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Mediunidade tardia: Márcia Sensitiva explica fenômeno em 'Quem Ama Cuida'

Divulgação e Estevam Avellar/Globo

Márcia Sensitiva explica ao VIVA a mediunidade tardia de Otoniel em "Quem Ama Cuida" - Divulgação e Estevam Avellar/Globo
Márcia Sensitiva explica ao VIVA a mediunidade tardia de Otoniel em "Quem Ama Cuida"
Por Alexandre Barreto

07/08/2026 | 17h04

São Paulo - A novela "Quem Ama Cuida", da TV Globo, colocou a mediunidade tardia entre os assuntos que despertaram a curiosidade do público. Na trama, Otoniel, personagem de Tony Ramos, revela que via espíritos quando era criança, perdeu essa capacidade ao longo da vida e voltou a ter experiências mediúnicas na maturidade ao encontrar Francesca, interpretada por Nathalia Dill.

O enredo levanta uma dúvida frequente entre os espectadores: é possível desenvolver a mediunidade apenas na idade adulta ou na velhice? Segundo a doutrina espírita, a chamada mediunidade tardia corresponde ao surgimento de faculdades mediúnicas em fases mais avançadas da vida, quando mudanças físicas e emocionais podem favorecer uma maior percepção espiritual.

De acordo com esse entendimento, o envelhecimento pode reduzir a intensidade das demandas do cotidiano e estimular um processo de maior introspecção. Entre as manifestações mais comuns estão a intuição mais aguçada, percepções consideradas extrassensoriais, sonhos marcantes e experiências mediúnicas.

Para esclarecer o tema, o VIVA conversou com Márcia Fernandes, conhecida nacionalmente como Márcia Sensitiva. Clarividente, numeróloga, astróloga, médium e escritora, ela atua há mais de 40 anos na área da espiritualidade e afirma conviver com experiências mediúnicas desde os 5 anos de idade.

Confira a seguir a entrevista:

VIVA: É comum que uma pessoa perceba sinais de mediunidade apenas após os 60 ou 70 anos?

Márcia Sensitiva – Uns são ostensivos e outros nunca vão perceber, mas todo mundo tem a faculdade mediúnica. Até os 7 anos, o mundo invisível é mais acentuado. A gente tem uma glândula no meio da cabeça, chama pineal, que é a glândula da mediunidade, e ela está sem medo. A criança não tem medo, ela fica à vontade. Depois, essa glândula passa por transformações. Aí nós ficamos materialistas, vamos atrás de dinheiro, de estudar. E o que nós fazemos? Fechamos, entre aspas, a pineal.

A maioria das pessoas congela a pineal na puberdade. Quando a pessoa se torna adulta, ela já tem seu trabalho, ela já está mais tranquila, tem o despertar para a espiritualidade, na tranquilidade dessa alma humana. E como é que desperta? Na dor ou doenças.

Então, a mediunidade, como é ligada totalmente ao mundo espiritual, e a pessoa está aguçada na idade mais avançada? Sim, é bem comum, muito comum o despertar da mediunidade. É mais comum do que todo mundo pensa. É um assentamento de cabeça. A pessoa está mais tranquila, ela já sofreu, ela já fez isso, fez aquilo, ela se entrega mais, e a pineal começa, se entrega mais para o inconsciente, e a pineal começa a dar sinais de novo.

Como diferenciar uma possível manifestação mediúnica de mudanças naturais da idade?

É bem diferente das mudanças naturais da idade. O que a pessoa mais velha tem? Ela escuta mais a intuição. Então, a intuição não tem nada a ver com mediunidade. A intuição é você fazer uma pergunta, por exemplo. À noite, eu costumo deitar com um problema. Eu peço para Deus a resposta. Na manhã seguinte, eu tenho a intuição, que é a forma com que Deus faz com que eu entenda a resposta. Então, a intuição é um momento sagrado que Deus nos dá para sabermos o que temos que fazer, que não tem nada a ver com mediunidade.

Mediunidade é você abrir tua mente para conversar com pessoas mortas, para incorporar pessoas, mentores. Quer dizer, é um outro trabalho que precisa de muito estudo, inclusive de informação, né? Muita gente confunde o esquizofrênico com mediunidade. É um negócio seríssimo. E eu acho até que parece mesmo, mas a pessoa mais equilibrada e de mais idade consegue ter esse tempo para sentir o invisível, que nada mais é do que uma mediunidade.

Essas pessoas devem buscar orientação? Que tipo de cuidado você recomenda?

Estudar toda a leitura de Allan Kardec [codificador do Espiritismo], que explica os tipos de mediunidade. Se informar é fácil, está cheio de livros. Que tipo de mediunidade existe? Se realmente aquilo que ela está tendo não é uma alucinação mental? Então não tem jeito, tem que estudar. Na hora da morte, a maioria enxerga um defunto, um defunto que vem buscar a gente. Esse é um tipo de mediunidade que se chama a [mediunidade] da visão.

Normalmente, quem tem essa mediunidade enxerga com mais facilidade os parentes queridos que estão em volta da cama. Isso é mediunidade. Aí você escuta alguém falar e diz: 'Será que eu estou ficando louco? Ainda mais uma pessoa mais velha como eu? Gente, será? Será que essa porta está batendo todo dia às 9 da noite?'

E é verdade, na minha casa acontece. É um tipo de mediunidade. 'Eu estou tendo contato com seres de outro planeta'. Então, para você não pirar, para você não ficar louco, você tem que estudar. É o que eu aconselho. Leiam Kardec.

Muitas famílias ficam preocupadas quando um idoso diz que vê ou conversa com pessoas que já morreram. Como os parentes devem acolher esse relato?

Conversar, entender o que ele está vendo e estudar Kardec, como eu te disse, para ver se realmente aquilo é viável. Procurar um psiquiatra, claro, se for uma coisa muito ostensiva. Precisa procurar um centro espírita. No meu caso é mesa branca. Verificar se a pessoa não está em obsessão, que é uma outra história, se não está com espírito sem luz, está sanando ele, sabe? Para poder limpar etc. Então, vai aos dois.

Se for muito acentuado, procura um médico para verificar a parte psiquiátrica e, claro, uma sessão espírita, mesa branca, porque ele tem que ir para, inclusive, entender o que está acontecendo.

Quais são os sinais da mediunidade tardia?

Sons diferentes, cheiros diferentes, cheiro de rosa, cheiro de podre, vultos. Tem que estudar para ver se o vulto é um vulto sofrido, se não é. O negócio de, do nada, sentir um arrepio tremendo e começar a abrir a boca são alguns sinais de proximidade espiritual. Rosa é sempre coisa boa. Quem manda rosa para mim lá do além é porque me ama. E cheiro de podre é uma pessoa podre, morta.

Então, o que é podre é ruim, é encosto, é obsessor. Você vai fazer uma sessão de desobsessão. E o que é legal, sabe, aquele cheiro de café, de repente, do nada, um cheiro de café com bolo... Vai que a tua avó fazia esse café com bolo, é uma homenagem a você. Então, o que é bom é bom, né? Dá para discernir, claro.

Que conselho você daria para essas pessoas?

Não tenha medo. Estude sobre isso. Verifique se é recorrente. Se for recorrente, procure uma Federação Espírita, por exemplo, de São Paulo. Procure entender o que é isso. Quais são esses efeitos físicos que você está passando? De onde vêm? Como vêm? Tudo tem explicação com estudo e procurando um lugar adequado.

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