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Arara-vermelha-grande volta a ter filhotes na Mata Atlântica após 200 anos

Cetas Porto Seguro/Ibama

Registro é considerado um marco para a conservação ambiental e para a recuperação da fauna nativa - Cetas Porto Seguro/Ibama
Registro é considerado um marco para a conservação ambiental e para a recuperação da fauna nativa
Por Alexandre Barreto

29/04/2026 | 16h15

São Paulo - O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmou o nascimento dos primeiros filhotes de arara-vermelha-grande (Ara chloropterus) na Mata Atlântica após quase 200 anos da extinção da espécie no bioma.

O resultado foi alcançado pelo Projeto de Reintrodução da Arara-vermelha-grande, iniciado em 2022 no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), em Porto Seguro, no sul da Bahia.

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Esta é a primeira reintrodução documentada da espécie na Mata Atlântica com filhotes nascidos em liberdade. O registro é considerado um marco para a conservação ambiental e para a recuperação da fauna nativa no litoral brasileiro.

Filhote de arara-vermelha-grande explora mata próxima ao ninho
Filhote de arara-vermelha-grande explora mata próxima ao ninho - Cetas Porto Seguro/Ibama

A arara-vermelha-grande já foi encontrada em várias regiões do Brasil e teve presença histórica na Mata Atlântica desde o período colonial. A espécie chegou a ser citada na Carta de Pero Vaz de Caminha, em 1500, ao descrever as aves vermelhas como “muito grandes e formosas”.

Com o avanço do desmatamento e da captura ilegal, a população desapareceu do litoral. Hoje, os grupos selvagens estão concentrados principalmente nas regiões Centro-Oeste e Norte do País.

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Como não existem mais populações naturais da espécie na Mata Atlântica, o projeto utiliza aves vindas de cativeiro, recebidas por doação legal ou apreendidas em ações contra o tráfico de animais silvestres.

Antes da soltura, os animais passam por identificação, quarentena, exames clínicos, avaliação comportamental e treinamento de voo.

A soltura inicial ocorreu em 2024 em uma área de cerca de 7 mil hectares de Mata Atlântica regenerada, incluindo a Estação Veracel, maior Reserva Particular do Patrimônio Natural do Nordeste. No local, foram instalados ninhos artificiais e pontos de alimentação para facilitar a adaptação.

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Reprodutor (direita) atacando arara (esquerda) que se aproximou do ninho
Reprodutor (direita) atacando arara (esquerda) que se aproximou do ninho - Cetas Porto Seguro/Ibama

Em 2026, equipes do Ibama identificaram casais defendendo ninhos, sinal de reprodução da espécie. Depois, foi confirmado o nascimento de dois filhotes, que já foram vistos voando e sendo alimentados pelos pais.

Segundo o Ibama, além de recuperar uma espécie extinta localmente, a arara-vermelha-grande tem papel importante no equilíbrio ambiental.

A ave dispersa sementes por grandes distâncias e contribui para a regeneração das florestas, atuando como “engenheira de ecossistemas”.

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