Liberte-se das tintas de cabelo: saiba como fazer a transição para fios brancos
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São Paulo - A imagem de Miranda Priestly, a icônica personagem de Meryl Streep em O Diabo Veste Prada, com seu cabelo grisalho impecável, volumoso e ultraelegante, já motivou milhares de mulheres a abandonarem as tinturas. O movimento ganhou ainda mais força no pós-pandemia, quando a aceitação da raiz natural se transformou em sinônimo de liberdade, bem-estar e wellness.
No entanto, há um detalhe que as redes sociais costumam omitir: aquele cabelo era uma peruca. Na vida real, a transição para os fios brancos é um processo gradual, que exige paciência e, ao contrário do que muitos pensam, pode dar tanto ou mais trabalho do que manter a coloração em dia.
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De acordo com o Hairstylist Juha Antero, não existe um momento ideal para fazer a transição; isso vai depender do momento de cada pessoa. Mas ele reforça que essa é uma fase que exige paciência.
Truques para ajudar na transição
Para passar por esse período, ele sugere alguns truques de estilização, como usar o cabelo com repartidos irregulares (evitando a risca reta no meio), apostar em cortes repicados para dar movimento e recorrer a acessórios como tiaras e presilhas para disfarçar o contraste.
Para reuniões importantes ou eventos, as maquiagens capilares temporárias — especialmente as que possuem textura de sombra de pálpebra — funcionam muito bem para camuflar a raiz com o auxílio de um pincel.
Nos salões, é possível encontrar técnicas como o Grey Blending, que utiliza tonalizantes mais suaves ou tinturas mais suaves que não cobrem o branco totalmente, mas quebram o contraste. Outra opção são as luzes inversas, que devolvem um pouco da cor natural aos poucos, evitando aquela transição radical.
Os primeiros três meses vão ser os mais duros, porque fica muito na cara que você não retocou a raiz. Uma vez que o cabelo começa a crescer, passa a ter mais movimento, o cabelo branco vai se misturando com os outros e fica menos óbvio. Hoje, as pessoas também estão aceitando mais a raiz sem retoque. Algo que mudou no pós-pandemia”.
Foi justamente durante o confinamento gerado pela Covid-19 que muitas mulheres resolveram deixar de lado a tintura e assumir os fios brancos. Um exemplo desse processo é a atriz Glória Pires.
Em entrevista recente ao VIVA, ela contou que essa foi a única vez que Orlando Morais, seu marido, foi mais reticente sobre uma decisão dela. De acordo com a atriz, ele achava que era cedo, por causa dos padrões culturais do Brasil. E não foi só ele: seus filhos também foram contra, achando que ela ia ficar "bloqueada" e que talvez os trabalhos não surgissem pelo fato de estar mais velha.
Foi um chamado interno meu, sabe? Um símbolo da minha maturidade pessoal, de segurar essa nova pessoa. Eu já queria fazer isso, mas a transição é difícil e eu nunca tinha brecha no trabalho. Na pandemia, aproveitei. No fim, foi um encontro estético importantíssimo para mim. Quando meu cabelo ficou branco, eu reconheci a minha mãe em mim."
Mudança na estrutura dos fios
O cabeleireiro explica que a textura dos fios brancos é diferente da dos atuais. Isso porque o cabelo vai perdendo o pigmento, o que torna o fio mais seco, poroso e rebelde. Ao contrário do que se pensa, Juha ressalta que a ideia de que deixar o cabelo natural significa zero manutenção é falsa. Ele explica que o cabelo branco exige um investimento pesado em finalizadores, condicionadores potentes e máscaras de hidratação.
“Como cada cabelo tem suas peculiaridades — seja ele liso, crespo ou ondulado —, encontrar o produto ideal é um processo de tentativa e erro. Consultar o seu cabeleireiro, que já conhece a estrutura do seu fio, pode ajudar a acertar na escolha das linhas de tratamento”, explica.
Oxidação
O profissional lembra ainda que um dos maiores desafios de quem ostenta fios grisalhos é o amarelamento. Como o cabelo branco não tem pigmento, ele absorve e reflete qualquer resíduo, funcionando como uma roupa branca: qualquer mancha aparece.
A oxidação e o aspecto amarelado são causados por fatores cotidianos:
- Exposição externa: Sol, ar e poluição;
- Água do banho: Minerais presentes na água do chuveiro (que variam de região para região);
- Ferramentas térmicas: Uso de secador, chapinha e babyliss sem a devida proteção;
- Resíduos de cosméticos: Óleos e cremes com coloração amarelada ou dourada.
Para combater esse efeito, recomenda-se o uso de shampoos matizadores apenas uma vez por semana. Para quem tem o cabelo totalmente branco ou grisalho, os pigmentos de tom lilás ou violeta são os mais indicados, pois neutralizam diretamente o amarelo. É fundamental também adotar um bom protetor térmico e um leave-in leve em spray para proteger o fio das agressões diárias.
Ajuste o estilo
Para o cabeleireiro, o cinza e o branco são cores que, naturalmente, podem passar uma impressão de palidez ou envelhecimento se não forem acompanhados de um contexto visual planejado. Dificilmente o cabelo branco funcionará de forma harmônica sem um corte impecável e atualizado.
Além disso, a maquiagem passa a desempenhar um papel crucial no dia a dia para devolver o contraste e o viço à pele. Cores de roupas e acessórios que antes favoreciam o cabelo castanho ou loiro podem não ter o mesmo efeito com o grisalho. A transição capilar, portanto, acaba se tornando uma transição completa de estilo pessoal.
Ou seja, o segredo do sucesso da transição não está em seguir uma tendência da internet, mas sim em priorizar o conforto pessoal e o bem-estar com a nova imagem refletida no espelho.
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