Excesso de microplásticos faz empresas reverem produtos e embalagens
Envato
São Paulo, 05/12/2025 - Você provavelmente nem imagina, mas está consumindo microplásticos. A geração de microplásticos - minúsculos fragmentos de plástico que contaminam o meio ambiente, especialmente rios e oceanos - tem se tornado um problema crescente no Brasil e no mundo.
De olho nesse crescimento, algumas empresas têm procurado evitar ou reduzir o uso de produtos com essa matéria prima. A Eletrolux, por exemplo, criou a máquina de lavar Top Load Expert (LEB18), com exclusiva tripla filtragem que filtra microplásticos, pelos de pet e fiapos. A tecnologia reduz até 95% a geração e o descarte de microplásticos durante o processo de lavagem.
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Outro exemplo é a Iamaní, marca brasileira de chás orgânicos, que nasceu com a missão de aproximar as pessoas da natureza por meio de chás funcionais e 100% orgânicos e pautados por sustentabilidade. A marca foi uma das primeiras a substituir o sachê convencional por um sachê vegetal 100% compostável, que não libera microplásticos na água quente. Além de não adotar plásticos nas caixas e envelopes.
Relatório propõe outras soluções
Estimativas apontam que o Brasil contribui com até 190 mil toneladas do volume total de lixo no ambiente marinho. Estudos recentes calculam que o potencial de perda de itens plásticos para o ambiente no Brasil é de 3,44 milhões de toneladas por ano.
Para alertar sobre os riscos desse avanço e propor soluções, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) lançou o relatório “Microplásticos: Um problema complexo e urgente”. Segundo os dados levantados, 80% dos resíduos plásticos que chegam ao mar e que podem se transformar em microplásticos provêm de atividades realizadas em terra, como turismo, indústria, ocupação urbana desordenada e má gestão de resíduos sólidos, permeadas por padrões insustentáveis de produção e consumo. Os outros 20% seriam originados em atividades realizadas no mar, como o transporte marítimo e a pesca.
Uma vez no oceano, os resíduos sofrem dispersão por meio de marés, correntes e ventos, gerando diversos impactos ambientais, sociais e econômicos e sendo ingeridos por animais marinhos e outros seres vivos da cadeia alimentar marítima.
"Enfrentar a poluição por microplásticos exige uma ação coordenada entre governo, setor produtivo, comunidade científica e sociedade. Precisamos rever estratégias nacionais e investir em educação, inovação e regulação para proteger a saúde humana e os ecossistemas”, afirma a presidente da ABC, Helena Nader.
Elaborado por um grupo de dez pesquisadores de diferentes instituições, entre membros da ABC e convidados, o documento traz um panorama do problema gerado pelo descarte inadequado desse material e recomendações para diminuir o impacto no país.
Excesso de plástico
Material cada vez mais presente no cotidiano, o plástico traz benefícios por ser leve, durável e de baixo custo. No entanto, a abundância desse material, somada à falta de incentivo à reciclagem, acaba trazendo problemas, caso do descarte inadequado.
Além dos impactos ao meio ambiente, estudos mostram que microplásticos já são encontrados em diferentes órgãos do corpo humano, o que pode representar sérios riscos à saúde. Recentemente, novos estudos apontaram a presença de microplásticos em placentas e cordões umbilicais de gestantes.
Eles também aumentam a exposição a componentes químicos perigosos, como metais pesados, pesticidas e microrganismos.
"A contaminação por microplásticos não é um problema apenas ambiental, é uma ameaça direta à saúde humana, à segurança alimentar e à economia. O relatório propõe um conjunto robusto de ações concretas, que exigem a atuação coordenada entre governo, setor produtivo e sociedade”, afirma Adalberto Luis Val, vice-presidente da ABC para a Região Norte e coordenador do grupo de trabalho.
"Não podemos mais tratar os plásticos como descartáveis. É hora de assumir a responsabilidade pelo ciclo completo desses materiais, desde a produção até o descarte e a reciclagem dos microplásticos."
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