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Cristiano Ronaldo chora aos 41 anos e vê a Copa escapar pela última vez

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Cristiano Ronaldo faz o seu último jogo na Copa: derrota para a Espanha por 1 a 0 - Instagram / Cristiano Ronaldo
Cristiano Ronaldo faz o seu último jogo na Copa: derrota para a Espanha por 1 a 0
Por Robson Morelli

06/07/2026 | 21h04 ● Atualizado | 21h05

Nova York — Cristiano Ronaldo chorou como quem sabia que não estava perdendo apenas um jogo. Aos 41 anos, o atacante viu Portugal cair diante da Espanha, por 1 a 0, nas oitavas de final da Copa do Mundo, e deixou o gramado com cara de despedida. Foi o seu sexto Mundial. Provavelmente, o último. Nunca se sabe em se tratando do atleta português.

Ele nasceu em 5 de fevereiro de 1985. Portanto, tinha 21 anos quando disputou a sua primeira Copa do Mundo. Era um "miúdo". Mas tornou-se o melhor jogador de todos os tempos de Portugal, mais até do que Eusébio, o craque da seleção e do Mundial de 1966.

A Espanha venceu com um gol de Merino aos 45 minutos do segundo tempo, quando tudo caminhava para mais 30 minutos de "vida" para Cristiano Ronaldo. Foi um golpe cruel, desses que a Copa costuma reservar aos grandes personagens quando eles já não têm mais tempo para reagir.

Cristiano Ronaldo jogou os 90 minutos, tentou, finalizou três vezes, acertou dez dos 11 passes que deu, mas não conseguiu mudar o destino português. Cristiano está para Portugal assim como Pelé está para o Brasil e Messi e Maradona para a Argentina.

Chega ao fim a era Cristiano Ronaldo?

Quando o apito final confirmou a eliminação, Cristiano Ronaldo desabou emocionalmente. Chorou ainda em campo, cercado por companheiros, adversários e câmeras. A cena foi forte porque carregava mais do que a queda de Portugal. Tinha o peso de fim de uma era. A era Cristiano Ronaldo. O jogador que transformou a seleção portuguesa em uma presença constante entre os grandes do mundo deixava a Copa sem o título que perseguiu por duas décadas, mas com um legado eterno. CR7 sai de cena para entrar para a história.

Ele disputou os Mundiais de 2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026. Muitos reis não seguraram a coroa por tantos anos. Cristiano Ronaldo segurou. Foram seis Copas, 27 jogos e 11 gols, além de uma presença marcante em campo. O atacante deu vida ao futebol português. E deu a sua vida à seleção.

Ninguém pode dizer que ele passou pequeno pelo torneio da Fifa. Mas também é verdade que a Copa nunca se entregou a ele. Assim como aconteceu com outros gênios do futebol, o Mundial foi o território onde sua grandeza encontrou limite e no cenário onde seus sonhos nunca se realizaram. Mas, como já foi dito, nesse relacionamento entre Copas e craques, azar da Copa que Cristiano Ronaldo nunca ganhou uma. Ele merecia.

Em 2030, Cristiano Ronaldo terá 45 anos

Antes da partida contra a Espanha nesta segunda-feira, o atacante preferiu deixar o futuro em aberto. Irritou-se com a insistência sobre uma possível despedida aos 41 anos e respondeu com a autoridade de quem sempre tentou controlar a própria narrativa.

Vou terminar quando eu quiser, não quando vocês (jornalistas) quiserem. É uma perda de tempo fazerem sempre a mesma pergunta, se é o meu último Mundial. Vamos ver.”

O problema é que a Copa raramente espera. Em 2030, Cristiano terá 45 anos. Por mais que ele tenha desafiado o tempo como poucos atletas da história, é difícil imaginar outro Mundial em seu caminho. Por isso, o choro depois da derrota teve gosto de adeus, ainda que ele não tenha dito isso de forma definitiva. Mas o seu corpo talvez já lhe tenha dito isso.

Cristiano Ronaldo deixa as Copas como o maior nome da história de Portugal. Pela seleção, são 233 jogos, 146 gols e 46 assistências. Números de uma carreira quase impossível de repetir. Ele foi campeão europeu, venceu a Liga das Nações, mudou a dimensão da camisa portuguesa e levou o seu país a um patamar que não existia antes dele.

Faltou, é verdade, ganhar uma Copa. Faltou o troféu que coloca qualquer craque em outra prateleira emocional. Cristiano Ronaldo teve grandes momentos, gols importantes e recordes históricos, mas nunca conseguiu transformar Portugal em campeão do mundo. Nem ele nem nenhum outro antes dele.

Seu reinado durou 20 anos

Contra a Espanha, no clássico ibérico desta edição, Portugal deu adeus no detalhe. Um gol no fim. Uma eliminação dura. Um choro que explicou o tamanho da perda e o sentimento de uma nação. O Brasil teve a chance de fazer o mesmo um dia antes com Neymar, mas a história do jogador brasileiro tomou outros rumos.

A imagem de Cristiano Ronaldo chorando no gramado talvez seja uma das mais simbólicas deste Mundial. Não eram lágrimas apenas de um jogador eliminado. Eram de uma despedida sem querer se despedir, a tal "primeira morte" dos jogadores. O futebol viu, durante mais de 20 anos, um atleta lutar contra rivais, recordes, críticas e contra o próprio tempo. Mas ele sempre soube que apenas o tempo seria capaz de vencê-lo.

Cristiano Ronaldo ainda pode continuar por Portugal. Pode jogar mais partidas, marcar mais gols e escolher o próprio fim, como fez questão de dizer em sua entrevista. Mas, provavelmente, não haverá outra Copa do Mundo para ele. E, se foi mesmo o último ato, ele terminou como viveu quase tudo na carreira: no centro das atenções, carregando Portugal e chorando por não conseguir ir além. Obrigado, Cristiano Ronaldo.

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