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Espanha vence com seu futebol paciente e insistente; Ferran é o novo herói

Robson Morelli/VIVA

Com maior posse de bola, Espanha vence a Argentina na final da Copa do Mundo 2026 - Robson Morelli/VIVA
Com maior posse de bola, Espanha vence a Argentina na final da Copa do Mundo 2026
Por Robson Morelli

19/07/2026 | 20h10

Nova Jersey — A Copa do Mundo precisava de um herói. E ele se chama Ferran Torres. O atacante saiu do banco, entrou no lugar de Oyarzabal e apareceu no começo do segundo tempo da prorrogação para fazer o gol que decidiu a final no MetLife Stadium. A Espanha venceu a Argentina por 1 a 0, engoliu Messi e seus companheiros durante 120 minutos e voltou ao topo do futebol mundial.

O gol de Ferran apresentou ao planeta o novo campeão do mundo. A Espanha de Rodri, Lamine Yamal, Pedri, Dani Olmo e Luis de la Fuente conquistou a Copa de 2026 com o seu futebol paciente, insistente e, para muitos adversários, irritante.

A "La Roja" não tem pressa. Toca, roda, espera, chama o rival para correr atrás da bola e vai minando o adversário como quem aplica socos no fígado em uma luta de boxe.

A última Copa de Messi?

A Argentina resistiu enquanto pôde. Mas resistiu mais do que jogou. A Argentina perdeu sem acertar um chute ao gol. Foi presa fácil desta vez.

Messi, aos 39 anos, foi até onde o corpo permitiu. E foi longe demais para alguém em sua sexta Copa do Mundo. Desta vez, porém, não conseguiu decidir. Esteve longe do seu melhor. O camisa 10 se despede dos Mundiais com brilho, recordes, oito gols e uma última final, mas sem o bicampeonato que transformaria sua história em algo ainda mais inacreditável. A derrota, no entanto, não diminui Messi em nada. Ele continua sendo o que é: um gênio.

A Copa foi dele. O troféu, da Espanha. Nem mesmo ele vence sozinho para sempre. A Argentina teve alma, torcida, camisa e orgulho, mas não teve bola. Enzo Fernández foi expulso após receber o segundo cartão amarelo e deixou a equipe ainda mais frágil diante de uma Espanha que já controlava a decisão. A partir dali, a final passou a ter apenas uma pergunta: quando a bola espanhola encontraria o caminho do gol? Demorou, diga-se.

O brilho de Ferran Torres

Mas encontrou com Ferran Torres. O atacante entrou para mudar a história de uma final que parecia caminhar para os pênaltis. Fez o gol do título, consagrou a geração espanhola e confirmou uma seleção que chegou à Copa como uma das candidatas ao título, atrás apenas da França, de Mbappé, mas que cresceu no torneio até se tornar a melhor equipe da competição. Trata-se de uma conquista merecida.

A decisão deste domingo sempre esteve nos pés da Espanha. Luis de la Fuente recuperou o espírito da La Roja, que encantou o mundo em 2010, na África do Sul. Também apresentou aos dasatentos o garoto Lamine Yamal. O menino de 19 anos não precisou fazer o gol da final para ser ele também um símbolo da conquista. Ele é a imagem de uma Espanha que joga como adulta, mas ainda tem futuro de sobra.

Nas tribunas de honra, Donald Trump acompanhou a decisão ao lado da primeira-dama e de Gianni Infantino. Talvez sem entender totalmente o que via, assistiu a uma aula de posse, paciência e controle. O MetLife teve festa argentina, presença maciça sul-americana e emoção até o fim. Mas a bola nunca foi da Argentina. A torcida empurrou, cantou, acreditou e jamais abandonou o time. Só que a Espanha não emprestou o jogo.

Messi deixa a Copa com oito gols, atrás apenas de Mbappé, artilheiro da edição com dez. Também viu o francês assumir a liderança histórica dos goleadores dos Mundiais, com 22 gols. Ainda assim, o argentino sai maior do que entrou. Jogou sua última Copa como protagonista, levou a Argentina a mais uma final e encerra duas décadas de Mundiais como uma lenda absoluta.

Mas a taça ficou com a Espanha. E ficou com justiça. Mais do que vencer a Copa de 2026, a seleção espanhola espalhou pelo mundo uma ideia de futebol. Uma escola que privilegia a bola, o passe, o meio-campo, a paciência e a inteligência coletiva. É uma lição para quem acha que identidade se compra ou se importa. O Brasil, por exemplo, não precisa abrir mão do seu DNA para tentar fazer o que não sabe.

A Espanha mostra o contrário. Ganha porque acredita no que é. Ganha porque gosta da bola e não a entrega por nada. Ganha porque entende que controlar o jogo ainda é uma forma poderosa de atacar. Em uma Copa de shows, anéis, ingressos caríssimos e espetáculo à moda americana, o título ficou com quem fez do futebol a sua maior atração. A Espanha é campeã do mundo. E Ferran Torres entrou para sempre na história.

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