram a virada por 3 a 2 nos acréscimos. Quatro anos depois, no Catar, a seleção goleou a Coreia do Sul e aguardou Croácia x Japão. De novo, os japoneses saíram na frente, permitiram o empate e caíram nos pênaltis.

Brasil terá de jogar para avançar às oitavas

O Japão melhorou de lá para cá. Mas isso não quer dizer que seja páreo para o Brasil. Não é. Mas isso também não quer dizer que o time de Ancelotti já se classificou. Terá de jogar e fazer por merecer a vitória.

Esse histórico recente mostra uma característica importante do rival brasileiro. O Japão sabe competir, sabe executar plano de jogo e costuma incomodar seleções mais fortes. O problema é sustentar vantagem e lidar com momentos de pressão. Contra a Suécia, nesta quinta, a equipe confirmou a vaga, mas também voltou a mostrar dificuldades de definição e falhas pontuais na defesa. É um time organizado, mas não imune.

Para Ancelotti, o confronto chega em um momento favorável. O Brasil fez sua melhor partida na Copa contra a Escócia, venceu por 3 a 0, confirmou a liderança do grupo e ganhou uma cara. Vini Jr. vive grande fase. Matheus Cunha virou peça central do sistema ofensivo. Neymar voltou a jogar alguns minutos. Bruno Guimarães cresceu. A seleção parece mais pronta para o mata-mata do que estava na estreia da Copa, certamente.

Mas a seleção brasileira é favorita 

Ainda assim, o Japão não será apenas um adversário de currículo menor. Ritsu Doan é um dos nomes de maior talento da equipe. A disciplina coletiva costuma ser o ponto forte dos asiáticos. Eles não têm o peso histórico do Brasil, mas também não entram mais em campo apenas para resistir. Essa talvez seja a maior diferença entre o Japão de 2006 e o de 2026.

O Brasil carrega o favoritismo, o retrospecto e a obrigação. O Japão carrega a lembrança recente de que já venceu esse time de Ancelotti e a confiança de quem atravessou um grupo competitivo. A segunda fase da Copa começa com uma armadilha clássica: um confronto em que a história aponta um lado, mas o último capítulo recomenda cuidado.

Todos os jogos entre Brasil e Japão

Brasil 1 x 0 Japão — Amistoso em 1989
Brasil 3 x 0 Japão — Amistoso em 1995
Brasil 5 x 1 Japão — Amistoso em 1995
Brasil 3 x 0 Japão — Amistoso em 1997
Brasil 2 x 0 Japão — Amistoso em 1999
Brasil 0 x 0 Japão — Copa das Confederações 2001
Brasil 2 x 2 Japão — Copa das Confederações 2005
Brasil 4 x 1 Japão — Copa do Mundo 2006
Brasil 4 x 0 Japão — Amistoso em 2012
Brasil 3 x 0 Japão — Copa das Confederações 2013
Brasil 4 x 0 Japão — Amistoso em 2014
Brasil 3 x 1 Japão — Amistoso em 2017
Brasil 1 x 0 Japão — Amistoso em 2022
Brasil 2 x 3 Japão — Amistoso em 2025

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