Documentário ‘Catadoras’ mostra reciclagem pelo olhar de mulheres do setor
Reprodução/ Cinemateca Brasileira
São Paulo - O documentário 'Catadoras' (2024) fala sobre reciclagem pelo olhar de mulheres. Em entrevista ao VIVA, a diretora do longa, Deyse Porto, afirmou que não é possível compreender a reciclagem no Brasil sem antes entender a trajetória das mulheres que sustentam essa atividade, por vezes atravessadas pela maternidade, violência doméstica, pobreza e luta por reconhecimento.
O Dia Mundial da Reciclagem é lembrado neste domingo, 17 de maio.
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'Catadoras conta as histórias das catadoras Aline, Francisca, Jeane e Suelen.
- Aline teve sua casa derrubada pela polícia e depois subiu a rampa do Palácio do Planalto para colocar a faixa no presidente da República;
- Francisca voltou para sua terra natal no Ceará após 40 anos em São Paulo;
- Jeane quer que seu filho, Arlon, se cure do alcoolismo e registre a filha;
- Suelen se separou de um marido agressor.
Ao VIVA, Deyse Porto contou que conversou com as personagens do filme por dois anos antes das gravações. Desde o início, sabia que deveria pesquisar este universo não por uma perspectiva unicamente ambiental, mas de gênero. O roteiro do fime foi construído a partir das vivências das personagens, explicou.
Não havia uma separação entre quem essas mulheres são, seja a atividade delas de mães, as atividades como pessoa, como filha, como mulher, como esposa, como companheira e o trabalho delas".
Todas essas mulheres são lideranças da categoria, uma escolha de Deyse Porto na tentativa de não explorar a vulnerabilidade delas. "Pessoas conscientes, ativistas na questão ambiental, social e também na questão de gênero. São mulheres que vivenciam as questões políticas e lutam por seus direitos e suas comunidades", disse
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Segundo o Atlas Brasileiro da Reciclagem, iniciativa da Ancat (Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis), as mulheres são 56% dos mais de 75 mil catadores registrados em cooperativas de resíduos sólidos no País.
Para a diretora do documentário, só seria possível entender a reciclagem no Brasil se antes essas mulheres fossem entendidas. Foram retratadas mulheres de diferentes regiões do País, com personalidades, realidades e histórias diversas. "A vida privada e a vida profissional, as fronteiras são muito mais fluidas quando você está falando de grupos que tem necessidades urgentes"", disse.
Na trajetória de Francisca, a mais velha [50 anos durante as gravações], Deyse Porto pontua que é nítido como o emprego partiu de uma de uma necessidade, de uma demanda urgente da família. Ao mesmo tempo, Aline veio de uma família de catadoras: a avó e a mãe já trabalhavam como catadoras.
Elas falam sobre quebra de ciclo. Elas respeitam, são muito orgulhosas das profissões delas, mas que elas querem outras perspectivas para as novas gerações. Quem veio antes abre o espaço para quem vem agora ter uma nova perspectiva, inclusive dentro da própria categoria mesmo", disse Deyse Porto.
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Filme
O documentário recebeu o Prêmio Pessoa de Melhor Documentário na 16ª edição do FESTin – Festival Internacional de Cinema da Língua Portuguesa, realizado em Lisboa/Portugal. O filme está disponível no Prime Video.
Deyse Porto foi convidada a dirigir 'Catadoras', em que assina a direção e roteiro. O filme foi produzido pela Maré Produções Culturais, Movida Conteúdo e Maria Produções, da Fernanda Bezerra, produtora executiva.
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