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Horta medicinal leva educação ambiental e ação coletiva na periferia de SP

Divulgação/@hortamedicinalbrasilandia

Projeto ganhou apoio da Unifesp e tornou-se referência no cultivo de espécies medicinais - Divulgação/@hortamedicinalbrasilandia
Projeto ganhou apoio da Unifesp e tornou-se referência no cultivo de espécies medicinais
Por Alexandre Barreto

26/02/2026 | 08h46 ● Atualizado | 08h47

São Paulo, 26/02/2026 - A Horta Medicinal da Brasilândia, criada há mais de 30 anos por moradores do Jardim Damasceno, tornou-se referência no cultivo de espécies medicinais e em educação ambiental na zona norte de São Paulo. Instalada no Espaço Cultural do bairro, a horta reúne mais de 60 espécies entre plantas medicinais, frutíferas e alimentícias não convencionais.

Nivalda Aragues, 58, agente ambiental e uma das voluntárias responsáveis pelo espaço, conta que o projeto já tem efeitos percebidos no território, e moradores relatam melhora na saúde e maior consciência ambiental.

“Há casos [de pessoas atendidas pela horta] em que nos relatam melhora na saúde. Vão à consulta e o médico dá os parabéns pela evolução. Então, por exemplo, dizem que consomem ora-pro-nóbis, que faz parte do projeto, e o médico responde para continuar consumindo”, diz a voluntária.

Além dos benefícios à saúde, a horta se tornou ponto de convivência e aprendizado, com atividades como oficinas de sabão ecológico, herborização e rodas de conversa sobre a relação afetiva com as plantas.

Nivalda Aragues é agente ambiental e voluntária na Horta Medicinal da Brasilândia - Foto: Arquivo pessoal
Nivalda Aragues é agente ambiental e voluntária na Horta Medicinal da Brasilândia - Foto: Arquivo pessoal

Em 2021, a Horta Medicinal da Brasilândia fechou uma parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O objetivo do projeto era valorizar o uso seguro de plantas medicinais e integrar conhecimentos científicos e tradicionais em territórios periféricos.

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Nivalda explica que a horta já cultivava e compartilhava plantas medicinais entre vizinhos antes de receber apoio, mas que a Unifesp trouxe capacitação técnica, base científica e maior reconhecimento ao trabalho realizado no local.

Aulas e oficinas

A agente ambiental, atualmente responsável pelo minhocário, afirma que, com as aulas e oficinas oferecidas pela Unifesp, o grupo passou a ter mais preparo para orientar a população sobre o uso correto das plantas, esclarecendo tanto os benefícios quanto os possíveis riscos, além de ensinar como reaproveitar alimentos.

“Na horta, há soluções ecológicas para tratar resíduos orgânicos que a comunidade traz e que antes eram descartados no lixo comum, poluindo o meio ambiente. Também contamos com cisternas para reuso da água da chuva, reaproveitamento da água da pia, viveiro de mudas, entre outras iniciativas. São impactos positivos que contribuem em todos os sentidos, tanto para a educação ambiental quanto para a saúde da comunidade”, disse.

Na horta, as plantas do projeto são identificadas por placas certificadas pela Unifesp - Foto: Arquivo pessoal
Na horta, as plantas do projeto são identificadas por placas certificadas pela Unifesp - Foto: Arquivo pessoal

Entre as espécies estudadas e certificadas pela Unifesp estão inclusos açafrão-da-terra, babosa, boldo, ora-pro-nóbis, tansagem, taioba, guaco, camomila, capim-limão e espinheira-santa. Cada planta recebeu uma placa com nome popular e científico, parte utilizada, modo de preparo e possíveis efeitos adversos.

Segundo a voluntária, essa identificação facilita o uso consciente das ervas e garante base científica para orientar com segurança e nas quantidades adequadas.

Uma parceria com a UBS mais próxima do local, a Unidade Básica de Saúde Silmarya Rejane Marcolino Souza, também reforça o uso responsável das plantas. Farmacêuticos e agentes de saúde orientam os moradores sobre as indicações terapêuticas, complementando o trabalho realizado pelos voluntários.

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Além disso, a horta recebe visitas frequentes de escolas, universidades, grupos comunitários e até visitantes de outros Estados e países. “O ambientalista [e ator] Marcos Palmeira já fez uma entrevista no Espaço Cultural, entre outros”, conta.

Horta recebe visitas de professores e estudantes de Pirituba - Foto: Arquivo pessoal
Horta recebe visitas de professores e estudantes de Pirituba - Foto: Arquivo pessoal

Durante as atividades com as crianças do Centro de Criança e Adolescente (CCA) Arte na Rua, por exemplo, são realizadas semeaduras e oficinas de educação ambiental. Os jovens aprendem a preparar mudas e auxiliam na manutenção dos canteiros.

Canteiros medicinais 

A área foi revitalizada entre 2022 e 2024 por meio do projeto Canteiros Medicinais Periféricos, desenvolvido em parceria com o governo federal, a Unifesp e coletivos locais. Atualmente, conta com voluntários e funcionários do Programa Operação Trabalho (POT), iniciativa municipal da prefeitura que oferece qualificação profissional.

“A horta foi renomeada para Canteiros Medicinais Periféricos Jardim Damasceno, e o projeto se estendeu a outros bairros periféricos de São Paulo, culminando na edição de um livro sobre toda a iniciativa”, conta Nivalda.

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O projeto foi executado em três fases. A primeira fase, em 2022, estruturou o espaço, promoveu cursos de capacitação e implantou canteiros de bioconstrução com espécies medicinais identificadas cientificamente. 

A segunda fase do projeto, em 2023, deu continuidade à manutenção dos canteiros e ao registro das espécies, além da produção de mudas e oficinas de formação. Já a terceira fase, em 2024, consolidou a autogestão da horta e reforçou o vínculo entre a comunidade e a Unifesp.

Bela Gil, ativista e chef de cozinha, durante visita à horta medicinal - Divulgação/@hortamedicinalbrasilandia
Bela Gil, ativista e chef de cozinha, durante visita à horta medicinal - Divulgação/@hortamedicinalbrasilandia

Com o avanço das etapas, a horta do Jardim Damasceno se tornou um núcleo formador. Mudas produzidas localmente foram distribuídas a outros bairros periféricos de São Paulo, ampliando o alcance do projeto, inspirando a criação de novas hortas comunitárias e consolidando uma rede de trocas entre grupos urbanos e rurais.

Mesmo sem patrocínio fixo, a horta conta com apoio de voluntários e programas municipais, como o Sampa+Rural: Acelerando Hortas, iniciativa da Prefeitura de São Paulo, gerida pela Adesampa e pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, voltada ao fortalecimento e à ampliação de projetos de agricultura urbana, periurbana e rural com viés agroecológico.

O programa garantiu recursos para a troca da cerca, aquisição de materiais e realização de feiras e cursos.

“O edital de que a horta participou foi de grande incentivo, tanto financeiro quanto cultural e educacional. Recebemos os materiais, cursos on-line e presenciais, além de visitas a locais parceiros”, diz a agente ambiental.

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