CONFIRA

Gingoterapia transforma a vida dos 60+; entenda como funciona a modalidade

Prática moldada para idosos foi criada pelo mestre Geraldinho e busca respeitar os limites físicos, emocionais e cognitivos de pessoas idosas

Alexandre Barreto

Por Alexandre Barreto

11/10/2026 | 17h30

Arquivo pessoal/Mestre Geraldinho

Mestre Geraldinho criou a prática chamada “gingoterapia” para idosos - Arquivo pessoal/Mestre Geraldinho
Mestre Geraldinho criou a prática chamada “gingoterapia” para idosos
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A gingoterapia, ou capoeira adaptada, tem transformado a vida de idosos ao combinar exercícios físicos, música e convivência em grupo, promovendo saúde e socialização. Criada por Geraldinho, a prática é voltada para pessoas acima de 60 anos que buscam uma alternativa às aulas convencionais de capoeira.

A metodologia foi desenvolvida ao longo de 15 a 20 anos e se adapta às necessidades dos participantes, focando em equilíbrio, coordenação motora e fortalecimento muscular, além de melhorar a memória e reduzir o isolamento social. Atualmente, Geraldinho mantém atividades no interior de São Paulo, reunindo mais de 400 alunos.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Você já ouviu falar em gingoterapia? Também chamada de "capoeira adaptada", ela vem transformando a vida de idosos por combinar exercícios físicos, música e convivência em grupo. O VIVA Notícias conversou com Geraldo Sebastião Pinto Sobrinho, conhecido como Geraldinho, mestre de capoeira, educador e criador da prática.

Aos 67 anos, ele afirma que trabalha com a modalidade há 46 anos e desenvolve a proposta voltada à terceira idade há mais de 15 anos. Geraldinho diz que foi modificando os exercícios ao longo do tempo para atender pessoas 60+ que queriam praticar capoeira, mas não conseguiam acompanhar aulas convencionais.

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Atualmente, o mestre mantém atividades no interior de São Paulo. Segundo ele, o trabalho também já chegou a reunir mais de 400 alunos.

Idosos praticantes da gingoterapia posam com certificados
Praticantes posam com certificados após aula de capoeira adaptada - Arquivo pessoal/Mestre Geraldinho

“Eu criei essa metodologia para trabalhar com pessoas idosas. Preserva elementos tradicionais da capoeira, como a musicalidade, os cantos e os movimentos, mas retira atividades de maior impacto, como saltos. Isso valoriza a experiência de vida de cada atuante ali”, explica Geraldinho.

Ele também afirmou que a metodologia considera as condições emocionais e cognitivas de cada participante. Entre os efeitos buscados estão a melhora da memória e da concentração, além da redução do isolamento social e do risco de depressão e ansiedade.

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Como funciona a gingoterapia?

A aula começa com um momento de acolhimento e exercícios de alongamento. Depois, entram os movimentos acompanhados por músicas e cantos. A atividade é conduzida de maneira gradual, respeitando os limites de cada participante.

Geraldinho conta que a música serve como parte do próprio exercício. “Todos os movimentos que a gente faz são musicados. A gente mesmo canta e, através da música, faz os exercícios”, afirma.

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Além disso, as aulas podem variar de um dia para o outro, mas costumam seguir uma estrutura que inclui aquecimento, exercícios, alongamento e atividades com música.

A adaptação é importante porque muitos idosos "não teriam condições de acompanhar uma aula convencional de capoeira", explica Geraldinho.

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Exercícios ajudam na prevenção de quedas

Um dos focos da gingoterapia é estimular movimentos que exigem deslocamentos para frente, para trás e para os lados. A proposta é trabalhar a força das pernas e outros movimentos importantes para a autonomia durante o envelhecimento.

Geraldinho afirma que a atividade pode contribuir para a prevenção de quedas ao estimular força. “Ela estimula muitos movimentos, principalmente movimentos de pé. Você vai ganhando essa força na perna que, com a idade, você vai perdendo”.

Idosos praticando a gingoterapia
Aula começa com acolhimento, alongamento e movimentos no ritmo dos cantos - Arquivo pessoal/Mestre Geraldinho

Além disso, a prática também procura ser uma alternativa para pessoas sedentárias que receberam orientação médica para começar a fazer atividade física. Segundo o mestre, a metodologia reúne exercícios com dança, brincadeiras e outras atividades adaptadas.

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Outro ponto destacado é que a musicalidade é um dos elementos que diferenciam a gingoterapia de outras atividades físicas voltadas ao público idoso. As canções acompanham os movimentos e podem ser escolhidas de acordo com referências da época em que os participantes eram crianças ou jovens.

Para Geraldinho, esse vínculo com músicas conhecidas ajuda a tornar a atividade mais próxima da história de vida de quem participa e cria uma "memória afetiva".

A prática estimula a socialização, porque isso reduz o isolamento, que é comum na terceira idade. Essas atividades em grupo trazem mais uma sensação de estar ali participando, de pertencer, de ser ouvido ainda.
Geraldinho, mestre de capoeira e educador

Praticantes relatam mudanças na rotina

Aos 70 anos, Rosa Valim está entre as primeiras participantes da gingoterapia. Ela conta que conheceu o trabalho quando Geraldinho começou a dar aulas em um parque e, depois, passou a levar amigas para participar. Para ela, a atividade se tornou parte da rotina e ajudou a ampliar a convivência com outras pessoas.

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Rosa Valim foi uma das primeiras participantes da gingoterapia
Rosa Valim foi uma das primeiras participantes da gingoterapia - Arquivo pessoal

“A gente abraça, a gente canta, a gente dá bom dia para todas. Somos assim, uma família”, afirma Rosa. Ela também destaca a combinação entre movimento e música. “É maravilhoso. Não tem dor, não tem nada. Alivia um monte de coisa na gente.”

Maria Barros, de 78 anos, também começou a praticar depois que Geraldinho iniciou as atividades na região onde mora. Antes, ela fazia caminhadas e utilizava alguns equipamentos disponíveis no parque, mas não frequentava uma academia. Com as aulas, passou a realizar exercícios três vezes por semana.

Maria diz que percebeu mudanças na mobilidade e nas dores que sentia. Ela relata que antes tinha dificuldade para se curvar, esticar os braços e movimentar as pernas, além de enfrentar dores na coluna e problemas relacionados ao nervo ciático. “Me trouxe tantos benefícios que eu não me vejo abandonar tão cedo”, afirma.

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A participante também destaca que os alunos fazem movimentos como agachar e levantar enquanto cantam e dançam, muitas vezes sem perceber que estão realizando exercícios físicos. “A minha mente melhorou muito e também as condições motoras. Porque trabalhamos tudo”, disse.

Grupo 60+ posa após aula de gingoterapia, unindo capoeira adaptada, música e amizade
Grupo 60+ posa após aula de gingoterapia, unindo capoeira adaptada, música e amizade - Arquivo pessoal/Mestre Geraldinho

Para ela, a convivência também ajuda nos momentos de tristeza provocados por problemas do cotidiano. “Temos amigos e muito apoio do nosso mestre. Eu sou separada há mais de 25 anos. E no nosso grupo existem solteiras, separadas, viúvas, cada um com seus problemas, mas estando na gingoterapia é só alegria”, afirma.

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