Do penta ao 7 a 1: Felipão leva experiência de duas Copas à seleção
Divulgação/CBF
São Paulo - Felipão esteve com Carlo Ancelotti e com os jogadores do Brasil na Granja Comary nesta quinta-feira. O treinador gaúcho conhece bem Teresópolis. Luiz Felipe Scolari esteve em duas oportunidades à frente da seleção brasileira. Ganhou e perdeu uma Copa do Mundo, nessa ordem. Foi aplaudido e execrado. Viveu as duas faces da moeda.
Em 2002, seu nome apareceu quase que naturalmente para "salvar" o Brasil nas Eliminatórias no lugar de Emerson Leão, demitido por falta de bons resultados. A seleção corria riscos de não disputar aquela Copa.
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Felipão formou a "Família Scolari" antes mesmo de ter a vaga assegurada, fechou o grupo com os atletas em quem confiava, apostou em Ronaldo e Rivaldo, deixou Romário fora e escolheu Marcão para fechar o gol em detrimento de Rogério Ceni e Dida. Fez o que se esperava dele.
Felipão sugeriu a 'Família Ancelotti' na seleção
Na Granja Comary 24 anos depois, ele abraçou o elenco, deu força e confiança para Carlo Ancelotti e seus pares da comissão e se colocou à disposição para o que der e vier. Felipão vai ser comentarista da Globo durante a competição em trabalho inédito na emissora. Ele é gestor no Grêmio.
Seu recado foi o mesmo que o moveu na Copa do Mundo de 2002, quando o Brasil foi penta. O último campeão do mundo com a seleção disse aos atletas para formarem um grupo unido e fechado. Serão oito jogos até a final nos Estados Unidos, Canadá e México. Também contou sobre o lado bom de ganhar uma Copa do Mundo.
Como é bom ser campeão do mundo, e vocês têm toda essa possibilidade. É difícil, se fechem entre vocês. Vocês foram escolhidos e fazem parte de uma elite. E essa elite tem de saber: ‘eu jogo pelo outro, eu faço pelo outro.’”
A CBF não autorizou que os jornalistas participassem da palestra de Felipão aos atletas na casa da seleção em Teresópolis. Em 2002, no entanto, o relacionamento do treinador com os repórteres na Coreia do Sul e no Japão era tenso e bom ao mesmo tempo.
Felipão gostava de uma resenha e não foram poucas as vezes em que se juntou aos jornalistas após os treinos na cidade de Ulsan, antes da competição e onde a CBF montou o seu centro de treinamento na Coreia do Sul, para bater papo, falar de futebol e da competição, contar histórias e dar boas risadas.
Felipão era austero, mas também bonachão
Fez isso sem perder a concentração do seu trabalho ou mesmo sobre o que estava fazendo ali. Felipão misturava a austeridade de um pai e o carinho de um avô. Tinha por Cafu e Roberto Carlos uma estima enorme. Adorava Ronaldinho Gaúcho. Chorou quando teve de cortar Emerson, machucado, e convocar Ricardinho. Confiava a vida nas mãos do goleiro Marcos.
Ancelotti se parece mais com a segunda versão do Felipão, a de um avô que deseja o bem de todos os netos. Mas da mesma forma que o treinador pentacampeão do mundo, o italiano sabe onde pisou ao aceitar comandar a seleção brasileira e o tamanho da cobrança e pressão que sofrerá nos próximos 50 dias. Campeão nos quatro cantos da Europa, Carleto é quase um debutante em Copas. Daí a sua necessidade de abrir as portas da Granja para quem já esteve lá e foi campeão. Poderia ter chamado Carlos Alberto Parreira também. Ele foi o técnico do tetra.
Após a sua palestra nesta quinta-feira, Felipão ficou para o treino do time. Matou saudade dos tempos de seleção e do trabalho com o apito na mão. Ele sempre gostou de ser treinador, nunca escondeu isso.
Mas nem tudo foram flores para Scolari na seleção brasileira. Em 2014, ao lado de Parreira, ele viveu o outro lado da moeda. O dissabor da derrota. Mas não foi uma derrota qualquer. Felipão comandou o Brasil no fracasso do time naquela Copa, quando a seleção perdeu para a Alemanha por 7 a 1, num dos maiores vexames da história do futebol nacional. Naquele Mundial, ele comandou Neymar, que vai para a sua quarta Copa do Mundo.
Essa é a equipe do Brasil. E saibam que um tem de fazer pelo outro e tem de cobrar e aceitar o outro. Aceitar é muito difícil. Vocês têm um cara que irá comandar vocês e que conhece de futebol. Portanto, aceitem, dialoguem, conversem.”
O dissabor da Copa de 2014 ainda ecoa no Brasil. Além de ser eliminado na semifinal pela Alemanha no Mineirão, em Belo Horizonte, o time, arrasado e esfacelado, também caiu na disputa do terceiro lugar para a Holanda, com derrota por 3 a 0 em Brasília, no Estádio Mané Garrincha.
Felipão foi contar um pouco da sua experiência em duas Copas do Mundo, o que deu certo e o que não deu, para a seleção que embarca nesta segunda-feira para mais um Mundial. E, como sempre, com a esperança renovada.
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