Moda para 50+ é espaço para novas possibilidades, afirmam especialistas
Painel no Fórum e Festival Longevidade discutiu como roupas, autoestima, trabalho e acessibilidade se relacionam com o envelhecimento
Marcos Hiroshi/VIVA
O painel 'Vestir a própria história' no 8º Fórum & Festival Longevidade discutiu a moda para pessoas acima de 50 anos como uma forma de expressão e autonomia, destacando a importância de escolhas pessoais em vez de seguir tendências de mercado.
Suely Tonarque, especialista em moda 50+, enfatizou que as roupas refletem a trajetória de vida de cada indivíduo e criticou o preconceito relacionado à idade, defendendo uma nova perspectiva sobre o envelhecimento.
Iniciativas como o programa Cria Costura Aceleradora Criativa, promovido pela Prefeitura de São Paulo, visam capacitar pessoas em situação de vulnerabilidade no setor da moda, promovendo inclusão e oportunidades de trabalho para todas as idades.
São Paulo - A moda para pessoas com mais de 50 anos foi discutida como uma forma de expressão e autonomia durante o painel “Vestir a própria história: moda, identidade e longevidade”, realizado nesta sexta-feira, 25, no 8º Fórum & Festival Longevidade, no Pavilhão da Bienal, em São Paulo.
Mediado por Maria do Carmo Esteves da Cunha, consultora em longevidade e fundadora do projeto Envelhecer com Estilo, o encontro reuniu profissionais ligados à moda para discutir como as escolhas de roupas podem acompanhar diferentes fases da vida.
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A conversa também abordou trabalho, qualificação profissional, autoestima e moda inclusiva. Para Suely Tonarque, empresária 70+ e especialista em moda ao envelhecer, vestir-se não deve significar seguir obrigatoriamente as tendências do mercado.
Moda depois dos 50 anos é um espaço para novas possibilidades. Nosso primeiro território é o corpo. Tem formas, é econômico, político e social. Ao chegar, pelo visual, você já está dando mensagem de quem é você".
Suely Tonarque, especialista em moda 50+
Segundo Tonarque, as roupas também carregam elementos da trajetória de cada pessoa e podem representar escolhas construídas ao longo da vida.
“Você veste o que você quiser, o que você pedir. Não é o que está na moda que obriga a comprar uma roupa da Chanel ou um casaco da Zara. O vestir representa sua particularidade", afirmou.
Outro ponto destacado no debate foi a relação entre envelhecimento e padrões de comportamento. Tornaque contou que começou a falar sobre idadismo depois dos 70 anos e lembrou que já havia enfrentado o preconceito relacionado à idade décadas antes. "Aos 38 anos eu já era considerada 'muito velha' para trabalhar como vendedora em um shopping", relatou.
Durante o painel, a especialista também defendeu uma mudança na forma como a sociedade encara o envelhecimento. “O futuro está começando agora", disse. Ela usou a frase para destacar a importância de manter projetos, desejos e novas escolhas em diferentes momentos da vida.
50+ podem aprender e trabalhar com moda
A relação entre moda e trabalho foi outro ponto do painel. Vitória Davi, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (SMDET), ressaltou iniciativas de qualificação profissional que aproximam pessoas em situação de vulnerabilidade do mercado da moda.
Entre elas está o Cria Costura Aceleradora Criativa, programa gratuito de capacitação profissional e aceleração em moda promovido pela Prefeitura de São Paulo em parceria com o Instituto In-Mode.
A iniciativa oferece formação em áreas como costura, modelagem, corte e processos sustentáveis. Os participantes também podem desenvolver peças autorais e apresentar os trabalhos em eventos ligados à moda, como o São Paulo Fashion Week (SPFW).
Não existe idade certa para aprender uma técnica. Moda é espaço para novas possibilidades".
Vitória Davi, da SMDET
Ela também destacou que muitas pessoas mais velhas continuam interessadas em trabalhar e compartilhar conhecimentos adquiridos ao longo da vida. “A política pública deve fornecer caminhos para o que elas querem.”
Ela citou o caso de Suzane, uma mulher de 56 anos que participou das atividades e passou a trabalhar com a filha de 17 anos. As duas desenvolveram peças com técnicas de upcycling e passaram a atuar juntas. O exemplo foi usado para mostrar como projetos de moda podem criar espaços de troca entre gerações.
A representante da SMDET explicou que o upcycling consiste em reaproveitar materiais ou peças que seriam descartados para criar novos produtos, reduzindo o desperdício.
Moda inclusiva considera conforto e autonomia
A conversa também abordou a moda inclusiva, que busca adaptar roupas para pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e diferentes características corporais.
Essas adaptações podem envolver velcro, zíperes laterais, fechos magnéticos e aberturas em locais que facilitem o ato de vestir e retirar a roupa, explicou Davi. Também podem incluir cuidados com texturas, costuras e etiquetas para pessoas com maior sensibilidade na pele.
A especialista da Prefeitura de São Paulo disse que pensar em conforto não significa retirar da roupa sua função estética ou de expressão pessoal. “Moda confortável não é sinônimo de roupa feia.”
Tonarque também destacou que a moda precisa considerar as características individuais de quem veste a peça. Modelagem, caimento e textura podem fazer diferença para pessoas com diferentes níveis de mobilidade e necessidades. “Moda é liberdade. Da forma que você agir, da forma que quiser. Essa liberdade não pode excluir uma faixa da população", disse.
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