Gasolina ou álcool? Com qual combustível abasteço meu carro?
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Por Joyce Canele
redacao@viva.com.brSão Paulo, 31/01/2026 - Desde 2022, com a entrada em vigor das novas especificações da gasolina no Brasil, motoristas de todo o País voltaram a se deparar com uma dúvida recorrente nos postos: vale mais a pena abastecer com gasolina ou etanol?
A atualização das regras de qualidade do combustível, implementada após anos de testes técnicos, reacendeu o debate justamente em um momento de pressão sobre o consumo, o bolso e as emissões veiculares.
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A gasolina vendida hoje no Brasil precisa atender a critérios mais rígidos de qualidade. O principal deles é a octanagem mínima de 93 RON, um indicador da resistência do combustível à detonação em altas temperaturas e pressões.
Na prática, isso significa maior proteção ao motor, especialmente nos veículos mais modernos, que operam com taxas de compressão elevadas, turbo e sistemas eletrônicos mais sofisticados.
Além disso, a gasolina passou a ter uma densidade mínima maior, o que garante melhor aproveitamento energético a cada litro abastecido.
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Esses ajustes foram adotados após a identificação de gasolinas importadas com baixo desempenho, que provocavam aumento de consumo e ruídos de detonação em alguns modelos.
Gasolina ou álcool?
A decisão passa por três fatores principais:
- Preço;
- Eficiência do veículo; e
- Perfil de uso.
O etanol costuma render menos quilômetros por litro, mas pode ser vantajoso quando custa até cerca de 70% do preço da gasolina, de acordo com a Serasa.
Já a gasolina tende a oferecer maior autonomia, o que favorece quem roda longas distâncias ou dirige com frequência em estrada.
Motores mais modernos, especialmente os com injeção direta e turbo, foram projetados para operar com combustíveis de melhor qualidade e se beneficiam da gasolina dentro das novas especificações.
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Por outro lado, veículos flex urbanos, usados em trajetos curtos, costumam ter bom desempenho com etanol quando o preço compensa, conforme a publicação do Semadesc.
Etanol/álcool
O etanol faz parte da realidade brasileira há décadas e hoje está presente tanto como combustível principal quanto misturado à gasolina. A gasolina comum contém 27% de etanol anidro, enquanto a premium tem 25%, segundo a Petrobras.
Com alta octanagem e menor impacto ambiental, o etanol favorece motores flex e contribui para a redução de emissões.
Em termos ambientais, o combustível de origem vegetal se destaca por ser renovável e emitir significativamente menos gases de efeito estufa ao longo de seu ciclo de vida.
Impacto ambiental
Além do bolso, a escolha do combustível também afeta o meio ambiente. O etanol se consolidou como um dos pilares da matriz energética brasileira e segue relevante mesmo diante do avanço dos veículos híbridos e elétricos.
Modelos híbridos já utilizam gasolina com alto teor de etanol e algumas montadoras estudam tecnologias que usam o próprio etanol para geração de energia elétrica a bordo, reduzindo emissões sem depender de infraestrutura complexa.
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A gasolina brasileira evoluiu, ficou mais eficiente e alinhada às exigências dos motores atuais. O etanol segue competitivo, sustentável e tecnicamente viável.
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