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Copa do Mundo conecta dos Boomers à Geração Z apesar das diferenças geracionais

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Diferentes gerações acompanham a estreia do Brasil neste sábado e reinventam a torcida na Copa 2026 - Adobe Stock
Diferentes gerações acompanham a estreia do Brasil neste sábado e reinventam a torcida na Copa 2026
Por Alexandre Barreto

13/06/2026 | 12h06

São Paulo - Seja no barzinho, em casa com a família ou acompanhando cortes de vídeos no TikTok, diferentes gerações estarão de olho na estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026. Neste sábado, 13, a Seleção Brasileira enfrenta o Marrocos, às 19h (horário de Brasília), em uma partida que deve mobilizar torcedores em diferentes plataformas e formas de consumo.

Dados da pesquisa Cultura no Espelho, realizada pela Globo em parceria com a Quaest, mostram que assistir futebol e outros esportes na TV aberta segue como um hábito importante entre os brasileiros. Entre os nascidos entre 2000 e 2009, 19% apontam essa prática como preferência, percentual superior ao registrado entre gerações mais velhas.

O resultado indica que o esporte permanece como um dos conteúdos capazes de reunir diferentes públicos, mesmo em um cenário dominado por plataformas digitais. Apesar de hábitos de consumo distintos, especialistas ouvidas pelo VIVA avaliam que a Copa continua sendo um dos poucos eventos capazes de mobilizar milhões de pessoas simultaneamente.

Copa de 2026 será multiplataforma

A Copa de 2026 será a maior da história, com 48 seleções e 104 partidas. Além dos jogos, o torneio deve gerar uma enorme circulação de conteúdos em mídias digitais, ampliando os pontos de contato com os torcedores.

Para Queren Hapuque, diretora de Novos Negócios da agência HAPU, a velocidade de consumo dos jovens não significa falta de interesse ou atenção.

“A Geração Z filtra muito rápido o que merece tempo. Em grandes eventos culturais, a atenção se organiza em camadas: existe o momento de concentração, ligado ao jogo e à emoção coletiva, e existe o momento fragmentado, em que o evento circula em memes, reacts, cortes e conversas em tempo real", explica.

Segundo a especialista, a Copa deixou de existir apenas durante a partida e passou a funcionar como um ecossistema de conteúdo que continua antes, durante e depois do apito final.

TV já não é a única narradora da experiência

A especialista em Comunicação Estratégica e Posicionamento, Fabiana Bertotti, explica que a principal mudança está na forma como cada geração constrói significado a partir do conteúdo que consome.

Ela destaca que a TV aberta funcionava como um grande ponto de encontro social. Durante décadas, milhões de pessoas assistiam aos mesmos programas nos mesmos horários, criando referências culturais comuns e uma percepção compartilhada dos acontecimentos.

Fabiana Bertotti é jornalista, escritora best-seller e especialista em Comunicação Estratégica
Fabiana Bertotti é jornalista, escritora best-seller e especialista em Comunicação Estratégica, Oratória e Posicionamento - Divulgação

Esse consumo simultâneo ajudava a formar uma identidade coletiva, já que grande parte da população recebia as informações por meio das mesmas imagens, narradores e narrativas.

Bertotti explica que com o avanço das plataformas digitais, esse modelo se fragmentou. Em vez de consumir o mesmo conteúdo ao mesmo tempo, cada pessoa escolhe o que assistir, quando assistir e por qual canal acompanhar um evento.

"Os Baby Boomers e a Geração X ainda carregam o reflexo de buscar uma voz única, central, que organize essa experiência coletiva. Já os millennials e a Geração Z escolhem o ângulo, o narrador e o ritmo para construir sua própria narrativa sobre aquilo que estão vendo.

Na visão da especialista, a mudança fundamental é que o poder de atribuir significado aos acontecimentos deixou de estar concentrado em poucos veículos de comunicação e passou a ser distribuído entre os próprios usuários e suas redes de consumo de conteúdo.

Redes sociais ampliam a participação

De acordo com as especialistas, o crescimento de plataformas como TikTok, Instagram e X transformou o torcedor em produtor de conteúdo, fazendo com que torcer também passasse a envolver escolhas pessoais sobre como acompanhar e interpretar os acontecimentos.

"Além de acompanhar o jogo, nós também vamos construindo a narrativa da nossa própria experiência. Qual story vou postar? Qual meme vou compartilhar? Qual opinião vou defender? Em qual discussão vou entrar? Isso amplia o engajamento, mas também desloca o foco", explica Fernanda.

"Parte da atenção deixa de estar apenas na partida e passa para a gestão da nossa presença nas redes, à medida que pensamos em como vamos nos apresentar no ambiente digital", complementa.

Nesse cenário, TikTok e Instagram assumem funções diferentes. Enquanto o TikTok favorece a descoberta, humor e viralização, o Instagram concentra acompanhamento de criadores de conteúdo, posicionamento e construção de identidade digital.

Encontros presenciais continuam relevantes

Apesar do crescimento das comunidades digitais, especialistas afirmam que os encontros presenciais seguem desempenhando papel importante durante o torneio.

A linguista Vivian Rio Stella, doutora pela Unicamp e idealizadora da VRS Academy, avalia que a divisão entre mundo físico e digital está cada vez menos evidente.

"As plataformas digitais estão nos encontros presenciais. A gente vê encontros de amigos, de famílias, e as pessoas estão conectadas à internet, vendo e atualizando seus vídeos. Então, acho que não dá para segmentar: ou a pessoa está no presencial ou ela está no digital. Isso está totalmente sem borda hoje em dia”, ressalta.

Vivian Rio Stella é doutora em Linguística pela Unicamp, pós-doutora pela PUC-SP, idealizadora da VRS Academy e TEDx Speaker
Vivian Rio Stella é doutora em Linguística pela Unicamp, pós-doutora pela PUC-SP, idealizadora da VRS Academy e TEDx Speaker - Divulgação

Segundo ela, a Copa continua sendo um espaço de convivência entre diferentes gerações, seja em casas de familiares, reuniões entre amigos, arenas temáticas ou comunidades formadas nas redes.

A especialista argumenta que a ampliação do torneio e o volume crescente de conteúdos também geram novos comportamentos. Para Vivian, a Copa de 2026 deve intensificar a sensação conhecida como FOMO, sigla para "Fear of Missing Out", ou medo de ficar de fora.

A principal diferença dessa experiência multiplataforma da Copa é que estamos sendo cada vez mais incentivados, treinados e arremessados para uma extrema fragmentação, com excesso de jogos, transmissões, conteúdos e experiências. Então, tudo isso transforma a forma como a gente interage com a Copa.

Ao mesmo tempo, ela lembra que o evento acontece em meio à rotina de trabalho, estudos e compromissos financeiros, criando uma disputa constante pela atenção do público. "Existe uma exaustão, e parece que a Copa traz uma energia de ir para fora, aproveitar esse evento único, apesar dessa exaustão, do endividamento e de tantas outras coisas”, conclui.

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