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Messi une a Argentina, Neymar divide o Brasil: o contraste dos camisas 10

Reprodução / Instagram

Neymar e Messi jogaram juntos no PSG e Barcelona - Reprodução / Instagram
Neymar e Messi jogaram juntos no PSG e Barcelona
Por Robson Morelli

30/05/2026 | 11h45

São Paulo - Messi e Neymar estão machucados. Mesmo assim, ambos foram convocados para a Copa do Mundo de 2026. O nome de Messi foi confirmado nesta quinta-feira. As semelhanças acabam aí.

Enquanto o camisa 10 da seleção argentina desfrutou nos últimos quatro anos da conquista da Copa de 2022, da liderança das Eliminatórias Sul-Americanas, inclusive com uma surra no Brasil, e de sua nova vida no Inter Miami, nos Estados Unidos, o atacante brasileiro deixou a Arábia Saudita de maneira discreta, foi esquecido pela seleção brasileira e se viu numa luta constante contra as lesões. Isso sem mencionar o fato de ele ter voltado ao Brasil para o único clube que o quis, o Santos. Messi vai para a sua sexta Copa. Neymar, para a quarta.

A vida de Messi e de Neymar já andou no mesmo trilho, quando ambos estavam no Barcelona e depois voltaram a se encontrar no PSG. Mas, após esse período, ela tomou caminhos diferentes. Messi se encontrou no "soccer" americano. Assumiu uma relação mais tranquila com o futebol aos 38 anos sem, no entanto, perder a sua graça e reverência.

Neymar se afundou em projetos pessoais longe do campo, desafiou os que diziam que ele já não era mais o mesmo e há duas temporadas tenta provar para o torcedor brasileiro e para si mesmo que nada mudou em sua carreira. No Brasil, Neymar criou família e "assumiu" a sua condição de bom pai.

Messi e Neymar ainda arrastam multidões

Messi e Neymar são amigos. Eles falam o mesmo idioma dentro de campo e se respeitam. Foram talentosos a ponto de arrastarem multidões para os estádios. Eles ainda conseguem fazer isso e certamente farão na Copa do Mundo se ambos se mantiverem em suas seleções e não forem cortados.

O técnico argentino Lionel Scaloni não demonstra nenhuma intenção de jogar o Mundial sem Messi, mesmo se ele souber que o camisa 10 não conseguirá se recuperar a tempo de problemas musculares. O elenco não deixará Messi ir embora. Ele é o farol dessa geração. Dos 26 convocados, 17 jogadores estiveram na conquista da Copa do Catar quatro anos atrás. O camisa 10 da Argentina é reverenciado como nunca antes. Ele unificou o país em torno do futebol. Messi é a alma da Argentina.

Neymar, como se sabe, foi convocado de sopetão, talvez até porque o treinador Carlo Ancelotti tentou agradar quem gritou mais alto às vésperas da lista final. Enquanto Messi esteve nas Eliminatórias com Scaloni, Neymar não foi chamado nenhuma vez nos últimos 12 meses pelo treinador italiano. Eles se conheceram na Granja Comary nesta semana, com um abraço e um aperto de mão.

Neymar é reserva no Brasil

Neymar é reserva, mas ficará com a camisa 10, a mesma que usou nas três últimas Copas. No elenco, todos falam dele com carinho. Mas, diferentemente de Messi, Neymar dividiu o Brasil entre os que queriam e querem a sua participação no Mundial e os que não suportam nem ouvir falar dessa possibilidade. Ancelotti o colocou na lista, mas Neymar corre risco de ser cortado por causa de sua panturrilha machucada. 

Em comum, Messi e Neymar não têm mais a mesma agilidade, a mesma arrancada, o mesmo drible e a mesma rapidez com a bola nos pés como antigamente. O argentino tem 38 anos. Neymar já completou 34. O raciocínio de ambos continua o mesmo, mas a execução das jogadas já não acontece mais com tanta facilidade.

A Argentina joga em função de Messi 

A Argentina conseguiu se moldar para jogar em função do meia nos últimos quatro anos. Na Copa do Mundo de 2022 foi assim. E será novamente nos Estados Unidos, Canadá e México. O Brasil deu de ombros para o "fim de linha" de Neymar até o resgate surpresa de Ancelotti. Mas nunca preparou uma seleção para atuar em função do atleta.

Para a Fifa, no entanto, não há dúvidas de que tanto Neymar quanto Messi serão muito bem-vindos ao Mundial. Eles arrastam uma legião de seguidores nas redes sociais e ainda despertam a atenção onde quer que vão. Para os negócios da bola, isso é ótimo. Em campo, só se ambos se mantiverem saudáveis até a Copa, Messi já está escalado no meio de campo do time campeão mundial. Neymar ainda terá de cavar o seu espaço entre os 11 de Ancelotti.

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